Venezuela: Ouro e prata avançam após ação dos EUA e prisão de Maduro
A tensão geopolítica na América Latina elevou os preços dos metais preciosos nesta segunda-feira (5), à medida que investidores aumentaram a busca por ativos considerados seguros em momentos de incerteza no mercado.
Por volta das 9h (horário de Brasília), o ouro era negociado aos US$ 4.428,75 por onça-troy com alta de 2,29%, enquanto a prata registrava valorização de 5,06%, com cotação de US$ 74,62 por onça-troy.
A busca por proteção após os Estados Unidos conduzirem uma operação militar contra o regime de Nicolás Maduro, na Venezuela, no sábado (3). A ação incluiu ataques ao sistema de defesa aérea do país e culminou na prisão do presidente venezuelano.
Em pronunciamento, o presidente Donald Trump afirmou que os EUA assumiriam, de forma temporária, a administração da Venezuela até a definição de uma transição política. Ele também reforçou declarações sobre a exploração e a comercialização do petróleo venezuelano.
Apesar das críticas, que apontam violação da soberania do país, analistas têm relativizado os efeitos econômicos de longo prazo da operação. Atualmente, a Venezuela produz menos de 1 milhão de barris de petróleo por dia — volume inferior a 1% da produção global —, o que tende a limitar impactos imediatos sobre os mercados de energia.
Por outro lado, o país concentra as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris, o equivalente à cerca de 17% do total global, segundo dados dos EUA.
Alta do ouro e prata
O ouro e a prata já vinham de um pregão positivo nas primeiras negociações de 2026. , dando sequência a um rali que marcou o melhor desempenho anual dos metais preciosos em mais de quatro décadas. Logo na abertura do ano, o ouro voltou a se aproximar de níveis recordes, enquanto a prata avançou com força, refletindo expectativas favoráveis para o cenário macroeconômico global.
A avaliação entre investidores é de que os metais podem continuar se beneficiando ao longo de 2026, diante da perspectiva de novos cortes de juros nos Estados Unidos e de um dólar mais fraco. No curto prazo, porém, analistas alertam para possíveis ajustes técnicos, já que rebalanceamentos de índices podem levar fundos a reduzir posições para adequar seus portfólios.
O desempenho expressivo consolida um ciclo de forte valorização iniciado no ano passado. Em 2025, os metais preciosos acumularam ganhos robustos, apesar da volatilidade registrada no fim de dezembro, quando parte do mercado realizou lucros após a escalada dos preços e indicadores passaram a sinalizar condições de sobrecompra.
A busca por proteção também ganhou força em meio a tensões geopolíticas persistentes e a disputas comerciais lideradas pelos Estados Unidos. Com isso, o ouro acumulou ganhos de 64% no ano.
A prata, por sua vez, teve desempenho ainda melhor em 2025, superando o ouro e alcançando patamares que até pouco tempo atrás pareciam improváveis. Além de se beneficiar do mesmo pano de fundo macroeconômico, o metal também reagiu a preocupações recorrentes sobre a possibilidade de tarifas de importação nos EUA, o que poderia afetar a oferta global de prata refinada. A prata terminou 2025 com uma alta de 143%.