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Venezuela tem impacto limitado sobre petróleo no curto prazo e guerras seguem no radar; o que esperar das ações do setor em 2026?

16 jan 2026, 7:31 - atualizado em 15 jan 2026, 18:55
Queda do petróleo assusta Petrobras (PETR4)
Queda do petróleo assusta Petrobras (PETR4) - (Imagem: REUTERS/Sergio Moraes)

A intervenção norte-americana sobre a Venezuela deve ter impacto limitado sobre o equilíbrio global de oferta de petróleo no curto prazo e não altera de forma relevante as perspectivas para o setor em 2026, disseram analistas.

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Segundo eles, qualquer aumento relevante de produção capaz de influenciar os preços levaria anos para se materializar. “No curto prazo, pouca coisa muda. Um acréscimo realmente relevante só deveria acontecer em alguns anos, provavelmente em mais de três”, afirma Ruy Hungria, analista da Empiricus Research.

Hungria destaca que um retorno da produção venezuelana para níveis acima de 3 milhões de barris por dia demoraria mais de uma década e exigiria investimentos da ordem de dezenas de bilhões de dólares. “Não é trivial assumir esse nível de investimento em um país onde aportes de longo prazo são arriscados, ainda mais em um momento de preços mais baixos do petróleo”, pondera.

O CEO da Exxon, Darren Woods, chegou a dizer ao presidente dos EUA, Donald Trump, que a Venezuela precisaria promover mudanças em sua legislação para se tornar um destino atrativo para investimentos, segundo a Reuters. A declaração foi feita durante um encontro na semana passada que reuniu ao menos outros 17 executivos do setor de petróleo.

Durante a reunião, Trump solicitou que o grupo destinasse US$ 100 bilhões para a recuperação da indústria petrolífera venezuelana, ainda de acordo com a agência. O encontro ocorreu menos de uma semana depois de forças dos Estados Unidos capturarem e retirarem do poder o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

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Para analistas, o episódio adicionou um vetor de pressão negativa aos preços na comparação com o cenário observado no fim do ano passado, ao elevar — ainda que marginalmente — as chances de aumento de oferta no futuro.

O que mais importa para o petróleo em 2026

A instabilidade iraniana segue como um fator de atenção ao longo de 2026, na avaliação de parte dos analistas, com um risco de interrupção capaz de fazer os preços subirem um pouco.

O Irã acusa Trump de estimular a desestabilização política interna, incitar a violência e ameaçar a soberania, a integridade territorial e a segurança nacional do país, em um momento que ao país passa por uma onda de protestos contra o governo.

Além de ser o sétimo maior produtor de petróleo do mundo, o Irã controla o Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente.

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Para João Daronco, da Suno Research, no entanto, esse seria um risco já “precificado” pelo mercado. “A guerra entre Ucrânia e Rússia é muito mais relevante”, disse.

“O cenário-base para 2026 é um Brent na casa dos US$ 60, com perspectiva de queda na medida em que a gente tenha alguma finalização da guerra na Ucrânia. Isso faria com que houvesse aumento da oferta do petróleo russo no mercado”.

Os analistas acrescentam ainda que movimentos da Opep de aumento de oferta e o consumo de China e EUA são outros drivers importantes.

Quais ações ficar de olho

Analistas chamam a atenção para o fato de que algumas produtoras de petróleo são as mais sensíveis às oscilações da commodity, tanto em cenários de alta quanto de queda.

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“Normalmente, as companhias menores costumam ser as mais sensíveis, especialmente na comparação com a Petrobras”, afirma o analista da Empiricus, citando a Brava (BRAV3) como empresa que tende a se beneficiar mais em uma eventual disparada do petróleo, mas que também sofre de forma mais intensa em um cenário de queda dos preços.

Por esse motivo, a Empiricus tem adotado uma postura mais conservadora na alocação setorial. “Preferimos empresas menos sensíveis, mas com maior margem de segurança, como Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3)”, diz Hungria.

A saída da Petrobras de algumas carteiras no último mês, conforme apontado pelo levantamento do Money Times, refletiu principalmente uma visão mais pessimista para o petróleo no fim do ano passado, diante de sinais de sobreoferta, segundo Hungria.  Ainda assim, ele ressalta que os papéis da estatal negociavam a preços atrativos.

Ele avalia que o calendário eleitoral brasileiro altera o perfil de risco-retorno de todas as companhias listadas, mas tem impacto especialmente relevante sobre a Petrobras, por se tratar de uma estatal.

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O analista Fabiano Vaz, da Nord Research, ressalta que a casa está “um pouco mais pessimista com as petroleiras, assim como o mercado geral”.

“Em termos de exposição, estamos mais baixos do que no passado, mas continuamos olhando algumas. Em termos de crescimento, a favorita é a Prio; em termos de dividendos, a PetroReconcavo talvez seja a nossa preferida entre as juniors”, disse.

Para ele, eleições e uma perspectiva mais pessimista para o petróleo podem estar refletindo uma visão um pouco mais negativa para a Petrobras no ano. “Nos fundamentos, capex e custos aumentaram, o fluxo de caixa fica mais baixo. Esses fatores contribuem [para o menor potencial da ação]”.

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Editor
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em mercado financeiro. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
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