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Vale (VALE3) vê metais básicos no “centro do crescimento da companhia”

13 fev 2026, 12:44 - atualizado em 13 fev 2026, 12:48

Depois de entregar um trimestre com forte geração de caixa e surpresa positiva em metais básicos, a Vale (VALE3) usou a teleconferência com analistas para deixar um recado claro ao mercado: a frente de metais básicos está no centro da estratégia de crescimento da companhia, com destaque para o cobre e com o níquel atingindo um equilíbrio estrutural em breve, mesmo com preços mais baixos.

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“Os metais básicos estão no centro da nossa ambição de crescimento e criação de valor”, afirmou Gustavo Pimenta, CEO da Vale, durante a teleconferência. “Estamos extremamente confiantes de que conseguiremos destravar ainda mais valor ao executar nossa estratégia de longo prazo”.

No quarto trimestre de 2025, o Ebitda consolidado da mineradora somou US$ 4,8 bilhões, alta de 17% na comparação anual. A divisão de metais básicos, por sua vez, teve seu Ebitda mais que dobrando, para US$ 1,4 bilhão.

O cobre registrou custo all-in negativo, em torno de US$ -900 por tonelada, enquanto o níquel caiu para US$ 9 mil por tonelada. Parte do desempenho veio de créditos de subprodutos, especialmente ouro, mas a administração afirmou que a melhora é estrutural.

De forma geral, a receita com ouro e outros metais foi tão elevada que superou o custo total da operação — por isso o número ficou negativo. Já no níquel, os subprodutos também ajudaram a reduzir a conta, mas não a ponto de zerá-la.

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“Nós precisamos estar na metade inferior da curva de custo e não depender apenas de créditos de subprodutos — e ainda não estamos lá”, disse Shaun Usmar, CEO da Vale Base Metals. “Assumimos o compromisso de chegar ao break-even de caixa mesmo em um ambiente de preços mais baixos até o fim de 2026, e há uma série de iniciativas em andamento para isso”, completou.

A gestão destacou ganhos de produtividade, o ramp-up de ativos no Canadá, diluição de custos fixos e maior confiabilidade operacional. “É a primeira vez desde que adquirimos o negócio que conseguimos entregar o orçamento no níquel”, afirmou Usmar, ressaltando que a prioridade é “controlar o que está sob nosso alcance”.

Além do desempenho no trimestre, a Vale reforçou a ambição de dobrar a produção de cobre ao longo do ciclo. Hoje, a companhia produz cerca de 380 mil toneladas anuais.

“Estamos extremamente confiantes de que conseguiremos destravar ainda mais valor ao executar nossa estratégia de longo prazo”, disse Gustavo Pimenta.

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Ele citou o projeto Bacaba, que já recebeu licença de instalação e deve iniciar operação no primeiro semestre de 2028, além de outros projetos brownfield com menor intensidade de capital.

Questionado sobre a possibilidade de um IPO da Vale Base Metals (VBM), Pimenta indicou que a prioridade, neste momento, é execução operacional e avanço dos projetos. “Nosso foco agora é continuar entregando resultados, operar bem os ativos e acelerar o programa de crescimento. Eventuais transações de mercado de capitais serão avaliadas no momento adequado”, disse.

A administração reforçou que o mercado começa a reconhecer o valor do negócio de metais básicos, mas que ainda há espaço para reprecificação à medida que a companhia comprovar crescimento consistente em cobre. “Se, em algum momento, decidirmos fazer uma transação, vamos avaliar qual é a melhor forma de financiar o crescimento, mas hoje o foco é execução”, acrescentou o CEO.

Vale vê queda de prêmios no minério como pontual

No minério de ferro, analistas questionaram a queda no preço realizado no quarto trimestre. A Vale afirmou que o movimento não reflete deterioração estrutural.

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Segundo a companhia, houve redução nos prêmios do IOCJ (Finos de Minério de Ferro de Carajás), de cerca de US$ 3,5 por tonelada, e do BRBF (blend de finos brasileiros), próxima de US$ 0,50 por tonelada, além de ajustes no mix com maior presença de produtos mid-grade.

“Não estamos tentando maximizar o preço realizado isoladamente. Nosso foco é otimizar a margem de contribuição ao longo de toda a cadeia”, disse Rogério Nogueira, executivo da área comercial.

Ele reforçou que os prêmios dos principais produtos seguem resilientes. “O IOCJ sustentou prêmios em torno de US$ 13 por tonelada, e o BRBF, cerca de US$ 2 por tonelada, mesmo com margens pressionadas nas siderúrgicas.”

Sobre o cenário de mercado, a empresa afirmou ver fundamentos estáveis para 2026.

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“Esperamos que a produção de aço na China permaneça em níveis semelhantes aos do ano passado e que as importações de minério fiquem amplamente estáveis”, afirmou Nogueira. A companhia também minimizou a preocupação com estoques elevados nos portos chineses, dizendo que, consolidados com estoques das usinas, permanecem dentro da faixa histórica.

Capital disciplinado e espaço para dividendos

No encerramento, a Vale reforçou a disciplina financeira. A dívida líquida expandida fechou o período em US$ 15,6 bilhões, dentro da faixa-alvo de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões.

“O ponto médio da faixa continua sendo nossa referência para remuneração adicional ao acionista”, disse Marcelo Bacci, CFO da companhia.

O capex de 2025 somou US$ 5,5 bilhões, e a orientação para 2026 ficou entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões. A empresa também anunciou US$ 2,8 bilhões em dividendos e juros sobre capital.

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“Se caminharmos para a parte inferior da nossa faixa de dívida, certamente consideraremos retornos adicionais, seja via dividendos ou recompra”, afirmou Bacci.

No fim da teleconferência, a mensagem foi direta: enquanto o minério segue gerando caixa, são os metais básicos — especialmente o cobre — que começam a redesenhar o perfil de crescimento da Vale.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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