Vale (VALE3): Analistas avaliam impacto dos vazamentos de água em Minas Gerais; o que fazer com as ações?
Desde domingo (25), a Vale (VALE3) está nos holofotes devido à extravasamentos de água na região de Minas Gerais. A prefeitura de Congonhas (MG) chegou a determinar a suspensão dos alvarás de funcionamento ligados às operações das unidades de Fábrica e Viga, após novos episódios relacionados à gestão hídrica na região. A administração municipal também exigiu a adoção de medidas emergenciais de controle, monitoramento e mitigação ambiental.
Os episódios ocorreram em meio a um período de chuvas intensas na região central de Minas. No domingo houve um extravasamento na mina de Fábrica, localizada na divisa entre Ouro Preto (MG) e Congonhas (MG), sendo que a água com sedimentos avançou sobre a Unidade Pires, da CSN Mineração.
Segundo a Vale, o vazamento foi contido sem registro de feridos ou impacto direto a comunidades. A mineradora pontuou que o evento ocorreu a partir de cavas, e não de barragens, e que o material envolvido era areia, e não rejeitos (ou seja, não tóxico).
O Citi destaca que os ativos de Fábrica e Viga produzem, em conjunto, cerca de 8 milhões de toneladas por ano (Mtpa) de minério de ferro (aproximadamente 4 Mtpa cada), equivalente a cerca de 3% da produção total da Vale e 0,5% do mercado marítimo global.
A duração da suspensão permanece incerta, e a paralisação durante todo o primeiro trimestre representaria cerca de 1,5 milhão de toneladas de produção perdida, considerando a sazonalidade, calcula o Citi.
A Vale mantém as projeções para o ano de 2026 inalteradas até então.
Apesar de ter recuado 2,5% na segunda-feira (26) com as preocupações sobre segurança no radar, nesta terça (27), as ações VALE3 operam em alta. Por volta de 11h45 (horário de Brasília), os papéis da mineradora subiam 1,72%, a R$ 84,50. Acompanhe o tempo real.
Ações da Vale pressionadas?
Os analistas do Citi ponderam que a mineradora provavelmente enfrentará custos de limpeza e eventuais penalidades econômicas, mas pouco relevantes.
“Não nos surpreende que as autoridades tenham agido com elevado grau de cautela, dado o histórico da Vale na região. Na nossa visão, os incidentes são lamentáveis — é crítico para a operação da Vale controlar o fluxo de água durante a estação chuvosa no Brasil”, dizem os analistas do banco.
Vale pontuar que os episódios ocorreram no mesmo fim de semana em que Minas Gerais marcou os sete anos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, tragédia que deixou 270 mortos.
Para o Citi, os investidores e a administração deveriam questionar o que deu errado e quais medidas serão adotadas para garantir que não haja recorrência. Apesar disso, os analistas não consideram o episódio como materialmente negativo para as ações da Vale.
O Itaú BBA, por outro lado, vê o fluxo de notícias negativas e o aumento da fiscalização da gestão de água como um potencial desafio ao desempenho das ações nos próximos dias.
“Embora reconheçamos que esses eventos podem impactar o desempenho das ações da Vale no curto prazo, isso se deve principalmente ao escrutínio regulatório e ao risco de manchetes negativas, e não a uma reavaliação do risco operacional estrutural”, dizem os analisas.
Tanto o Citi quanto o BBA têm recomendação de compra para a Vale e não mexeram na indicação.
Impacto financeiro
Para o BBA ainda é cedo para quantificar o impacto financeiro, principalmente devido à incerteza sobre a rapidez com que a Vale poderá cumprir as exigências municipais e retomar as operações.
“É importante ressaltar que a natureza do incidente difere significativamente de rompimentos anteriores de barragens de rejeitos. Não houve rompimento da barragem, vazamento de rejeitos ou relatos de feridos, uma caracterização reforçada pela Agência Nacional de Mineração”, ponderam os analistas.
Consequentemente, os analistas acreditam que o perfil de responsabilidade potencial seja significativamente menor do que o de Mariana/Brumadinho e qualquer impacto a curto prazo provavelmente se concentrará mais na limpeza, no monitoramento, nas avaliações técnicas e nos custos incrementais relacionados à conformidade, do que em grandes indenizações.