Verde aumenta exposição à Bolsa brasileira e reduz aposta em juros locais em meio a fluxo estrangeiro
A Verde Asset Management, de Luis Stuhlberger, aumentou sua exposição à Bolsa brasileira no início de março e, ao mesmo tempo, reduziu a aposta em renda fixa local, em um movimento que sinaliza mudança relevante na alocação diante do cenário macro.
Segundo a gestora, em sua carta mensal de março de 2026, o Brasil “performou excepcionalmente bem” ao longo do mês, com destaque para o câmbio e o mercado acionário, sustentados pela entrada de capital estrangeiro. “Os fluxos estrangeiros seguiram positivos, suportando os preços de ativos”.
A leitura é de que o país tem se beneficiado de um ambiente de petróleo mais elevado — fator que melhora tanto o quadro fiscal quanto o balanço de pagamentos —, em contraste com outros mercados emergentes importadores de energia.
Mas a principal mudança da gestora de Stuhlberger veio na renda fixa.
A Verde zerou a posição aplicada em juro real no Brasil, ou seja, desmontou uma aposta na queda das taxas reais — aquelas descontadas da inflação e muito associadas a títulos como o Tesouro IPCA+.
Na prática, estar “aplicado” em juros significa apostar na queda dessas taxas, o que tende a gerar ganhos com a valorização dos títulos. Ao encerrar essa posição, a gestora indica menor convicção em um fechamento adicional dos juros reais no curto prazo, além de possível realização de lucros após o movimento recente.
A decisão também sugere uma mudança na relação risco-retorno da renda fixa local, em um ambiente ainda marcado por incertezas fiscais e por pressões inflacionárias vindas do cenário global.
Verde e exterior
Enquanto reduziu exposição no Brasil, a gestora manteve posições relevantes no exterior. Nos Estados Unidos, segue aplicada em juros reais e comprada na inflação implícita, reforçando a visão de um ambiente global mais pressionado por preços.
A alocação em moedas também foi mantida, com posição no renminbi chinês e em uma cesta de divisas contra o dólar, além de opções de compra no real — sinalizando uma visão construtiva para moedas emergentes.
Em commodities, a Verde manteve exposição ao ouro e adicionou uma nova posição em prata. Já no crédito, zerou a proteção contra risco brasileiro frente a outros emergentes e passou a comprar proteção de crédito da Arábia Saudita, em um movimento alinhado ao aumento da relevância do cenário geopolítico ligado ao petróleo.
O pano de fundo dessas mudanças é a escalada das tensões no Oriente Médio. Para a gestora, o impacto do conflito envolvendo o Irã ainda não foi totalmente refletido nos preços de energia.
“Mesmo que a guerra termine amanhã, devemos conviver com preços mais altos de energia por bastante tempo”, afirmou a Verde. “Os impactos de segunda ordem dessa lógica ainda não foram precificados nos mercados: é um mundo mais estagflacionário.”
Em março, o fundo teve alta de 0,05%, abaixo do CDI de 1,21%. No acumulado do ano, a rentabilidade é de 4,57%, contra 3,41% do indicador.