Cotações por TradingView
Cotações por TradingView

Venda de cimento despenca em março e indústria cancela projeções

07/04/2020 - 18:53
Cimento
Em termos gerais, as vendas de cimento em março no Brasil ficaram estáveis sobre mesmo período de 2019, a 4,05 milhões de toneladas (Imagem: REUTERS/Daniel Becerril)

Os fabricantes de cimento no país cancelaram nesta terça-feira a projeção para crescimento de vendas neste ano, devido ao impacto pela epidemia de coronavírus que fechou comércio e tem retardado o andamento de obras, segundo entidade que representa o setor.

As vendas de cimento por dia útil em março caíram 10,4% na comparação com mesmo mês de 2019 e recuaram 15% sobre fevereiro, afirmou o Snic, sindicato que reúne fabricantes do insumo no país. No trimestre, as vendas por dia útil caíram 1,8%, tendência que deve se prolongar nos próximos meses.

“A gente estava em um filme de humor e de repente ele virou um filme de terror tenebroso”, disse o presidente do Snic, Paulo Camillo Penna, citando projeção do início do ano de alta de 3% das vendas de cimento em 2020, após alta de 3,5% em 2019.

Em termos gerais, as vendas de cimento em março no Brasil ficaram estáveis sobre mesmo período de 2019, a 4,05 milhões de toneladas.

Com exceção do Sudeste, com alta de 4,6%, todas as demais regiões tiveram quedas de vendas em março.

O Snic afirmou que o mercado vinha se desenvolvendo com perspectiva “bastante otimista” para março antes das decretações de restrições à movimentação de pessoas e outras medidas de quarentena para tentar conter a Covid-19.

No trimestre, as vendas de cimento no Brasil caíram 0,3% sobre os três primeiros meses do ano passado.

Segundo o presidente do Snic, os efeitos das medidas de oferta de crédito tomadas pelo Ministério da Economia ainda não chegaram na ponta.

Ele criticou o posicionamento de bancos comerciais que estariam exigindo juros elevados e garantias descabidas para repassarem crédito a empresas em dificuldades.

“O momento é complexo, eles têm que contribuir para haver atividade retornando. As exigências foram feitas a empresas com histórico de crédito importante”, disse Penna, sem identificar as empresas ou instituições financeiras.

“O governo disponibilizou 5 bilhões de reais em crédito para micro e pequenas empresas, mas isso não está chegando porque os bancos privados estão colocando níveis inaceitáveis de juros e fazendo exigências para setores que passam por enormes dificuldades”, disse Penna, citando taxas de 8% ao mês.

Diante da perspectiva de quedas mais fortes nas vendas de cimento nos próximos meses, o Snic tem recomendado aos fabricantes para anteciparem manutenções em fábricas, o que poderia permitir uma retomada mais acelerada do setor após a crise e ajudar na manutenção de empregos.

Mansueto Almeida
O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, disse nesta terça-feira que o setor público consolidado brasileiro caminha para registrar déficit primário de até 500 bilhões de reais em 2020 (Imagem: Reuters/Adriano Machado)

Ele comparou a situação atual com a greve dos caminhoneiros em 2018, quando o setor perdeu vendas de 900 mil toneladas de cimento nos cerca de 10 dias de paralisação dos motoristas.

“Agora, achamos que perdemos 717 mil toneladas no trimestre, cerca de 1,3% do consumo. Mas a greve dos caminhoneiros durou 10 dias e agora seguimos abertos para novas perdas pois não é possível estimar quando a crise vai ser controlada.”

Segundo Penna, o setor, que em 2019 teve uma pausa em quatro anos seguidos de queda de vendas, opera atualmente com nível de ociosidade de mais de 60%. Ele afirmou que 90% do consumo de cimento no país no ano passado foi de edificações.

De acordo com o executivo, há grande preocupação sobre as perspectivas da indústria de construção diante do receio de recessão devido aos efeitos da Covid-19.

“Naquele momento, (em 2018) o setor público estava com déficit de mais de 100 bilhões de reais e conseguiu mover só 10% (do consumo de cimento em 2019) para infraestrutura. Imagine agora, com a projeção de déficit em mais de 400 bilhões”, disse Penna. “Tivemos que colocar grande parte de nossos ovos na cesta da construção residencial”, afirmou.

O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, disse nesta terça-feira que o setor público consolidado brasileiro caminha para registrar déficit primário de até 500 bilhões de reais em 2020 por causa do impacto da crise.

Quer ficar por dentro de tudo que acontece no mercado financeiro?

Receba de segunda a sexta as principais notícias e análises. É grátis!

Última atualização por Renan Dantas - 07/04/2020 - 18:54