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“A grande renúncia”: Brasileiros acompanham onda de demissões voluntárias dos EUA

Gabriela Mackert Occhipinti
11/01/2022 - 18:54
Pessoas de máscara em Xangai (China) se protegem da Covid, coronavírus
As empresas devem investir em políticas claras de trabalho, transparência das lideranças e um bom pacote de benefícios e remuneração (Imagem: REUTERS/ Aly Song)

“The great resignation”, ou, em bom e velho português, algo como “a grande renúncia”, é um movimento observado nos Estados Unidos que está chegando ao Brasil.

Ele consiste, no que foi observado em maio de 2021 nos EUA, em uma onda de demissões de colaboradores qualificados, em busca de uma nova carreira, melhores condições de trabalho e qualidade de vida. Traduzindo: uma espécie de fuga da já conhecida, e agora listada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Síndrome de Burnout

Uma sondagem feita entre 3 a 30 de novembro de 2021 pela Robert Half, empresa de recrutamento especializado, demonstra que, entre profissionais qualificados com mais de 25 anos, essa tendência também pode estar se desenvolvendo no Brasil.

A Robert Half ouviu 1.161 profissionais, igualmente divididos entre recrutadores, empregados e desempregados. Segundo o levantamento, 49% dos empregados pretendem buscar novas oportunidades em 2022.

Os que buscam uma nova carreira em 2022 ainda apontaram como principais razões o desejo de inovar ou aprender algo novo (19%); a busca de realização pessoal (17%); e a expectativa de uma melhor qualidade de vida (12%).

Para Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half para a América do Sul, “nesse cenário, podemos trabalhar com duas hipóteses. Tanto de um movimento positivo, que se divide entre a busca de mudança de emprego e a vontade de empreender, quanto na ótica inversa, em que a desistência pode ser atrelada à insatisfação com o trabalho atual, dado que a pandemia trouxe maior pressão psicológica em relação à vida profissional”.

Mantovani ainda explica que, para se manter atrativas e competitivas nesse cenário, as empresas devem investir em políticas claras de trabalho, transparência das lideranças e um bom pacote de benefícios e remuneração, condizente com o mercado. 

EUA buscam por estrangeiros

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Em novembro de 2021, 4,5 milhões de norte-americanos pediram demissão, ou melhor, renunciaram de seus trabalhos (Imagem: Reuters/Mike Blake)

Em paralelo a isso, o cenário norte-americano tem baixa taxa de desemprego, alta rotatividade da mão de obra e elevada quantidade de vagas sem preenchimento. Para Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, essa conjuntura se estabelece com outras circunstâncias.

Para Rodrigo Costa, especialista em investimento nos EUA e CEO da AG Immigration (um dos principais escritórios de advocacia imigratória dos Estados Unidos), “as empresas estão com muita dificuldade em contratar profissionais para diversas posições, como motoristas de caminhões, vendedores de lojas, operadores de máquinas e atendentes de redes de fast food. Até mesmo profissões que exigem qualificação mais elevada, como médicos, dentistas e pilotos de avião estão em falta”.

Em novembro de 2021, 4,5 milhões de norte-americanos pediram demissão, ou melhor, renunciaram de seus trabalhos, um recorde que indica o aquecimento do mercado.

Costa ainda aponta: “é por isso que o presidente Joe Biden tem se esforçado tanto para aprovar seu pacote de novas leis imigratórias, buscando legalizar milhões de trabalhadores que hoje se encontram indocumentados no país e, ao mesmo tempo, retirando obstáculos para a entrada de novos imigrantes de maneira legal nos Estados Unidos”.

Última atualização por Gustavo Kahil - 11/01/2022 - 18:54

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