Eleições 2026

A história se repete? Por que o mercado não se abala mais por pesquisas eleitorais

14 jul 2026, 7:00
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) (Imagem Montagem Money Times Agência Senado)
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL): polarização (Montagem Money Times Agência Senado)

Primeiro: o mercado já trabalha com uma disputa definida entre as duas correntes opostas da política brasileira nas eleições presidenciais deste ano. O lulismo versus bolsonarismo de 2022 persiste em 2026.

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Segundo: as próprias pesquisas eleitorais não têm ajudado. Desde que Flávio Bolsonaro (PL) foi ungido pelo pai, Jair Bolsonaro, como seu sucessor e candidato à presidência, o senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dividem a liderança nos principais levantamentos, com folga sobre os adversários.

O resultado: a polarização já está precificada pelo mercado financeiro, com a liderança de Lula mantida, enquanto Flávio Bolsonaro fica na cola do presidente e o Ibovespa (IBOV), principal índice da bolsa brasileira, não esboça reação aos dados divulgados por institutos de pesquisa, como mostra o agregador do Money Times.

Se não fossem dois movimentos factuais que pressionaram o indicador e ficaram conhecidos como “Flávio Day 1 e 2”, o impacto da política e das eleições nas ações e na B3 seria quase nulo.

O primeiro, em dezembro de 2025, foi a própria escolha de Flávio Bolsonaro e o escanteamento do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato preferido do mercado. O segundo, em 13 de maio deste ano, foi a divulgação, do envolvimento do senador com Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o financiamento de “Dark Horse“, filme sobre Jair Bolsonaro.

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“Acho que, de alguma maneira, o cenário eleitoral está interiorizado. As movimentações eram mais intensas quando havia muita incerteza, seja em relação ao candidato, seja em relação ao resultado”, disse Rafael Cortez, cientista político e sócio da Tendências Consultoria.

Cortez lembra que o mercado até reagia positivamente quando as pesquisas ainda incluíam Tarcísio como o nome bolsonarista em cenários contra Lula. Mas a confirmação de Flávio Bolsonaro, seguida de episódios que avolumaram a agenda negativa do pré-candidato do PL, reforçaram o cenário de continuidade e de um quarto mandato para Lula.

“A ideia é de que a oposição vai ganhar vai perdendo um pouco de força e o mercado vai incorporando o cenário de continuidade”, disse Cortez. Para ele, uma reversão desse cenário, com o crescimento e uma liderança de Flávio Bolsonaro, poderia movimentar o mercado de ações. “Em alguma medida, o mercado tomaria um susto e se movimentaria ao perceber uma eleição mais competitiva do que se sugere”.

O que dita o humor do mercado

Com o marasmo eleitoral, o driver do mercado, na avaliação de Cortez, tem sido a instabilidade geopolítica e as crises causadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “O ambiente internacional tem chamado mais a atenção do que qualquer pesquisa eleitoral. Então, tem muito a ver também com o mundo mais agitado do que a gente esperava”.

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A análise é corroborada pelo analista de ações da Empiricus Research Ruy Hungria que avalia que nenhuma das últimas pesquisas altera radicalmente o favoritismo de Lula, tanto no primeiro como no segundo turno.

Na última semana, o Ibovespa registrou o maior ganho desde 23 de março na sexta-feira (10), com avanço de 2,97%, após a inflação de junho surpreender para baixo, com alta de 0,16%, além de apresentar uma composição mais benigna.

Diante disso, bancos como o Bank of America (BofA) e o BTG Pactual calibraram as apostas de mais um corte na taxa Selic.

Já a pesquisa BTG Pactual/Nexus desta segunda-feira (13) pouco refletiu no mercado doméstico, com as atenções dos investidores voltadas ao Estreito de Ormuz.

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No novo levantamento, Lula e Flávio repetiram as variações do levantamento de 29 de junho, com o petista liderando com 47%, enquanto o senador aparece com 44%.

Apesar da falta de novidades nas pesquisas, o analista considera que a ampliação de gastos por motivos eleitoreiros é um risco que deve continuar no radar dos investidores, bem como a falta de enderaçamento das questões fiscais, o que, segundo Hungria, aumenta em caso de vitória de Lula.

“Mas existem riscos positivos também, especialmente caso tenhamos a ascensão de um candidato mais comprometido com o corte de gastos, o que poderia provocar uma reprecificação mais forte dos ativos brasileiros”, diz.

Flávio Day 2.0 impactou menos o mercado?

Segundo estudo elaborado pela Warren Investimentos, apesar da relevância do Flávio Day 2.0 – quando veio à tona a troca de mensagens de Flávio Bolsonaro com Vorcaro –, a magnitude do evento foi inferior à de outros choques observados nos últimos anos.

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A Warren considera que o anúncio da candidatura do senador, em dezembro, substituindo Tarcísio de Freitas, provocou reação mais intensa, em especial sobre a curva de juros.

“Embora tenha havido impacto positivo nos ativos à medida que seu desempenho nas pesquisas eleitorais melhorou desde então, a magnitude limitada da reação do mercado após as informações reveladas pelo portal Intercept Brasil surpreende”, afirma o time liderado por Luis Felipe Vital no relatório.

A corretora segue a linha de que o movimento foi relevante, introduziu uma incerteza importante no xadrez político, mas os mercados se beneficiaram de um cenário externo capaz de atenuar o impacto.

Para Hungria, da Empiricus, os episódios como o Flavio Day e o Flávio Day 2.0 tiveram impactos diferentes no mercado devido às causas de cada evento.

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No primeiro, o mercado foi surpreendido negativamente porque a candidatura de Flávio reduzia drasticamente as chances de Tarísio de Freitas concorrer, que na visão do mercado era o candidato mais forte para superar Lula nas urnas, explica. “Já o Flávio Day 2.0 teve um impacto menor, porque apesar de ter perido força, Flávio já não era tido pelo mercado como o favorito para vencer as eleições.”

EventoDataUSD/BRLIBOV% Taxas Pré-fixadas 2 anos% Taxas Pré-fixadas 10 anos% Cupom Cambial 2 anos% Cupom Cambial 10 anos
Eleição Trump 19/nov/161,8%-1,4%0,130,290,090,07
Joesley Day18/mai/177,4%-8,8%1,601,800,190,08
Greve dos caminhoneiros18/mai/181,1%-0,6%0,180,420,020,04
Covid + Derrubada veto BPC11/mar/203,7%-7,6%0,510,690,040,02
Invasão da Ucrânia24/fev/222,2%-0,4%0,110,120,010,05
Anúncio Pacote Haddad27/nov/242,1%-1,7%0,340,400,030,07
Flávio Day 15/dez/252,6%-4,3%0,520,560,070,04
Início Conflito Irã28/fev/261,0%0,3%0,070,070,050,07
Flávio Day 213/mai/262,3%-1,8%0,270,280,02

Fonte: Warren/Bloomberg

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
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