Economia

Vem corte de juros por aí: Veja as projeções para a Selic após o Copom confirmar afrouxamento monetário

28 jan 2026, 19:16 - atualizado em 28 jan 2026, 19:20
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Copom mantém Selic em 15% e sinaliza início gradual de cortes em março; mercado reage à perspectiva de flexibilização cautelosa da política monetária. (Imagem: Shutterstock)

O Banco Central está alinhado com as expectativas do mercado: o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic estável em 15% ao ano, mas já sinalizou um possível corte nos juros a partir da reunião de março.

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Em comunicado, a autoridade monetária destacou que avalia que a política adotada pelo BC tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta de 3% — por mais que as expectativas ainda estejam desancoradas.

“Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião”, afirma o documento.

No entanto, fica uma ressalva: o Copom reforçou que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. “O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo”, completa.

Para Étore Sanches, economista-chefe da Ativa Investimentos, o corte foi tratado com muita cautela, sendo que os termos “calibragem” e “serenidade” sugerem que o ciclo de cortes começará com um ajuste mais ameno, de 0,25 ponto percentual.

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“Revisamos nossa perspectiva que tinha primeiro afrouxamento de 50 bps em abril e adicionamos -25bps em março, o que fará com que 2026 termine o ano com Selic a 11,50%”, afirma.

Bruno Shahini, por sua vez, destaca que o mercado de DI antecipou a leitura do Banco Central no processo desinflacionário, com a queda dos juros futuros na sessão desta quarta-feira (28) e a curva passando a precificar probabilidade majoritária de um corte de 0,50 pp no próximo encontro do Copom.

O co-head de Investimentos da Arton Advisors, Raphael Vieira, ressalta que, apesar de reconhecer a desaceleração da atividade e o arrefecimento gradual da inflação, a autarquia segue incomodada com a desancoragem das expectativas e com a resiliência da inflação de serviços, especialmente em um mercado de trabalho ainda apertado.

“Na prática, o Copom tenta equilibrar duas forças: de um lado, há espaço técnico para começar a cortar juros; de outro, falta confiança para acelerar esse movimento sem comprometer a credibilidade do regime de metas”, afirma. “O recado central é que o ciclo de queda tende a ser gradual, condicionado e altamente dependente dos dados. Não há espaço para cortes agressivos, tampouco para repetir ciclos de afrouxamento prematuros do passado”, completa.

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Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, avalia que a decisão e o tom do comunicado foram bastante apropriados. “Mantemos a expectativa de corte de 0,50 pp na reunião de março e de Selic em 11,50% ao ano no final de 2026”.

Já Caio Megale, economista-chefe da XP, afirma que iniciar cortes de juros em março é compatível com o cumprimento da meta de inflação no horizonte relevante. A casa projeta cinco cortes consecutivos de 0,50 pp, levando a Selic a 12,50%.

“Em termos reais, a taxa básica ficaria em torno de 8%, ainda acima do que consideramos a taxa neutra, refletindo os desafios fiscais esperados para o próximo mandato presidencial”, destaca.

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Coordenadora de redação
Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como coordenadora de redação no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
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