Vale (VALE3) tem mais valor a destravar, diz Itaú BBA; entenda
O Itaú BBA afirmou que ainda vê valor adicional a ser destravado nas ações da Vale (VALE3), após reunião com executivos da mineradora. Em relatório desta terça-feira (10), o banco destacou perspectivas positivas para o minério de ferro, o crescimento da divisão de metais básicos e uma estratégia disciplinada de alocação de capital.
A instituição tem um preço-alvo de US$ 19,50 para as ADRs, o que representa um potencial de alta de 27%, com recomendação outperform — equivalente a compra. Por volta das 16h, as ações da companhia na B3 subiam 1,8%, a R$ 80,65, impulsionadas pelo fluxo estrangeiro e após perdas em pregões recentes.
Segundo o Itaú BBA, durante uma mesa-redonda com o CEO Gustavo Pimenta e o diretor de relações com investidores Thiago Lofiego, a companhia falou das alternativas para continuar destravando valor para os acionistas, além de temas como um possível IPO da divisão de metais básicos e decisões de capital.
O banco destacou que a Vale Base Metals (VBM) está bem posicionada para capturar valor com uma base operacional competitiva e crescimento orgânico. No entanto, ressaltou que um eventual IPO da divisão não é um objetivo em si, já que a mineradora não espera uma reprecificação relevante apenas com esse movimento.
Ainda assim, a empresa pretende manter a divisão de metais básicos “pronta para IPO”, caso surja uma oportunidade favorável, segundo o banco.
O Itaú BBA também afirmou que o crescimento da VBM deve ser majoritariamente financiado com recursos próprios, com investimentos estimados em US$ 5 bilhões até 2035, sendo cerca de US$ 3 bilhões até 2030.
Vale vê espaço para aumento de produção, diz BBA
De acordo com o BBA, a Vale vê espaço para elevar a produção de cobre de cerca de 380 mil toneladas por ano atualmente para 700 mil toneladas até 2035. Já o negócio de níquel apresenta dinâmica mais desafiadora, e a companhia continua avaliando alternativas estratégicas.
Em relação ao minério de ferro, o banco disse manter uma visão construtiva para o curto e o longo prazo. A produção global de aço segue resiliente mesmo com a desaceleração da China, enquanto a queda no teor de alguns contratos favorece produtos de maior qualidade, como os da Vale, destacou.
Para o longo prazo, o Itaú BBA destaca o aumento da demanda por minério transportado por via marítima em regiões como a Índia, onde a Vale deve vender cerca de 10 milhões de toneladas em 2025, além da redução estrutural da indústria, estimada em cerca de 3% ao ano, que tende a favorecer produtores mais competitivos.
Frete e impacto da guerra
O BBA também apontou que a mineradora ampliou sua exposição de longo prazo ao frete, aumentando o volume de contratos de transporte além do nível histórico de cerca de 80% das necessidades logísticas.
A companhia, disseram os analistas, citou um impacto negativo estimado de US$ 2 a US$ 2,5 por tonelada decorrente da alta de cerca de US$ 20 por barril no Brent em meio ao conflito no Oriente Médio – foi mais do que compensado por uma elevação de aproximadamente US$ 5 por tonelada no preço do minério de ferro desde o início das tensões.
O Itaú BBA destacou também que a estratégia de alocação de capital da Vale segue focada em crescimento orgânico e projetos de alto retorno, enquanto fusões e aquisições só devem ocorrer se forem estrategicamente sólidas e geradoras de valor.
O banco ainda citou que os trabalhos de recuperação nas operações de Fábrica e Viga estão praticamente concluídos e que o impacto nos volumes de produção de 2026 deve ser limitado.