Valor do ouro dispara e ultrapassa US$ 5.200 após Trump dizer estar contente com queda do dólar
O ouro rompeu pela primeira vez o patamar de US$ 5.200 nesta quarta-feira (28) e ficou pouco abaixo de US$ 5.300, enquanto o dólar despencava para uma mínima de quase quatro anos em meio à persistência de preocupações geopolíticas, antes de uma decisão de política monetária do Federal Reserve dos Estados Unidos.
O ouro à vista subia 1,8%, para US$ 5.279,94 por onça, às 07h33 GMT, depois de atingir mais cedo uma máxima recorde de US$ 5.285,35. O metal acumula alta de mais de 20% desde o início do ano.
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Os contratos futuros de ouro dos EUA para entrega em fevereiro dispararam 3,8%, para US$ 5.274,80 por onça.
“(A alta do ouro) se deve à correlação indireta muito forte com o dólar e… ao comentário de Trump em resposta a uma pergunta casual sobre o dólar, que sugeriu (que há) um consenso amplo dentro da Casa Branca para ter uma moeda americana mais fraca daqui para frente”, disse Kelvin Wong, analista sênior de mercado da OANDA.
O dólar americano enfrentava uma “crise de confiança” ao se manter próximo das mínimas de quatro anos, intensificando as vendas da moeda, depois que o presidente Donald Trump afirmou que o valor do dólar é “ótimo” ao ser questionado se ele havia caído demais.
A confiança do consumidor nos Estados Unidos, por sua vez, caiu em janeiro para o nível mais baixo em mais de 11 anos e meio, em meio à crescente ansiedade com um mercado de trabalho fraco e preços elevados.
Trump acrescentou que em breve anunciará sua escolha para comandar o Fed e previu que as taxas de juros cairão quando o novo presidente assumir.
“Dada a tensão entre os mandatos do Fed e a Casa Branca, acho que os mercados estão simplesmente ficando defensivos antes das (declarações do presidente do Fed, Jerome Powell, mais tarde hoje)”, disse Ilya Spivak, chefe de macro global da Tastylive.
A expectativa predominante é de que o Fed mantenha as taxas inalteradas na reunião de política monetária de janeiro, atualmente em andamento.
Wong acrescentou que a resistência de curto prazo para o ouro pode ser observada em torno de US$ 5.240 por onça. O Deutsche Bank afirmou nesta terça-feira (27) que o ouro pode subir para US$ 6.000 por onça em 2026, citando a persistente demanda por investimentos à medida que bancos centrais e investidores aumentam a alocação em ativos não dolarizados e tangíveis.
A prata à vista subia 0,9%, para US$ 114,01 por onça, depois de atingir uma máxima recorde de US$ 117,69 na segunda-feira. O metal branco já avançou quase 60% neste ano.
A platina à vista ganha 1,7%, para US$ 2.686,50 por onça, após alcançar um recorde de US$ 2.918,80 na segunda-feira, enquanto o paládio sobe 1,3%, para US$ 1.959,43.