A janela de IPOs vai reabrir? ‘Tem uma série de empresas que estão prontas’, diz CFO do BTG (BPAC11)
Ao que tudo indica, a janela de IPOs (ofertas públicas iniciais) deve ser reaberta após quatro anos trancada a sete chaves em meio aos juros nas alturas. Ao menos, essa é a expectativa do diretor financeiro do BTG Pactual (BPAC11), Renato Cohn, em teleconferência com jornalistas.
A reabertura vem em boa hora. Não que o banco tenha sofrido. Mesmo com a Selic a 15% — o maior patamar em décadas —, o BTG mostrou que sabe transformar limões em limonada ao extrair da economia morna um lucro recorde de R$ 16,7 bilhões.
Ainda assim, a combinação de queda de juros e retomada das aberturas de capital é uma ótima notícia, já que permite ao BTG aumentar a receita em outros negócios. A expectativa do mercado é de que a taxa básica encerre o ano em 12%.
‘A queda de juros é muito positiva para o Brasil como um todo, para as empresas de maneira geral e também para os bancos. Com juros mais baixos, o ambiente fica muito mais confortável e seguro para a concessão de crédito’, afirma o executivo.
No caso do BTG, explica Cohn, os juros mais baixos tornam as vantagens competitivas do banco ainda mais evidentes. ‘Então, estamos animados’.
IPO no radar
Segundo o CFO, mantido o ambiente atual, há boa chance de novas aberturas de capital. No início do mês, o PicPay quebrou o jejum de IPOs fora do país, levantando US$ 500 milhões, com a demanda saindo no topo da faixa.
Nesta semana, o AgiBank também deve precificar sua oferta, podendo levantar até US$ 785,5 milhões. As expectativas são altas.
‘Tem uma série de empresas que estão prontas, os múltiplos melhoraram, o patamar da bolsa já subiu e você vê a diversificação — como você corretamente citou — de investidores estrangeiros buscando ativos no Brasil. A demanda existe’, diz.
Cohn afirma ainda estar bastante otimista, mesmo com a aproximação do período eleitoral.
Guidance do BTG conservador?
Mas se a queda de juros é positiva para o BTG, por que o banco considera confortável trabalhar com um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) em torno de 25% em 2026, após ter encerrado o ano passado com ROE de 26,9%?
Na bolsa, a ação chegou a cair mais de 2% na abertura, mas recuperou o fôlego.
Segundo o executivo, a estratégia é manter um nível razoável de conforto para, mesmo diante de possíveis episódios de volatilidade ou mudanças de cenário — tanto no mercado local quanto internacional —, conseguir entregar um retorno acima de 25%.
Vale lembrar que o ano será marcado por eleições, que costumam mexer com a curva de juros e as projeções macroeconômicas. Ainda assim, o guidance não impede resultados melhores.
‘Nos últimos três anos, temos batido o guidance. Mas ele é, acima de tudo, um direcionamento do que enxergamos como possível dentro do cenário de mercado’.
Cohn ressalta que o ROE de 26,9% registrado no ano é um patamar bastante elevado.
‘No nosso modelo de negócio, como distribuímos 25% do lucro, os outros 75% são incorporados ao patrimônio’. Ou seja, para manter esse nível de retorno, o lucro precisa crescer de forma consistente.
‘Fazendo uma conta simples: estamos com um ROE de 27%. Se eu distribuo 25% desses 27%, isso dá algo em torno de 7%. Isso significa que o patrimônio cresce algo próximo de 20% ao ano’.
Na visão de analistas do Citi liderados por Gustavo Schroden, o BTG apresentou um trimestre “muito sólido, evidenciando avanços tanto em rentabilidade quanto em iniciativas estratégicas”.