Usiminas (USIM5) mira alta de rentabilidade após governo frear importações de aço chinês
Uma das maiores produtoras de aço plano do Brasil, a Usiminas (USIM5) espera melhorar sua rentabilidade nos próximos meses diante de uma ocupação maior do mercado interno pela empresa, após o governo ter aprovado na véspera medidas de defesa comercial contra laminados a frio e galvanizados que chegam ao país.
“O volume de aço plano importado ano passado foi de 4 milhões de toneladas, sendo 60% vindo da China. Isso implica que temos um espaço importante para retomada e potencial crescimento de vendas internas”, disse o vice-presidente comercial da Usiminas, Miguel Camejo, em conferência com analistas e investidores após a publicação mais cedo dos resultados de quarto trimestre (4T25) da siderúrgica.
As ações da Usiminas estavam entre as maiores altas do Ibovespa na tarde desta sexta-feira (13), avançando quase 3%, enquanto o índice recuava 0,9%.
Na noite da véspera, o governo anunciou que o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) aprovou aplicação de medida antidumping sobre laminados planos a frio e laminados planos revestidos originários da China, um pleito defendido pelo setor há meses.
Segundo analistas do Citi, os produtos alvo da medida de defesa comercial representam cerca de dois terços dos volumes de vendas da Usiminas.
Sobre os laminados a quente, que também possuem pedidos de antidumping de siderúrgicas locais junto ao governo, Camejo afirmou que espera a mesma decisão favorável que o governo deu aos laminados a frio na véspera.
“Esperamos o mesmo cenário para os laminados a quente. O cronograma da medida definitiva seria em torno de julho deste ano”, disse o executivo.
Segundo Camejo, “logicamente podemos esperar uma retomada dessa rentabilidade a partir de um melhor cenário de preços e margens a partir dos próximos meses”.
Mas no setor automotivo, que em sua maioria assina termos anuais de recebimento de aço da Usiminas, houve redução de 2% a 3% nos preços para as montadoras com contratos que vencem em janeiro e algo similar deve acontecer no restante dos clientes do setor, com contratos que vencem em abril, disse o executivo.
Analistas do Itaú BBA citaram que o setor automotivo representa 60% das vendas de aço revestido da Usiminas e que os negócios da empresa com montadoras devem ser pouco afetados pela decisão de antidumping da véspera.
Camejo comentou que o mix de vendas da Usiminas deste ano deve ser mais bem dividido entre os três principais setores clientes da empresa, com 30% das vendas às montadoras, outro terço para distribuidores e o restante para a indústria.
Em janeiro, disse o executivo, a Usiminas elevou os preços de aço aos distribuidores em torno de 5%.
Questionado se o espaço de demanda que deve se abrir no mercado interno a partir da decisão de antidumping pode fazer a empresa religar algum alto-forno, notadamente o de Cubatão (SP), o presidente-executivo da Usiminas, Marcelo Chara, repetiu o mantra de que isso dependerá do comportamento do mercado brasileiro.
“Hoje, com o impacto das importações e o baixo crescimento do consumo aparente…Cubatão é uma usina que tem um interessante perfil em sua estrutura porque tem área de acearia latente que pode ser reativada, mas não no curto e médio prazos.” A Usiminas deixou de produzir aço bruto em Cubatão em 2016.
Sobre o alto-forno 1 da usina de Ipatinga (MG), desligado em 2023, Chara afirmou que após a Usiminas ter investido quase R$3 bilhões em uma grande reforma no alto-forno 3, e ter feito desembolsos adicionais em outras partes do complexo industrial mineiro, a companhia ganhou uma capacidade produtiva que permite substituir a produção do alto-forno 1.
A reforma do alto-forno 3 foi concluída em 2024 e o equipamento é o maior da Usiminas, com capacidade para 3 milhões de toneladas de ferro-gusa por ano. O outro forno em operação na usina de Ipatinga, o de número 2, tem capacidade para cerca de 800 mil toneladas anuais, disse Chara.
E na mineração, Chara afirmou que o aguardado “Projeto Compactos”, há anos em estudos pela companhia e que prevê investimento bilionário para produção de minério de ferro de alta qualidade “deve ter novidades este ano”, com a empresa seguindo adiante no processo de licenciamento ambiental.
Em dezembro, Chara afirmou que a Usiminas poderia tomar uma decisão formal sobre ir adiante ou não com o projeto a partir da segunda metade deste ano ou 2027.