Mercados

Um novo ciclo do mercado já começou e não está nas big techs; veja onde está a oportunidade, na visão do BTG

08 abr 2026, 16:31 - atualizado em 08 abr 2026, 16:32
(Imagem: Marinha dos EUA/Divulgação via REUTERS)

Se a última década foi marcada pela ascensão das big techs e pela obsessão com eficiência, a próxima pode ser definida por um vetor bem diferente, e com implicações diretas para o bolso do investidor: segurança e defesa.

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O que antes era um tema periférico nas carteiras globais começa a ganhar status de tese estrutural de longo prazo, sustentada por uma combinação rara de crescimento, previsibilidade e suporte estatal.

Um mundo mais tenso, um mercado maior

O pano de fundo dessa tese é um ambiente global mais instável. Em 2025, o mundo registrou 59 conflitos armados, o maior nível desde a Segunda Guerra Mundial, pressionando governos a rever prioridades e ampliar investimentos em defesa.

Esse movimento já aparece nos números. Os gastos globais atingiram US$ 2,6 trilhões, um recorde histórico. Ainda assim, representam cerca de 2,5% do PIB global, abaixo da média histórica de 3,4%, o que indica espaço relevante para expansão. Em um cenário conservador, um aumento de apenas 1 ponto percentual do PIB implicaria US$ 620 bilhões adicionais direcionados ao setor.

O ciclo é puxado por poucos, mas poderosos players. Estados Unidos, China, Rússia, Alemanha e Índia concentram cerca de 55% dos gastos globais. Nos EUA, principal motor do setor, o orçamento pode ultrapassar US$ 1,5 trilhão até 2027, um salto de cerca de 60% frente aos níveis atuais.

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Para o investidor, o diferencial está na qualidade desse crescimento. A receita do setor somou US$ 922 bilhões em 2024, com alta de 9,3%, e deve manter ritmo semelhante até 2027.

Mais relevante do que o crescimento é a visibilidade. O indicador book-to-bill segue acima de 1,0x há nove trimestres consecutivos, atingindo 1,6x no fim de 2025. Na prática, isso significa uma carteira de pedidos crescente com empresas vendendo mais do que conseguem entregar, o que sustenta um backlog robusto e receitas futuras mais previsíveis.

Esse conjunto forma a base do que o mercado já enxerga como um novo superciclo global, com não apenas mais gastos, mas um reposicionamento estrutural da economia, em que segurança passa a ocupar o centro das políticas industriais e fiscais.

A tese de investimento

É nesse contexto que segurança e defesa deixam de ser um tema tático e passam a integrar o radar estratégico de alocação, na visão do BTG Pactual. A tese se apoia em três pilares: crescimento estrutural dos orçamentos, previsibilidade via contratos de longo prazo e resiliência mesmo em cenários econômicos adversos.

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Na prática, isso transforma o setor em algo próximo a uma “infraestrutura global” com uma demanda constante, pouco sensível a crises, e conta com forte apoio dos governos.

Dentro desse universo, a preferência recai sobre empresas de hardware que capturam de forma mais direta o aumento dos investimentos.

Para quem busca diversificação, o BTG recomenda ETFs como o iShares U.S. Aerospace & Defense (ITA), negociado nos Estados Unidos e acessível no Brasil por meio do BDR BAER39.

O fundo replica o desempenho das principais companhias norte-americanas do setor aeroespacial e de defesa, oferecendo exposição direta a uma cadeia altamente dependente de contratos governamentais e, portanto, com receitas mais previsíveis e menos sensíveis ao ciclo econômico.

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Na prática, o ETF concentra empresas que estão no centro desse superciclo de investimentos. Entre as maiores posições estão a GE Aerospace, com cerca de 20% da carteira, seguida por RTX Corporation, além de nomes tradicionais como Boeing, Lockheed Martin e Northrop Grumman.

O ETF já acumula ganhos expressivos nos últimos anos. Desde o início de 2024, a alta é de aproximadamente 88%, superando, inclusive, o S&P 500, com 45%.

Na visão do banco, ainda que riscos existam, como eventuais cortes fiscais ou alívio nas tensões globais, o vetor principal parece claro. Em um mundo mais fragmentado, defesa deixa de ser apenas uma necessidade estratégica e passa a se consolidar como uma das teses mais consistentes de investimento no cenário global.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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