Wall Street recua mais de 1% com novas ameaças tarifária de Trump na disputa pela Groenlândia
Os índices de Wall Street retomaram as negociações após o feriado do Dia de Martin Luther King Jr. em forte queda.
Nos primeiros minutos da sessão desta terça-feira (20), o índice Dow Jones perdeu 700 pontos. Confira o desempenho dos índices logo após a abertura dos negócios, por volta de 12h (horário de Brasília):
- Dow Jones: -1,40%, aos 48.667,93 pontos;
- S&P 500: -1,45%, aos 6.839,71 pontos;
- Nasdaq: -1,72%, aos 23.110,63 pontos.
O VIX (CBOE Volatility Index), indicador que mede a aversão ao risco em Wall Street, também conhecido como o “termômetro do medo”, opera acima de 19 pontos, atingindo seu nível mais alto desde novembro.
O que derruba Wall Street hoje?
As novas ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a injetar cautela nos mercados em temor de uma escalada nas tensões geopolíticas. A disputa pela Groenlândia segue como o pano de fundo.
Trump ameaçou impor tarifas de 200% aos vinhos e champanhes franceses, em um aparente esforço para convencer o presidente francês Emmanuel Macron a aderir à sua iniciativa do “Conselho de Paz”, que visa resolver conflitos globais.
A iniciativa de Trump, que começaria tratando de Gaza e depois se expandiria para lidar com outros conflitos, levanta questões sobre o papel das Nações Unidas e uma fonte próxima a Macron disse que o presidente francês pretendia recusar o convite para participar.
Quando perguntado sobre a posição de Macron, Trump disse: “Ele disse isso? Bem, ninguém o quer porque ele sairá do cargo muito em breve”. “Vou impor uma tarifa de 200% sobre seus vinhos e champanhes, e ele vai aderir, mas não precisa aderir”, disse Trump.
Além disso, o chefe da Casa Branca já havia anunciado uma nova rodada tarifária a países membros da União Europeia. No último sábado (17), Trump anunciou adicionar taxas de importação a aliados europeus que são contra a anexação da Groenlândia por parte dos EUA.
Em um post no Truth Social, Trump disse que tarifas adicionais de importação de 10% entrariam em vigor em 1º de fevereiro sobre produtos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido – todos já sujeitos a tarifas impostas por Trump.
Essas alíquota aumentariam para 25% em 1º de junho e continuariam até que se chegasse a um acordo para que os EUA comprassem a Groenlândia.
“Com a folga dos EUA ontem, as implicações das ameaças de tarifas sobre a Groenlândia ainda não haviam se refletido completamente nos mercados financeiros”, disse Jim Reid, do Deutsche Bank, em um relatório a clientes. “Os mercados reagiram, mas claramente há espaço para movimentos maiores se a retórica se intensificar ainda mais.”
Há “crescentes receios de algum tipo de escalada comercial retaliatória por parte da Europa, com declarações cada vez mais contundentes de vários funcionários”, acrescentou Reid.
O mercado agora espera a participação de Trump no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. O presidente norte-americano discursa amanhã (21).
A indicação de um novo presidente para o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), também continua no radar.
Na manhã desta terça-feira (20), o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que o Trump pode chegar a uma decisão sobre o próximo presidente do Fed já na próxima semana.
“Estamos agora com quatro candidatos” e Trump já conversou com todos eles, disse Bessent em entrevista à CNBC. Jerome Powell, atual chair do Fed, encerra o mandato em maio.