A ação que ganha com Brent em alta e a escalada do preço do óleo de soja, segundo o BTG
A combinação entre petróleo em alta e a disparada do preço do óleo de soja pode destravar valor para uma ação específica do agronegócio brasileiro: a 3tentos (TTEN3).
Os analistas do BTG Pactual destacam que as commodities agrícolas seguem altamente correlacionadas ao petróleo. Nesse contexto, a soja sobe cerca de 9% no ano, enquanto o óleo de soja — mais diretamente ligado à energia — já avançou 34% em dólares.
No Brasil, porém, o movimento ainda é mais tímido, com alta de apenas 8%, o que fez o produto sair de um prêmio histórico para negociar com desconto em relação a Chicago.
Para o BTG, esse descolamento não deve durar. Caso o Brent permaneça em patamares elevados, a tendência é de que os preços domésticos do óleo de soja continuem subindo, reaproximando-se da média histórica.
Outro ponto-chave é o biodiesel. Apesar da alta do óleo, o combustível renovável acumula queda de 12% no ano — um movimento que contraria a forte correlação histórica entre ambos, já que mais de 70% do biodiesel brasileiro é produzido a partir do óleo de soja.
Na avaliação do banco, esse gap também tende a se fechar. Se os preços do óleo de soja em São Paulo voltarem ao prêmio histórico frente a Chicago, e o biodiesel recuperar seu desconto médio, o preço do biocombustível poderia subir cerca de 32%, para R$ 6,85 por litro.
É nesse ponto que entra a 3tentos. A empresa, com forte atuação no processamento de soja, seria diretamente beneficiada pela recomposição desses preços. Nesse cenário, as margens unitárias de esmagamento da companhia poderiam crescer cerca de 70% em relação ao quarto trimestre de 2025.
Assim, na leitura do BTG, a 3tentos se posiciona como uma das principais beneficiárias de um ambiente de petróleo elevado e valorização do óleo de soja — uma combinação que pode destravar ganhos relevantes para a ação.