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Ações brasileiras tem potencial de subir até 50%, mas Morgan Stanley diz que há uma condição para a primavera chegar por aqui

22 out 2026, 16:57
Brasil economiaBolsa Brasil ações mercado
Montagem com um fundo de gráfico de ações e a bandeira do Brasil

A festa da bolsa brasileira ainda não acabou — pelo menos para o Morgan Stanley. Em relatório divulgado nesta quarta-feira (21), os estrategistas Nikolaj Lippmann, Julia Leao Nogueira e Marcos Rios afirmam que o Brasil lidera os retornos das ações na América Latina e que ainda existe espaço para ganhos.

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Mas há uma condição para isso: o potencial de cerca de 50% só vale no cenário otimista do banco, que depende de reformas fiscais e de juros mais baixos.

A tese central é de reequilíbrio. Para o banco, primeiro vem o ajuste fiscal, depois a transição para juros mais baixos e mais investimento. O trio de estrategistas lembra que o país ainda se apoia muito nas exportações de energia e agricultura.

Por que o Brasil lidera

O desempenho vem da compressão do prêmio de risco, que acaba elevando todos os barcos, segundo o Morgan Stanley.

Em português claro: quando os investidores passam a exigir menos retorno extra para ficar expostos ao Brasil, os preços dos ativos sobem de forma generalizada.

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Os estrategistas dizem que o movimento ganhou força depois do resultado inesperado do primeiro turno das eleições presidenciais — um sinal disso é que cerca de 75% das ações da B3 negociam acima da média móvel de 200 dias.

Na outra ponta, esse indicador caminhou no sentido oposto no MSCI Emerging Markets e no S&P 500 nos últimos meses. Para o banco, isso mostra que o Brasil está no estágio de alargamento da alta, e não concentrado em poucos papéis.

Quanto ainda dá para ganhar

O Morgan Stanley projeta mais cerca de 10% de alta do Ibovespa até o fim do ano e um retorno esperado de cerca de 20% até meados de 2027, no cenário otimista.

O banco também olhou o potencial das empresas voltadas ao mercado doméstico, excluindo as exportadoras de commodities, porque o cenário-base delas normalmente não depende das políticas internas.

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A conclusão: ainda há cerca de 50% de potencial de valorização em dólares no cenário otimista dos analistas. Os setores com maior potencial são utilities (energia e saneamento), com cerca de 60%, e financeiro, com cerca de 55%.

Vale lembrar, no entanto, que no cenário-base, a alta estimada para o conjunto das domésticas é de apenas 6%. Os 50% dependem de o cenário otimista se confirmar. O cálculo em dólares também embute um dólar a R$ 4,50 nesse caso.

Entre as ações individuais, os estrategistas destacam Nubank (+99%) e Axia Energia (+92%) como apostas de alta convicção, com recomendação overweight (equivalente a compra).

Na lista das maiores altas potenciais em dólares entre as domésticas aparecem ainda Light (165%) e Banco do Brasil (121%).

O que precisa dar certo

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O Morgan Stanley chama o cenário otimista de primavera, e a narrativa se apoia em três pilares:

  • Queda dos juros básicos;
  • Mudança para políticas mais favoráveis ao investimento em vários países da região;
  • Pivô dos EUA em política e governança, que acelera a chamada multipolaridade e abre oportunidades para as economias latino-americanas.

No Brasil, o cenário depende de o governo implementar reformas fiscais: racionalização de gastos, mudança na regra de reajuste do salário mínimo e avanço da reforma administrativa.

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O investidor local pode entrar na festa

O banco vê ainda um gatilho extra: o investidor brasileiro.

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Os fundos de ações domésticos representam apenas 4% do patrimônio total dos fundos, e os estrangeiros foram os principais compradores marginais nos últimos anos.

Um eventual retorno do investidor local seria um catalisador adicional, segundo o Morgan Stanley, para as ações voltadas ao mercado interno, já que o posicionamento está historicamente baixo.

O caminho fica mais seletivo

O próprio banco avisa que a fase fácil pode estar chegando ao fim.

À medida que o trade de compressão do prêmio de risco se acalma, os estrategistas esperam mais dispersão entre as ações, ao entrarem na fase mais difícil de transição rumo ao que chamam de grande reequilíbrio do Brasil.

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Por isso, a recomendação é seletiva: serviços financeiros e geração de energia, com foco em papéis com potencial até o cenário otimista e pouca exposição a austeridade fiscal e desaceleração econômica.

Neste cenário, os nomes citados pelo Morgan Stanley são XP, Nubank, Axia e B3.

Na carteira modelo do banco para o Brasil, as maiores posições acima do Ibovespa estão em Axia (3,5 pontos percentuais), B3, XP, BTG Pactual e Embraer (3 pontos cada). Petrobras (18,7%), Vale (10,9%) e Itaú Unibanco (10,6%) seguem como os maiores pesos.

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Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.
Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

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