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Wall Street cede à pressão de Microsoft e risco de novo ‘shutdown’; S&P 500 e Nasdaq fecham em queda

29 jan 2026, 18:07 - atualizado em 29 jan 2026, 18:11
wall street Nasdaq S&P 500 Dow Jones EUA Estados Unidos
(Imagem: 400tmax/Getty Images Signature)

Os índices de Wall Street operaram em forte queda nesta quinta-feira (29), no dia seguinte após o Federal Reserve manter os juros inalterados. O tombo das ações de Microsoft, com renovação do temor de uma ‘bolha de IA’, e o risco de um novo ‘shutdown‘ aumentaram a aversão a risco dos investidores.

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O índice Dow Jones ganhou fôlego na reta final da sessão e foi o único a encerrar em tom positivo.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: +0,11%, aos 49.071,56 pontos;
  • S&P 500: -0,13%, aos 6.969,01 pontos; 
  • Nasdaq: -0,72%, aos 23.685.12 pontos.

Durante a sessão, o VIX (CBOE Volatility Index), indicador que mede a aversão ao risco em Wall Street, também conhecido como o “termômetro do medo”, chegou a saltar mais de 17%, atingindo o nível dos 19 pontos. Na reta final do pregão, o índice operava próximo aos 17 pontos.

O que mexeu com Wall Street hoje?

O motivo por trás da forte deterioração do sentimento de risco em Wall Street é o investimento massivo das gigantes de tecnologia em inteligência artificial (IA). As ações da Microsoft (MSFT34), por exemplo, recuaram mais de 12% após os resultados da divisão de computação em nuvem da companhia ficarem em linha com as estimativas.

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A receita do Azure cresceu 39% no período, contra uma projeção média de 38,8%, de acordo com a Visible Alpha. Ainda assim, o avanço foi insuficiente para animar investidores, que passaram a questionar se a atual onda de gastos com IA está, de fato, se traduzindo em ganhos financeiros mais robustos.

A Microsoft largou na frente na corrida da inteligência artificial ao apostar cedo na OpenAI, cuja tecnologia hoje está integrada a produtos como o M365 Copilot.

No entanto, o cenário competitivo ficou mais desafiador. A boa recepção do modelo Gemini, do Google, e o avanço de agentes autônomos como o Claude Cowork, da Anthropic, levantaram preocupações tanto sobre os negócios de IA quanto sobre as tradicionais ofertas de software da empresa.

Por outro lado, as ações da Meta (M1TA34) saltaram mais de 10% com os investidores de olho no guidance da big tech. A dona do Facebook, Instagram e WhatsApp espera que a receita fique entre S$ 53,5 bilhões e US$ 56,5 bilhões, acima das estimativas dos analistas, de US$ 51,41 bilhões.

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O mercado também teme um nova paralisação da máquina pública norte-americana. Hoje (29), os democratas do Senado rejeitaram uma proposta que financiaria amplas áreas do governo para além do prazo final de sexta-feira (30), enquanto negociavam com o presidente Donald Trump para conter suas táticas agressivas de fiscalização da imigração.

O governo pode ser forçado a uma paralisação parcial a partir de sábado (31) caso não seja alcançado um acordo. “Houve discussões e conversas muito construtivas das quais participei, então digamos que estou otimista”, disse o líder republicano no Senado, John Thune, a jornalistas.

O presidente Donald Trump, por sua vez, afirmou que o governo está trabalho de forma bipartidária para evitar um novo shutdown.

No ano passado, os EUA enfrentaram a maior paralisação da história, de 43 dias, e atrasos na publicação de dados econômicos como um dos principais impactos.

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Trump também renovou a pressão sobre  Federal Reserve (Fed) por juros mais baixos. Em uma publicação na rede social Truth, o mandatário disse Jerome Powell, atual presidente do BC, “recusou-se novamente a reduzir os juros, mesmo sem ter absolutamente nenhuma razão para mantê-las tão altas”.

“Devido às vastas quantias de dinheiro que entram em nosso país por causa das tarifas alfandegárias, deveríamos estar pagando a MENOR TAXA DE JUROS DE QUALQUER PAÍS DO MUNDO”, declarou.

O presidente ainda disse que vai anunciar o próximo presidente do BC, que vai substituir Powell, na próxima semana. De acordo com a plataforma Polymarket, o mercado aposta na indicação de Rick Rieder, chefe de investimentos da BlackRock, para o cargo, com 38% de chance.

Ontem (28), o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed manteve os juros inalterados, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, como o esperado, e interrompeu o ciclo de cortes iniciado em setembro do ano passado.

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Mais uma vez, a decisão não foi unânime: os diretores Stephen Miran – indicado pelo Trump – e Christopher Waller, um dos cotados a substituir Powell, votaram pelo corte de 0,25 ponto percentual na taxa referencial.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
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