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O que Jihan Wu enxergou antes no mercado de tecnologia — e que o Brasil precisa absorver logo

22 jan 2026, 11:29 - atualizado em 22 jan 2026, 11:29
O que Jihan Wu enxergou antes do mercado de tecnologia — e que o Brasil precisa absorver (Imagem Reprodução do YouTube Montagem Money Times)
O que Jihan Wu enxergou antes do mercado de tecnologia — e que o Brasil precisa absorver (Imagem Reprodução do YouTube Montagem Money Times)

Em 2018, quando o ChatGPT ainda não existia e poucos compreendiam o potencial transformador da inteligência artificial, um empresário chinês chamado Jihan Wu já antecipava a convergência entre as tecnologias blockchain e IA.

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Naquele ano, Wu — cofundador da Bitmain, maior fabricante mundial de chips de mineração de Bitcoin — tomou uma decisão que hoje parece óbvia, mas que na época soou como loucura: anunciou que até 40% da receita da Bitmain viria de chips de IA em cinco anos.

Para entender a genialidade dessa aposta, é preciso conhecer quem é Jihan Wu — um nome praticamente desconhecido no Brasil, mas que representa uma das mentes mais visionárias do ecossistema cripto global.

Nascido em 1986 em Chongqing, China, Wu se formou em economia e psicologia pela Universidade de Pequim e descobriu o Bitcoin (BTC) em 2011, quando a criptomoeda ainda valia menos de um dólar. Ele não apenas investiu seus primeiros 100 mil yuans (cerca de US$ 15 mil na época) comprando 900 bitcoins, como se tornou a primeira pessoa a traduzir o whitepaper de Satoshi Nakamoto para o chinês — democratizando o acesso ao conhecimento sobre Bitcoin para 1,4 bilhão de pessoas.

Em 2013, aos 27 anos, Wu cofundou a Bitmain ao lado do engenheiro de microeletrônica Micree Zhan. A empresa rapidamente se tornou um colosso, dominando 74,5% do mercado global de equipamentos de mineração de Bitcoin em 2018.

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Mais impressionante: em seu auge, a Bitmain reportou US$ 2,5 bilhões em receita anual e lucro de US$ 742 milhões apenas no primeiro semestre de 2018.

Mas Wu não parou por aí. Seis anos mais tarde fundaria a Matrixport, plataforma de serviços financeiros para criptoativos focada em instituições, com produtos como custódia, negociação OTC, prime brokerage e tokenização de ativos do mundo real — infraestrutura essencial para mercados maduros.

O Brasil no Ciclo Global de tecnologia

A Matrixport é um colosso. Atualmente, é avaliada em mais de US$ 1 bilhão e serve mais de 800 instituições nos Estados Unidos, Europa e Ásia.

No entanto, assim como outros players de infraestrutura de primeira linha, optou por não operar no Brasil — ao menos até o momento. A empresa decidiu focar em mercados com maior maturidade institucional, demanda por produtos sofisticados e ambientes regulatórios mais previsíveis — fatores essenciais para escalar serviços mais complexos.

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Ao longo das ultimas décadas, outras empresas de diferentes industrias não se sentiram tão atraídas em iniciar suas operações na America Latina.

Foi, de certo modo, assim também com as exchanges de cripto globais. O setor seguiu roadmaps claros:

  • Japão (2017–2019);
  • Coreia do Sul (2019–2021);
  • Europa Central e CIS (2020–2022);
  • Sudeste Asiático (2022–2024); e
  • Emirados Árabes Unidos (2023–2025).

Somente após esses mercados estarem devidamente estruturados, a atenção se voltou para a América Latina, com o Brasil naturalmente ganhando destaque pelo tamanho e liquidez de seu mercado.

Eu vivi isso de perto. Em 2021, fui contratado para assumir a posição de primeiro country manager de uma dessas grandes exchanges no Brasil. Naquele momento, o país já apresentava volume e liquidez relevantes, mas o mercado cripto ainda engatinhava — uma condição que explica por que a atenção das exchanges globais se intensificou apenas anos depois.

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É incrível ver como, em menos de cinco anos, o ritmo de desenvolvimento se acelerou e o progresso que já alcançamos se tornou visível. Isso ficou claro entre 2024 e 2025, com grandes players aumentando significativamente seus investimentos na região.

No entanto, não é apenas infraestrutura e ambiente de negócios que impactam a avaliação de mercado por parte das empresas. No caso da indústria cripto, o estágio de educação financeira e cultura de investimentos é um fator crucial para o desenvolvimento do mercado.

Nessa área, a América Latina ainda dá os primeiros passos.

Brasil é protagonista

Verdade seja dita: o Brasil se destaca na região. A população tem maior acesso a contas bancárias, cartões e meios digitais de pagamento, e há uma base relativamente sólida de conhecimento sobre produtos financeiros em comparação a países como México ou Venezuela, onde uma parcela significativa da população ainda está fora do sistema bancário formal.

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Ainda assim, há espaço para avançar, especialmente em conceitos mais sofisticados de investimento e gestão de risco — elementos essenciais para expandir a adoção de produtos cripto de forma estruturada e sustentável.

Um excelente termômetro do estágio do mercado cripto no Brasil é a popularidade das stablecoins. O país movimenta mais de US$ 318 bilhões em criptoativos anualmente, mas cerca de 90% desse volume está concentrado em stablecoins como USDT e USDC.

Isso não é negativo: essas moedas cumprem papéis fundamentais, como facilitar pagamentos, proteger contra a volatilidade cambial, viabilizar remessas internacionais e garantir acesso a dólares em economias historicamente instáveis.

Ao mesmo tempo, essa predominância evidencia que ainda há avanços a serem feitos no mercado: o uso intensivo de stablecoins reflete limitações do sistema financeiro tradicional e a busca por alternativas mais eficientes, mas não necessariamente uma adoção ampla de produtos cripto mais sofisticados.

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Em mercados onde a adoção institucional, por exemplo, já avançou, provedores como Matrixport, Fireblocks e Circle focam em derivativos cripto, tokenização de ativos regulamentados, prime brokerage e custódia corporativa.

Colocando a lupa sobre o Brasil, é possível perceber um contraste claro: o país possui escala, liquidez e um varejo sofisticado, mas ainda está construindo a infraestrutura institucional necessária para sustentar a próxima fase de adoção. Nesse contexto, as stablecoins não são um problema — ao contrário, funcionam como uma bússola valiosa.

O desafio agora é transformar esse uso funcional em uma ponte para produtos mais complexos e capital institucional, posicionando o país como um polo relevante de inovação financeira.

E a Lição de Jihan Wu

A trajetória de Wu mostra que mercados que lideram a próxima onda são aqueles que constroem cedo: tecnologia, regulação funcional, instituições preparadas e capital de longo prazo.

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O Brasil tem escala, talento e demanda. O desafio é transformar volume em sofisticação e crescimento em protagonismo, exigindo antecipação, não reação.

A pergunta, portanto, não é por que o país demorou a entrar no radar global, mas como deixar de entrar sempre depois.

Mercados que constroem infraestrutura deixam de ser apenas parte do roadmap de expansão de terceiros e passam a influenciar, de fato, o rumo da inovação global.

*Nota: As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor.

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Country Manager do Brasil na Bitget
Guilherme Prado é um profissional que revolucionou o mercado de exchanges nos últimos 4 anos. Atuando tanto no mercado de varejo como no mercado institucional. Graduado entre os 10% melhores alunos na Gardner Webb University (2015) EUA, Prado ja trabalhou em algumas das maiores empresas do mundo como Serasa, PayPal e Bybit. Atualmente é o Country Manager do Brasil na Bitget, quarta maior exchange de criptoativos do mundo.
Guilherme Prado é um profissional que revolucionou o mercado de exchanges nos últimos 4 anos. Atuando tanto no mercado de varejo como no mercado institucional. Graduado entre os 10% melhores alunos na Gardner Webb University (2015) EUA, Prado ja trabalhou em algumas das maiores empresas do mundo como Serasa, PayPal e Bybit. Atualmente é o Country Manager do Brasil na Bitget, quarta maior exchange de criptoativos do mundo.
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