Vale (VALE3) dispara 5% com fluxo estrangeiro
A Vale (VALE3) encerrou esta terça-feira (3) a R$ 88,99, alta de 4,9%, em um movimento que refletiu diretamente em sua sócia Bradespar, que subiu 4,8%. O Ibovespa, que tem cerca de 11% de VALE3 em sua composição, avançou 1,6%. As ações da mineradora também foram as mais negociadas da B3, com aproximadamente 65,9 mil negócios e giro financeiro de R$ 3,1 bilhões.
O desempenho está ligado ao movimento de rotação global, iniciado na segunda quinzena de janeiro, marcado pela saída de dólares dos mercados norte-americanos em direção a emergentes como o Brasil. VALE3 já acumula alta de 23% só em 2026 e de 84% em 12 meses.
A escalada das tensões geopolíticas envolvendo o presidente Donald Trump, com episódios na Venezuela, Groenlândia e Irã, foi o gatilho para essa realocação de recursos, segundo analistas.
“Diante de crescentes incertezas geopolíticas envolvendo algumas das principais potências mundiais, os investidores seguem reduzindo a exposição em ativos norte-americanos, em busca de maior diversificação geográfica”, afirmaram recentemente os estrategistas do Itaú BBA, Victor Natal e Mathias Venosa.
A B3 registrou fluxo recorde de investimentos estrangeiros neste início de ano, com R$ 26,3 bilhões injetados apenas em janeiro, o melhor resultado desde o início de 2022.
A alta da Vale acontece mesmo após a queda dos futuros do minério de ferro nesta terça-feira: o contrato de minério de ferro mais negociado para maio na bolsa de Dalian recuou 1,14%, a 777,5 iuanes (US$112,06) por tonelada.
O que ainda esperar da Vale
Mais cedo, o Itáu BBA elevou o preço-alvo para o fim de 2026 de US$ 14 para US$ 19 por ADR, o que implica um potencial de valorização de quase 18% frente aos níveis atuais.
Na leitura dos analistas, a tese da mineradora segue sustentada por três vetores principais: melhora operacional, preços mais altos dos metais básicos e um pano de fundo macro que favorece ativos reais e mercados emergentes.
“A Vale continua bem posicionada para se beneficiar da busca global por ativos reais, em um ambiente de desvalorização das moedas e maior apetite por commodities metálicas”, afirmam os analistas do Itaú BBA, em relatório divulgado nesta terça-feira (3).