WEG (WEGE3) cai após resultado misto: Margens surpreendem, mas crescimento preocupa
Depois de divulgar um trimestre marcado por queda de receita e surpresa positiva em margens, a WEG (WEGE3) vê suas ações recuarem 1,67% às 11h05 desta quarta-feira (26), a R$ 50,55, em meio à leitura ainda cautelosa do mercado sobre o ritmo de crescimento em 2026.
No quarto trimestre de 2025 (4T25), a companhia registrou receita líquida de R$ 10,2 bilhões, queda de 5,3% na comparação anual.
O Ebitda (Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) somou R$ 2,29 bilhões, recuo de 4% ano contra ano, mas com margem de 22,4%, avanço de 30 pontos-base em relação ao mesmo período de 2024. Já o lucro líquido ficou em R$ 1,59 bilhão, baixa de 6,3% na base anual.
Os números, para analistas, reforçam o padrão observado ao longo do segundo semestre na WEG: crescimento mais pressionado, mas rentabilidade resiliente.
Para o BTG Pactual, o trimestre repete o “dilema” visto no 3T25: “crescimento de receita mais fraco e desempenho de margem mais forte”. Na visão do banco, o mercado tende a dar mais peso à dinâmica de expansão do que à margem, especialmente em uma ação negociada acima de 30 vezes lucro.
“Para uma ação negociando acima de 30x P/L, crescimento é claramente importante”, escreveram os analistas, liderador por Lucas Marquiori.
O BTG avalia que as expectativas de lucro ainda podem estar elevadas para 2026 e trabalha com projeção de R$ 6,8 bilhões, levemente abaixo do consenso. “Diante disso, esperamos uma reação neutra a levemente negativa”.
O Itaú BBA, por outro lado, adotou um tom mais construtivo. Para o banco, o trimestre que era aguardado como o mais fraco do ciclo acabou vindo melhor do que o temido. “O pior trimestre em uma década finalmente chegou — e foi melhor do que o esperado”, escreveu o time, encabeçado por Daniel Gasparete.
A principal surpresa, segundo a casa, foi a margem Ebitda, que avançou tanto na comparação anual quanto na trimestral, em sentido oposto ao que parte do mercado projetava.
Para o BBA, essa melhora refletiu mix de produtos mais favorável, maior participação de negócios de ciclo longo e ganhos de eficiência operacional, sobretudo nas operações internacionais.
As duas leituras convergem, porém, em um ponto: o câmbio foi um vento contrário relevante. A valorização do real pressionou a conversão das receitas externas, ainda que, em moedas locais, a demanda tenha se mantido saudável.
No mercado doméstico, a divisão de geração, transmissão e distribuição (GTD) caiu 29% na comparação anual, refletindo a ausência de grandes projetos solares e eólicos no período. Já no exterior, entregas mais fortes em transmissão e distribuição na América do Norte ajudaram a sustentar o desempenho.
No pano de fundo, permanece a discussão sobre o ciclo de investimentos e a nova capacidade em transmissão e distribuição prevista para os próximos anos. Enquanto o BTG enfatiza o risco de revisões nas estimativas de lucro caso o crescimento não acelere, o Itaú vê espaço para melhora das projeções à frente, caso a rentabilidade siga surpreendendo positivamente.
O BTG mantém recomendação de compra para a WEG, com preço-alvo de R$ 52,00. O analista-chefe responsável pelo relatório é Lucas Marquiori, do BTG Pactual. Já o Itaú BBA reitera recomendação Outperform (equivalente a compra), com preço-alvo de R$ 50,00 para o fim de 2026, em relatório liderado por