Vem corte de juros por aí: Veja as projeções para a Selic após o Copom confirmar afrouxamento monetário
O Banco Central está alinhado com as expectativas do mercado: o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic estável em 15% ao ano, mas já sinalizou um possível corte nos juros a partir da reunião de março.
Em comunicado, a autoridade monetária destacou que avalia que a política adotada pelo BC tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta de 3% — por mais que as expectativas ainda estejam desancoradas.
“Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião”, afirma o documento.
No entanto, fica uma ressalva: o Copom reforçou que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. “O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo”, completa.
Para Étore Sanches, economista-chefe da Ativa Investimentos, o corte foi tratado com muita cautela, sendo que os termos “calibragem” e “serenidade” sugerem que o ciclo de cortes começará com um ajuste mais ameno, de 0,25 ponto percentual.
“Revisamos nossa perspectiva que tinha primeiro afrouxamento de 50 bps em abril e adicionamos -25bps em março, o que fará com que 2026 termine o ano com Selic a 11,50%”, afirma.
Bruno Shahini, por sua vez, destaca que o mercado de DI antecipou a leitura do Banco Central no processo desinflacionário, com a queda dos juros futuros na sessão desta quarta-feira (28) e a curva passando a precificar probabilidade majoritária de um corte de 0,50 pp no próximo encontro do Copom.
O co-head de Investimentos da Arton Advisors, Raphael Vieira, ressalta que, apesar de reconhecer a desaceleração da atividade e o arrefecimento gradual da inflação, a autarquia segue incomodada com a desancoragem das expectativas e com a resiliência da inflação de serviços, especialmente em um mercado de trabalho ainda apertado.
“Na prática, o Copom tenta equilibrar duas forças: de um lado, há espaço técnico para começar a cortar juros; de outro, falta confiança para acelerar esse movimento sem comprometer a credibilidade do regime de metas”, afirma. “O recado central é que o ciclo de queda tende a ser gradual, condicionado e altamente dependente dos dados. Não há espaço para cortes agressivos, tampouco para repetir ciclos de afrouxamento prematuros do passado”, completa.
Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, avalia que a decisão e o tom do comunicado foram bastante apropriados. “Mantemos a expectativa de corte de 0,50 pp na reunião de março e de Selic em 11,50% ao ano no final de 2026”.
Já Caio Megale, economista-chefe da XP, afirma que iniciar cortes de juros em março é compatível com o cumprimento da meta de inflação no horizonte relevante. A casa projeta cinco cortes consecutivos de 0,50 pp, levando a Selic a 12,50%.
“Em termos reais, a taxa básica ficaria em torno de 8%, ainda acima do que consideramos a taxa neutra, refletindo os desafios fiscais esperados para o próximo mandato presidencial”, destaca.