Finanças Pessoais

A nova poupança: CDB vira líder na carteira do brasileiro e soma R$ 1,33 trilhão em 2025

25 fev 2026, 9:18 - atualizado em 25 fev 2026, 9:18
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(Imagem: Getty Images)

Os CDBs deixaram de ser coadjuvantes na carteira do investidor brasileiro e assumiram papel de protagonismo em 2025. Ao fim do ano, o estoque aplicado nesses títulos bancários somava R$ 1,33 trilhão, segundo dados da Anbima.

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Apesar de ainda ficarem atrás da previdência privada, que concentra R$ 1,55 trilhão, os CDBs lideraram o crescimento nominal entre os produtos financeiros. Em um ano, o volume avançou R$ 288 bilhões, alta de 27,7% frente a 2024.

No mesmo período, a poupança seguiu na direção oposta e registrou retração de 1,1%, encerrando 2025 com R$ 961,4 bilhões. O movimento reforça a migração do investidor para alternativas de renda fixa com maior rentabilidade, em meio a juros elevados.

Mais do que o volume total, outro dado chama atenção: os CDBs são o investimento financeiro número um em todas as regiões do país. Do Norte ao Sul, os títulos aparecem como principal escolha nas carteiras, especialmente entre o varejo tradicional e o varejo de alta renda.

A maior parte dos CDBs está na carteira do “povão” (varejo tradicional), que concentram 47,6% do estoque desses títulos.

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Já o varejo alta renda absorveu 41,8% desses certificados. A pequena parcela restante está nas mãos dos super-ricos (segmento private), que detêm apenas 10,6% do estoque.

Luciane Effting, presidente do fórum de distribuição da Anbima, credita o fenômeno dos CDBs a três fatores:

  • Facilidade de investir no produto: é simples de entender e qualquer banco tem;
  • Caixinhas e cofrinhos de liquidez diária, que democratizaram o acesso; e
  • Juros de 15% ao ano, que tornam a rentabilidade alta sem esforço e com baixo risco.

Há algum tempo, quase todas essas características eram atribuídas à caderneta de poupança — tirando a rentabilidade, claro.

Investimentos dos super-ricos

Segundo os dados da Anbima, a concentração de investimento dos super-ricos está em duas classes: ações e títulos isentos de imposto de renda.

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Aqui, vale esclarecer quem são os super-ricos (private), a alta renda e o varejo tradicional (“povão”).

A Anbima segue a segmentação feita pelas instituições financeiras, que avaliam o patrimônio do cliente para classificação interna. Essa diferença fica clara ao observar o ticket médio de investimento de cada classe de renda ao final de 2025:

  • Private: R$ 15,8 milhões
  • Alta renda: R$ 137,3 mil
  • Varejo tradicional: R$ 14,9 mil.

Mais da metade (68,6%) dos investimentos em ações no ano passado ficaram concentrados no private. A alta renda detinha 18,7% das aplicações, enquanto o varejo tradicional correspondia a 12,7%.

Nos títulos isentos de renda fixa a concentração por faixa de renda e patrimônio era menor: 43% private, 31,3% alta renda e 25,7% varejo tradicional. Como títulos isentos a Anbima considera CRAs, CRIs, LCAs, LCIs, LIGs e debêntures incentivadas.

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Também é possível observar uma concentração maior dos super-ricos nos fundos multimercados (71,3%) e nos fundos de ações (67,8%).

Os fundos de renda fixa e fundos estruturados (FIIs, FIDCs e FIPs) estão nas mãos da alta renda, principalmente, com 46,3% e 42,2% de participação, respectivamente.

Investimento por classe — de renda — em 2025

No ano passado, os brasileiros investiram 15,5% a mais, um aumento de R$ 1,15 trilhão em volume de capital.

O crescimento veio principalmente do varejo de alta renda, que aumentou em 21,2% sua alocação geral, conforme os dados da Anbima. O varejo tradicional cresceu 10,3%, enquanto o segmento private aumentou em 14,9%.

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Em termos de produtos financeiros, para além do avanço dos CDBs, os fundos de renda fixa e os títulos isentos também brilharam no ano passado. Seus volumes totais aumentaram R$ 223 bilhões e R$ 191 bilhões, respectivamente.

Percentualmente, FIDCs saíram à frente, com alta de 122,8% em um ano, para um volume total de R$ 52 bilhões. Na sequência aparecem os ETFs (+47,8%) e os títulos públicos (+43,4%).

Varejo tradicional

Investimento Alocação (R$ bi) % de participação no total
Poupança  814,31  84,7% 
CDB  633,60 47,6% 
Previdência  418,91  27,1% 
Isentos* 367,00 25,7%
Fundo de renda fixa 233,22 23%
Ações 102,53 12,7%
Títulos públicos 83,56 31,7%
Fundos estruturados 68,90 30,5%
Fundos multimercados 48,24 9%
Fundos de ações 21,75 8,6%

* CRA, CRI, LCA, LCI, LIG e Debêntures incentivadas
Fonte: Anbima – distribuição de produtos de investimento em 2025  

Varejo alta renda

Investimento Alocação (R$ bi) % de participação no total
Previdência  851,74  55,1% 
CDB  556,40  41,8% 
Fundo de renda fixa  469,48 46,3% 
Isentos* 446,96 31,3%
Ações 150,97 18,7%
Poupança 140,36 14,6%
Títulos públicos 124,68 47,3%
Fundos multimercados 105,06 19,6%
Fundos estruturados 95,33 42,2%
Fundos de ações 59,68 23,6%

* CRA, CRI, LCA, LCI, LIG e Debêntures incentivadas
Fonte: Anbima – distribuição de produtos de investimento em 2025  

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Private

Investimento Alocação (R$ bi) % de participação no total
Isentos* 614,04  43% 
Ações  553,81  68,6% 
Fundos multimercados  382,17  71,3% 
Fundo de renda fixa 311,30 30,7%
Previdência 273,61 17,7%
Fundos de ações 171,47 67,8%
CDB 141,10 10,6%
Fundos estruturados 61,44 27,2%
Títulos públicos 55,36 21%
Poupança 6,73 0,7%

* CRA, CRI, LCA, LCI, LIG e Debêntures incentivadas
Fonte: Anbima – distribuição de produtos de investimento em 2025 

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