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USDA traz novo choque baixista para a soja, que pode testar US$ 10 na CBOT com China no radar

14 jan 2026, 12:08 - atualizado em 14 jan 2026, 12:08
soja china
(iStock.com/AngelaMacario)

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu o mercado nesta semana ao elevar a produção de soja norte-americana em 2025/2026 para 116 milhões de toneladas, ante 115,7 milhões estimadas em dezembro — quando a expectativa majoritária era de corte.

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A surpresa também veio pela produtividade média, revisada para cima, contrariando a projeção de queda, e pelos estoques finais dos EUA, que ficaram bem acima do esperado, em 9,5 milhões de toneladas, alta de 20,7% em relação ao relatório anterior.

Segundo Luiz Roque, coordenador de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, o movimento se soma à expectativa de uma safra brasileira de 178 milhões de toneladas em 2025/2026, reforçando um cenário de ampla oferta global em 2026.

“Foi um relatório surpreendente. Os estoques vieram bem acima do esperado por dois fatores: aumento inesperado da produção e um corte mais forte do que o previsto nas exportações americanas. Esse cenário é claramente baixista para o mercado, somando-se à produção brasileira e sul-americana recorde. Ainda é cedo para definir um piso, mas, no curto prazo, o mercado deve testar os US$ 10 por bushel em Chicago”, afirmou ao Money Times.

Mercado volta as atenções para a China

Se a China começou 2026 levantando dúvidas para a carne bovina brasileira, o mesmo pode ser dito em relação à soja. A principal incerteza gira em torno de quanto o gigante asiático irá comprar do Brasil e dos Estados Unidos.

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“O Brasil, com uma superprodução, terá ainda mais oferta para a China. Mas existe a incerteza em relação ao acordo entre EUA e China. Fala-se em compras anuais de cerca de 25 milhões de toneladas de soja americana nos próximos anos, volume ainda abaixo dos melhores momentos históricos, quando a China chegou a importar até 36 milhões de toneladas dos EUA”, explicou Roque.

Na avaliação do analista, caso o acordo se confirme, pode haver alguma limitação ao crescimento das exportações brasileiras.

“Ainda assim, o Brasil continuará sendo o principal fornecedor de soja para a China”, destacou.

O que pode mudar o jogo para a soja em Chicago?

Uma eventual decisão dos Estados Unidos de aumentar a mistura de biocombustíveis, prevista para o primeiro trimestre do ano, seria positiva para a demanda.

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“Mais à frente, a definição da área americana também pode influenciar. Hoje, a tendência é de um leve aumento da área de soja nos EUA, o que seria baixista, mas isso ainda depende da relação de preços com o milho”, pontuou.

No Brasil, a Hedgepoint não trabalha, por ora, com um aumento da mistura de biodiesel de B15 para B16, apesar de essa ser uma meta prevista na Lei do Combustível do Futuro para 2026.

“Por ser um ano eleitoral, consideramos pouco provável. Apesar de estar pré-agendado, o governo tende a evitar medidas que possam pressionar a inflação”, disse Roque.

A perspectiva, segundo o analista, é de um ano volátil e mais desafiador em termos de rentabilidade para o produtor rural.

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“Internamente, o câmbio e o cenário eleitoral também pesam. Para o produtor, é fundamental adotar estratégias de proteção. Se isso será feito por meio da retenção da soja ou via ferramentas financeiras depende de cada caso. Historicamente, quem precisa vender no primeiro semestre tende a enfrentar preços mais baixos. Por isso, o uso de estratégias de hedge no mercado financeiro é essencial para reduzir riscos”, concluiu.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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