Vale (VALE): Desempenho no 4T25 afasta temores sobre execução e ações sobem mais de 2%
A divulgação do relatório de produção e vendas do quarto trimestre de 2025 reforçou a leitura de execução operacional consistente da Vale (VALE3), com números sólidos no minério de ferro e desempenho ainda mais forte nos metais básicos.
Às 12h, os papéis ordinários da companhia subiam 2,24%, a R$ 86,80.
Para analistas, os dados ajudam a reduzir incertezas sobre a capacidade de entrega da companhia e confirmam o cumprimento — e até leve superação — do guidance anual, mesmo em um ambiente ainda marcado por prêmios pressionados.
No minério de ferro, a Vale produziu 90,4 milhões de toneladas no 4T25, alta de 6% na comparação anual, apesar da queda de 4% frente ao terceiro trimestre, explicada pela sazonalidade do período chuvoso.
As vendas totalizaram 84,9 milhões de toneladas, crescimento de 4,5% em relação ao mesmo período de 2024 e leve queda de 1,3% na base trimestra. O preço realizado dos finos ficou em US$ 95,4 por tonelada, com leve avanço tanto na base trimestral quanto anual.
Para o BTG Pactual, o relatório ajuda a encerrar qualquer dúvida remanescente sobre a execução da mineradora. “Os números reforçam que a Vale conseguiu virar a página dos ruídos operacionais observados nos últimos anos. A companhia entregou volumes acima do teto do guidance anual, manteve preços realizados resilientes e mostrou capacidade de atravessar um trimestre sazonalmente mais fraco sem perda relevante de desempenho”, escreveram os analistas liderados por Leonardo Correa.
O BTG também destacou a dinâmica comercial do trimestre, observando que, mesmo com a queda sequencial da produção, os embarques se mantiveram relativamente elevados. “A estabilidade das vendas em um trimestre de menor produção indica maior disciplina logística e comercial, além de uma gestão mais eficiente de estoques ao longo do ano”, avaliou a equipe.
Na leitura da XP Investimentos, o desempenho operacional foi acima do esperado, com destaque para a combinação de minério mais forte na base anual e avanço relevante nos metais básicos.
“O relatório do 4T25 confirma um momento operacional bastante sólido, com produção de minério acima do guidance e uma divisão de metais básicos que segue ganhando peso dentro da companhia, tanto em volume quanto em geração de valor”, afirmou Lucas Laghi, analista responsável pela cobertura.
A XP chama atenção, porém, para o recuo do prêmio all-in ( sobre o preço de referência do minério de ferro), que caiu para US$ 0,9 por tonelada no trimestre.
“A queda do prêmio reflete principalmente a menor contribuição de produtos de maior qualidade, em um ambiente global ainda fraco para prêmios de pelotas e para minérios de baixo teor de alumina, o que limita a captura de valor adicional apesar do bom nível de preços do minério”, explicou a corretora.
Já o Itaú BBA avalia que os números vieram sólidos, embora amplamente em linha com o que o mercado já antecipava. “Do ponto de vista operacional, o trimestre foi consistente. Ao mesmo tempo, o relatório não traz grandes surpresas, o que reforça a leitura de que o foco agora deve se deslocar mais para preços e alocação de capital do que para execução”, escreveu o time, encabeçado por Daniel Sasson.
Nos metais básicos, o tom é mais construtivo. A produção de cobre somou 108,1 mil toneladas no 4T25, alta de 6% na base anual e avanço de 19% frente ao trimestre anterior, enquanto as vendas alcançaram 106,9 mil toneladas.
Para o Itaú BBA, o desempenho do cobre foi um dos principais destaques do período. “Volumes maiores, combinados a preços significativamente mais altos, devem impulsionar de forma relevante os resultados da divisão de cobre, reforçando o papel do metal como principal vetor positivo dentro do portfólio da Vale”, afirmou Sasson.
No níquel, a produção ficou em 46,2 mil toneladas, com vendas de 49,6 mil toneladas, refletindo desestocagem no fim do ano. O preço realizado caiu para US$ 15.015 por tonelada, pressionado pelo excesso de oferta global, especialmente da Indonésia, ponto que segue no radar dos analistas.
O BTG Pactual reiterou recomendação de compra, com preço-alvo de US$ 15 para o ADR. O Itaú BBA segue com recomendação outperform (equivalente à compra), com preço-alvo de US$ 14 para o ADR e R$ 75 por ação na B3. A XP Investimentos tem recomendação neutra, com preço-alvo de US$ 15 para o ADR, ponderando que parte do cenário positivo já está refletida na cotação.