Internacional

A boa vontade acabou? Como dois pandas foram parar no centro da disputa entre Japão e China

26 jan 2026, 16:00 - atualizado em 26 jan 2026, 15:18
Pandas
Pandas. Imagem: Pexels

Em relações amorosas, o cortejo costuma passar por flores, chocolates e, às vezes, joias. Na diplomacia, a mecânica é parecida: gestos simbólicos ajudam a sinalizar boa vontade e abrir canais de diálogo. No caso da China, esse afago tem forma e pelagem bem definidas: pandas.

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Desde a década de 1970, o país utiliza os animais, que são exclusivos de seu território, como um instrumento de política externa para demonstrar interesse em estreitar laços com outras nações. A estratégia ficou conhecida como diplomacia dos pandas.

Agora, diante da escalada de tensões entre Japão e China, os pandas que ficam no arquipélago já têm data para irem embora de volta para seu país natal. Os marsupiais devem retornar amanhã (27).

Os gêmeos pandas Xiao Xiao e Lei Lei nasceram no Zoológico de Ueno, em Tóquio. Multidões foram se despedir da dupla nos últimos dias. A partir da saída, será a primeira vez em meio século que o país ficará sem pandas.

O retorno dos pandas e o novo capítulo das tensões entre Japão e China

A escalada começou em novembro de 2025, quando a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi disse no Parlamento que um eventual ataque da China a Taiwan — ilha autônoma governada de forma independente, mas reivindicada por Pequim — poderia representar uma ameaça direta à segurança do Japão e justificar uma resposta militar.

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O gigante asiático considerou esse movimento como uma interferência em seus assuntos internos. A resposta veio em forma de pressão econômica sobre o Japão, com a adoção de uma série de medidas restritivas.

Após as declarações, Pequim passou a bloquear exportações de bens considerados estratégicos e de itens de uso dual (civil e militar) para o Japão. Isso inclui materiais sensíveis como ímãs de terras raras, fundamentais para cadeias de tecnologia avançada, eletrônicos, veículos elétricos e equipamentos de defesa.

Paralelamente, autoridades chinesas intensificaram investigações comerciais e ampliaram o uso de medidas antidumping e barreiras regulatórias contra produtos japoneses, elevando custos, atrasando desembaraços e restringindo o acesso ao mercado chinês.

Pequim também expressou preocupação com o orçamento recorde de defesa do Japão, anunciado em dezembro e projetado para atingir 9 trilhões de ienes (cerca de US$ 57,4 bilhões) em 2026, um aumento de 3,8% em relação aos gastos de defesa do ano passado.

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A rivalidade entre China e Japão é antiga e tem raízes no século 20, como a invasão japonesa à China nos anos 1930 e durante a Segunda Guerra Mundial. No pós-guerra, as tensões se deslocaram para disputas territoriais no Mar do Leste da China, como as ilhas Senkaku e Diaoyu.

Pequim enviou pandas a Tóquio pela primeira vez em 1972, logo após a normalização das relações diplomáticas entre os dois países. Agora, a volta dos dois marca um novo capítulo na relação entre a China e o Japão.

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