Uma corrida de cavalos pelos EUA valendo US$ 50 milhões: Adaptação de um dos mangás favoritos da crítica chega à Netflix
Se você, assim como eu, está ansioso pelo lançamento de “Steel Ball Run”, já sabe que estou falando de JoJo’s Bizarre Adventure.
Na próxima semana, em 19 de março, a parte 7 do aclamado mangá de Hirohiko Araki, publicada originalmente entre 2004 e 2005 na Weekly Shōnen Jump antes de migrar para a Ultra Jump, estreia na Netflix em forma de anime.
A trama se passa em uma versão alternativa dos Estados Unidos no final do século XIX e acompanha uma corrida épica a cavalo que cruza o país de costa a costa. Batizada de Steel Ball Run, a competição promete fama e um prêmio de US$ 50 milhões ao vencedor.
A disputa acompanha os protagonistas Johnny Joestar, um ex-jóquei marcado por um passado trágico que vê na corrida uma oportunidade de redenção, e Gyro Zeppeli, um enigmático competidor que rapidamente rouba os holofotes.
Como em toda parte de JoJo, o destino é apenas o ponto de partida. A narrativa se desenvolve com conspirações, interesses ocultos e rivalidades pessoais, misturando aventura, faroeste e elementos sobrenaturais. A história é frequentemente apontada como uma das fases mais maduras da série, sem abandonar seu lado extravagante — e, como o próprio nome sugere, bizarro.
No MyAnimeList, plataforma que reúne avaliações de animes e mangás feitas por leitores e críticos, a sétima parte de JoJo’s Bizarre Adventure aparece logo atrás de Berserk, a obra-prima inacabada de dark fantasy criada pelo lendário mangaká Kentaro Miura.
O que é JoJo’s Bizarre Adventure?
Publicado pela primeira vez em 1987, JoJo’s Bizarre Adventure é considerado uma das séries mais influentes da história dos mangás.
A narrativa é dividida em partes independentes, cada uma com protagonistas e histórias próprias, mas sempre acompanhando diferentes gerações da família Joestar, cujos nomes podem ser abreviados como “JoJo”.
As aventuras dessa linhagem misturam vampiros, poderes espirituais, viagens pelo mundo e batalhas estratégicas que muitas vezes se parecem mais com partidas de xadrez do que com confrontos físicos tradicionais.
A criação de Araki é amplamente admirada e influenciou diversos mangakás, como Yoshihiro Togashi (Hunter x Hunter, Yu Yu Hakusho), Hiromu Arakawa (Fullmetal Alchemist), Hajime Isayama (Attack on Titan), Masashi Kishimoto (Naruto) e Kazuki Takahashi (Yu-Gi-Oh!).
Arte, música, cultura pop, moda e JoJo
Explicar o impacto da série não é simples, mas o termo — e meme — “JoJo reference” ajuda a ilustrar a dimensão do universo criado por Hirohiko Araki.
A expressão é usada quando alguém identifica uma referência à série em outras mídias. Como a franquia é extremamente influente, fãs passaram a enxergar alusões a JoJo praticamente em qualquer lugar.
No mundo da moda, a franquia já colaborou com marcas como Gucci, Vans e Converse, resultando em histórias especiais e coleções de peças personalizadas. Araki, um entusiasta da alta-costura, é frequentemente elogiado pelo figurino de seus personagens, marcado por um estilo autoral inspirado em grifes como Versace e Jean Paul Gaultier.
As famosas “JoJo poses” — poses dramáticas e estilizadas adotadas pelos personagens — tornaram-se um dos elementos mais icônicos da série. Elas têm forte inspiração em editoriais de moda da revista Vogue, desfiles de passarela e esculturas clássicas do período renascentista.
Outra grande influência na construção desse universo é a música. Esse fascínio aparece diretamente nos poderes dos personagens, muitos deles batizados em homenagem a artistas e canções famosas. Entre os exemplos estão Crazy Diamond e Echoes, referências ao Pink Floyd, além de Purple Haze, de Jimi Hendrix, e Killer Queen, da banda Queen, liderada pelo lendário Freddie Mercury.
Para ter uma ideia da dimensão cultural da série, Hirohiko Araki é um dos poucos mangakás a ter obras exibidas no Museu do Louvre, em Paris.