Wiz (WIZC3): Inter Seguros ‘arranca’ 20% da ação; por que mercado não gostou da venda?
A venda da parcela da Wiz (WIZC3) na Inter Seguros para o próprio Inter caiu bem mal para investidores. 20% para ser mais preciso. Esse era o tamanho do tombo da seguradora até 14h34. Mais cedo, esse número chegou a 28%. No outro lado da balança, a ação do Inter subia 5,14%, a R$ 7,26.
Ao todo, o Inter desembolsou R$ 409,5 milhões para levar a fatia da empresa que leva o seu nome. O início da parceria ocorreu em 2019, quando a Wiz juntou sua expertise em seguros com a plataforma digital do Inter. Um negócio que se mostrou extremamente lucrativo.
Nos cálculos do JPMorgan, a taxa composta de crescimento anual (CAGR) mantém a marca de 30% desde 2020.
Foi justamente nesse ponto que o mercado chiou: a Wiz vendeu sua galinha dos ovos de ouro por um preço considerado baixo. Segundo o analista Leonardo Piovesan, da Quantzed, a Inter Seguros era disparado o melhor negócio dentro da empresa.
“É uma operação extremamente rentável, com uma margem bem elevada e com venda 100% digital. Então, tem um custo de aquisição de clientes baixo”, afirma.
E, como cereja do bolo, a Inter Seguros surfa o crescimento do Banco Inter.
Outro “detalhe” era que o acordo era válido até 2069. Ou seja, trata-se de um balcão cujo contrato tem um prazo longo de duração com receitas quase garantidas.
“É um negócio que poderia muito bem ser avaliado a P/L (preço sobre lucro) de 15 ou P/L 20 pelo mercado, dada essa rentabilidade e esse potencial de crescimento. Foi vendido a P/L 9.”
Tudo isso em meio à expectativa de juros menores, principalmente agora que o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, pode ser eleito, argumenta Piovesan.
E o Inter?
Se para a Wiz não foi um “negócio da China”, não podemos dizer o mesmo para o Inter. Segundo a analista Danielle Lopes, da Suno Research, o preço é bastante razoável, com o banco pagando barato pela fatia.
“Eu esperava um múltiplo mais alto para esse tipo de empresa. A compra reforça um movimento que o Inter já vem fazendo, de recomprar participações minoritárias em suas verticais”, diz.
A lógica por trás disso é simples: o banco tem uma base de clientes robusta, aplicativo e canal de distribuição próprios, e quer crescer apoiado nisso.
Ao internalizar a operação, retém uma parcela maior do lucro de uma estrutura de seguros muito rentável e ganha autonomia para definir os produtos que vai distribuir, as parcerias e as prioridades comerciais.
“Vender mais seguros aos clientes, com uma operação mais internalizada, ainda que pequena, abre outra frente de crescimento, que consome menos capital, embora exija um desembolso maior no momento da compra.”
De quebra, a operação ainda pode melhorar o ROE (retorno sobre o patrimônio) pela redução contábil do patrimônio líquido no momento da aquisição. Isso melhora o indicador sem refletir necessariamente uma maior eficiência operacional.