Wall Street salta mais de 2% com acordo temporário entre EUA e Irã; Dow Jones tem o melhor desempenho diário em um ano
Os índices de Wall Street registraram fortes ganhos nesta quarta-feira (8) com a retomada do apetite ao risco à medida que as tensões geopolíticas foram reduzidas após o cessar-fogo temporário no Oriente Médio.
Em destaque, o índice Dow Jones subiu 1.300 pontos, no melhor desempenho diário desde abril do ano passado.
Confira o desempenho dos índices logo após a abertura:
- Dow Jones: +2,85%, aos 47.909,92 pontos;
- S&P 500: +2,51%, aos 6.782,81 pontos;
- Nasdaq: +2,80%, aos 22.634,99 pontos.
O VIX (CBOE Volatility Index), considerado um termômetro de risco dos mercados atrelado ao S&P 500, chegou a despencar mais de 20% nas primeiras horas do pregão. Na fechamento, o indicador registrava queda de 18,19%, aos 21,09 pontos – que é considerado como um “ambiente normal” no mercado.
Cessar-fogo no Oriente Médio
Os investidores adotaram um forte sentimento de ‘risk-on‘ com a trégua temporária no conflito no Oriente Médio.
Na noite de ontem (7), os Estados Unidos e o Irã concordaram com um cessar-fogo de duas semanas, suspendendo a guerra iniciada em 28 de fevereiro.
Já nesta quarta-feira, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que o Irã confirmou que participará de conversas com os Estados Unidos para um acordo de paz definitivo na próxima sexta-feira (10), em Islamabad.
Contudo, no início da tarde de hoje, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, informou violações no acordo de cessar-fogo com ataques a duas ilhas iranianas, de Lavan e Siri. O autor dos ataques não foi mencionado.
Em reação, Teerã suspendeu novamente o trânsito de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz, a principal rota de petróleo, segundo as agências Fars, Tasnim e PressTV.
A Casa Branca, por sua vez, continua a pressionar a reabertura total do Estreito. Em entrevista coletiva, a secretária de imprensa, Karoline Leavitt, disse que Trump que a região seja aberta para petroleiros e outros tipos de tráfego sem nenhuma limitação.
“A prioridade imediata do presidente é a reabertura do estreito sem quaisquer limitações, seja na forma de pedágios ou de outra forma”, disse Leavitt. Ele ainda acrescentou que os EUA registraram um aumento no tráfego no Estreito de Ormuz nesta quarta-feira.
Com o alívio nas tensões, o mercado adiantou a precificação da retomada do início do afrouxamento monetário pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano). Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 54,1% de chance de o Fed cortar os juros a partir de julho do próximo ano.
Na véspera, a aposta estava dividida entre setembro e outubro de 2027.
Ata do Fomc
Com a reprecificação do mercado dos riscos geopolíticos, a ata da última decisão do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed ficou em segundo plano. Em março, o BC norte-americano manteve os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
No documento, os membros do Fomc avaliaram que as implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia são incertas e que o colegiado segue atento aos riscos para o duplo mandato do Fed – inflação e emprego.
Além disso, os dirigentes do BC veem uma economia em expansão, mas com sinais de moderação no mercado de trabalho e com a inflação ainda acima do nível desejado, segundo a ata.
*Com informações de Estadão Conteúdo