Vale (VALE3): Sem dividendos extraordinários no radar ou animação com minério de ferro, Safra rebaixa ação
O Safra elevou o preço-alvo para as ações da Vale (VALE3) de R$ 71 para R$ 86 ao final de 2026, o que implica em um potencial de alta de 13% ante o último fechamento. No entanto, a recomendação sofreu rebaixamento de compra para neutra.
O banco tinha classificação overweight (equivalente à compra) para a mineradora desde fevereiro de 2025, mas após uma valorização de cerca de 52% no ano passado, os analistas veem a ação já refletindo grande parte do seu valor.
“As ações de mineração tiveram bom desempenho em 2025, mas a Vale superou seus pares e os preços das commodities, o que sugere potencial de desempenho inferior caso os preços cedam a partir dos atuais níveis sem precedentes”, diz Ricardo Monegaglia em relatório.
Somado a isso, o Safra conta com mais otimismo em relação aos metais do que ao minério de ferro — o que favorece os pares da Vale — e não espera que a mineradora anuncie novos dividendos extraordinários antes de meados de 2027, caso não haja alterações nas metas de expansão da dívida líquida.
Apesar dos fundamentos sólidos da Vale, o cenário macroeconômico e a perspectiva sobre os dividendos no curto prazo limitam o potencial de ganhos da companhia no momento.
Nesta sexta-feira (9), as ações VALE3 operam entre as maiores baixas do Ibovespa (IBOV). Por volta de 11h20
(horário de Brasília), as ações caíam 1,19%, cotadas a R$ 74,68.
No radar, também está a o anúncio da Glencore sobre negociações iniciais para ser adquirida pela Rio Tinto, em uma combinação que potencialmente criaria a maior empresa de mineração do mundo, superando a BHP e a Vale. Leia mais aqui.
Minério de ferro
Na visão do Safra, falta sustentação fundamental no rali do minério de ferro e a expectativa do banco é de que os preços caiam de US$ 111 por tonelada para US$ 94 por tonelada até o final de 2026, mesmo que ocorram ganhos adicionais antes de uma tendência de queda.
Os analistas destacam as margens negativas das siderúrgicas chinesas e veem pouco espaço para melhora, a menos que os esforços contra a ‘involução’ se acelerem.
“Esperamos queda na demanda por aço, decorrente do agravamento da atividade imobiliária e da redução das exportações chinesas, além de atrasos causados por exigências de licenciamento de exportação em 2026, o que deve pressionar ainda mais o equilíbrio entre oferta e demanda locais”, diz o Safra.