Vale (VALE3) tem prejuízo de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre
A Vale (VALE3) registrou prejuízo atribuido aos acionistas de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, número maior do que o de US$ 694 milhões mesmo período de 2024 e revertendo o lucro de US$ 2,7 bilhões do terceiro tri.
O resultado, segundo o documento publicado na noite desta quinta-feira (12), foi impactado principalmente por despesas relacionadas a Brumadinho, ajustes de streaming (contrato na qual se recebe dinheiro antecipado por parte das vendas) e efeitos fiscais, que elevaram as despesas no período.
A receita líquida de vendas somou US$ 11,1 bilhões no 4T25, alta de 9% na comparação anual e avanço de 6% frente ao terceiro trimestre. O Ebitda proforma atingiu US$ 4,8 bilhões, crescimento de 17% em relação ao 4T24 e de 10% na comparação trimestral, refletindo maior contribuição da divisão de metais básicos e preços mais altos do cobre.
Segundo a companhia, ela entregou “um desempenho operacional e de custos consistente em todos os negócios, alcançando ou superando todos os guidances de 2025 e reforçando nossa disciplina na alocação de capital”.
No operacional, a melhora da receita já havia sido sinalizada nas prévias operacionais. A Vale já havia divulgado que a produção de minério de ferro atingiu 90,4 milhões de toneladas no 4T25, alta de 6% na comparação anual, embora com recuo de 4% frente ao trimestre anterior, movimento já antecipado pelo mercado por conta da sazonalidade. As vendas de minério cresceram 5% na base anual, enquanto o preço realizado dos finos ficou em US$ 95,4 por tonelada, alta de 3% ano a ano e de 1% na comparação trimestral.
Nos metais básicos, a prévia também indicou melhora relevante, e o resultado confirmou o movimento. A produção de cobre somou 108 mil toneladas no trimestre, com alta de 6% na base anual, enquanto o preço realizado avançou 20% em relação ao 4T24, para US$ 11.003 por tonelada. No níquel, as vendas cresceram 5% na comparação anual, embora o preço tenha recuado 7% ano a ano, para US$ 15.015 por tonelada.
O resultado negativo do quarto trimestre na última linha, como mencionado, foi fortemente impactado pelas despesas relacionadas a Brumadinho e à descaracterização de barragens, que somaram US$ 246 milhões, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2024.
A linha também foi pressionada por ajustes ligados a transações de streaming e por maior carga tributária no trimestre. “As despesas relacionadas a Brumadinho e à descaracterização continuam refletindo a execução dos compromissos assumidos no acordo de reparação”, informou a companhia no relatório.
No campo tributário, a Vale registrou despesa com imposto de renda e contribuição social de US$ 2,1 bilhões no trimestre, contribuindo para o prejuízo contábil do período. No mesmo período de 2024, esse número tinha sido positivo em US$ 29 milhões.
O resultado financeiro ficou negativo em US$ 1 bilhão, ante perda de US$ 339 milhões no terceiro trimestre. Na comparação anual, houve melhora frente ao prejuízo financeiro de US$ 1,8 bilhão, refletindo menor impacto cambial e redução de despesas com juros no período.
Ao final de dezembro, a dívida líquida da mineradora estava em US$ 11,2 bilhões, queda de 10% em relação ao 3T25, impulsionada pela geração de fluxo de caixa livre. A dívida líquida expandida ficou em US$ 15,6 bilhões.
Em termos de alavancagem, a relação dívida bruta e Ebitda ajustado dos últimos 12 meses foi de 1,2 vez, abaixo das 1,3 vez registradas no trimestre anterior. Já o indicador de cobertura de juros (EBITDA ajustado sobre juros brutos) ficou em 15,7 vezes.
No consolidado de 2025, a Vale registrou receita líquida de US$ 38,4 bilhões, praticamente estável frente a 2024. O Ebitda proforma somou US$ 15,9 bilhões no ano, avanço de 3%, enquanto o Ebitda ajustado ficou em US$ 15,5 bilhões, alta de 4% na comparação anual.
O lucro líquido atribuível aos acionistas totalizou US$ 2,4 bilhões em 2025, queda de 62% em relação a 2024, refletindo efeitos não recorrentes e maior carga tributária ao longo do ano.