Tesouro Direto: 3 títulos para colocar na carteira, segundo o Itaú BBA
Mesmo que o ciclo de cortes tenha início em março, a Taxa Selic deve permanecer em patamar elevado ao longo de 2026, o que mantém a renda fixa no radar dos investidores. Diante desse cenário, o Itaú BBA selecionou ao menos três títulos disponíveis no Tesouro Direto como seus “top picks” para fevereiro.
De olho na taxa básica de juros, a escolha da casa é o Tesouro Selic 2031. Segundo o time que assina o relatório, a perspectiva de retorno acumulado da Selic acima de 13,5% ao ano ao longo de 2026 reforça a atratividade dos títulos pós-fixados, mantendo retornos elevados tanto em termos nominais quanto reais.
“A situação é esperada que se mantenha ao menos até o final de 2026, explicando nossa sugestão no Tesouro Selic 2031, que cumpre as funções de prover liquidez à carteira, amortecer a volatilidade e continuar a rentabilizar o capital acima da taxa de inflação”, destaca o relatório.
Na prática, o papel funciona como a base da alocação em renda fixa, indicado para compor a parcela mais conservadora do portfólio e servir como reserva de oportunidade em um ambiente ainda marcado por incertezas fiscais e volatilidade nos ativos de risco.
Já de olho na inflação, o BBA selecionou os títulos do Tesouro IPCA+ com vencimentos mais longos, como 2032 e 2040, apostando na combinação entre taxas reais ainda elevadas e a possibilidade de fechamento adicional da curva de juros com o início do ciclo de cortes pelo Banco Central.
A estratégia busca travar prêmios considerados historicamente atrativos acima da inflação, ao mesmo tempo em que oferece proteção contra eventuais deteriorações do cenário fiscal. Dentro da carteira, esses papéis cumprem um papel mais estrutural e de médio a longo prazo, combinando proteção do poder de compra com potencial de ganho via marcação a mercado em um ambiente de queda de juros.
Assim, a recomendação do banco sugere uma composição equilibrada: pós-fixados para estabilidade e liquidez no curto prazo, e títulos indexados à inflação para capturar prêmios reais elevados e alongar a duration da carteira de forma estratégica.
Cenário atual
O Itaú BBA avalia que 2026 começou com um ambiente bastante diferente do observado no fim de 2025.
Após a correção dos ativos em dezembro, janeiro foi marcado por ajuste de expectativas e redução de prêmios, com o mercado reorganizando as apostas para juros e câmbio.
Além disso, o dólar perdeu força, recuando cerca de 4% no mês, enquanto a curva de juros fechou de forma consistente, com queda próxima de 45 pontos-base nas taxas prefixadas de curto e médio prazo.
Nos papéis indexados ao IPCA, o movimento foi mais moderado, refletindo principalmente a redução da inflação implícita e do chamado “medo inflacionário”. A leitura foi reforçada por dados de inflação, e pela sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) de que o ciclo de cortes pode começar em março.
Apesar de o Federal Reserve ter mantido postura cautelosa e os juros americanos terem encerrado o mês levemente mais altos, os fatores domésticos prevaleceram. Ainda assim, o banco ressalta que a trajetória do dólar no cenário global e a continuidade do fluxo para emergentes seguem como variáveis-chave para os próximos meses.
Confira os títulos:
| Título | Indexador | Vencimento |
|---|---|---|
| Tesouro Selic 2031 | Selic (pós-fixado) | 2031 |
| Tesouro IPCA+ 2032 | IPCA + juros real | 2032 |
| Tesouro IPCA+ 2040 | IPCA + juros real | 2040 |