Vale (VALE3) não é mais ‘compra’, diz BofA, apesar de elevar preço-alvo
O Bank of America (BofA) rebaixou a recomendação da Vale (VALE3) de compra para neutra após alta de 94% desde abril de 2025. Para o banco, o rali levou as ações além do que os fundamentos do minério de ferro justificam.
Enquanto os ADRs da companhia acumulam ganho de 35% no ano, o minério de ferro recua 7%, negociado perto de US$ 99 por tonelada. Às 17h35 desta quinta-feira (26), VALE3 caía 1%, a R$ 89,10, após chegar a recuar mais de 3% na mínima do dia.
O rebaixamento não reflete piora operacional, mas menor espaço para valorização após a forte alta.
O banco avalia que o mercado de minério pode enfrentar um cenário menos favorável nos próximos trimestres, com aumento da oferta global — impulsionado pelo projeto Simandou — e estoques elevados na China. A equipe do BofA no país projeta queda de 2% a 3% na produção e na demanda por aço em 2026.
Mesmo com o cenário externo mais desafiador, os analistas Caio Ribeiro, Guilherme Rosito e Mariana Leite reconhecem que a Vale mantém disciplina de custos e forte execução operacional, fatores vistos como importantes motores de geração de valor.
O ponto de atenção, porém, permanece: cerca de 82% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia ainda depende do minério de ferro — concentração que, na visão do banco, exige cautela dos investidores.
Preço-alvo da Vale sobe, mas recomendação cai
Junto com o rebaixamento, o BofA elevou o preço-alvo do ADR da Vale de US$ 17 para US$ 18 e o da ação negociada no Brasil de R$ 89 para R$ 95, o que implica potenciais de valorização de 6% e 8%, respectivamente, em relação ao último fechamento.
Para 2026, o banco agora projeta receita de US$ 41,17 bilhões, Ebitda de US$ 17,82 bilhões e lucro líquido de US$ 7,35 bilhões — este último revisado para baixo em 11,4%.
*Com informações do Estadão Conteúdo