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Ações da Oncoclínicas (ONCO3) caem com continuidade operacional em xeque; veja avaliação após números do 4T25

10 abr 2026, 12:26 - atualizado em 10 abr 2026, 12:26
oncoclínicas
(Imagem: Divulgação)

As ações da Oncoclínicas (ONCO3) reagem negativamente ao balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25). Divulgado com atraso, o relatório mostrou um prejuízo líquido de R$ 1,516 bilhão, aumentando a perda de R$ 759 milhões reportada no mesmo período de 2024.

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As informações, divulgadas dez dias após a previsão inicial, levantam questões sobre a continuidade das operações da companhia. A Oncoclínicas vem passando por um momento de reestruturação, decorrente de uma pressão financeira que levou a companhia de tratamentos oncológicos a recalcular a rota.

O resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado foi de R$ 238,8 milhões no último trimestre de 2025, recuo de 24% sobre o quarto trimestre de 2024. A receita líquida no 4T25 também registrou queda, sendo 12,6% inferior ao mesmo período de 2024, para R$ 1,37 bilhão.

Por volta de 12h05 (horário de Brasília), as ações ONCO3 caíam 5,19%, cotadas a R$ 1,28. Na mínima do dia, até este horário, os papéis chegaram a cair 10,37%. Acompanhe o tempo real.



O JP Morgan destaca que os números do trimestre vieram abaixo do esperado, impactados pela queda de receita, que reflete a redução de volumes diante de uma estratégia recentemente implementada para diminuir a exposição a pagadores de menor qualidade, que exigem prazos de pagamento mais longos.

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Na leitura da equipe de analistas liderada por Joseph Giordano, as limitações no balanço estão restringindo os volumes de serviços, devido à oferta limitada de medicamentos.

Além do resultado abaixo do esperado, os auditores independentes destacaram o capital de giro negativo de R$ 2,3 bilhões, principalmente como consequência do descumprimento de covenants financeiros nos contratos de financiamento.

Covenants nada mais são do que cláusulas contratuais presentes em empréstimos e debêntures que determinam níveis saudáveis em que a companhia deve se manter, como limite de endividamento. É uma maneira de proteger credores de inadimplência.

A Oncoclínicas já vinha sinalizando dificuldade de lidar com os covenants, tendo convocado assembleias gerais de debenturistas de diferentes emissões para deliberar sobre um waiver para um eventual não cumprimento do índice de alavancagem. Um waiver consiste em uma exceção/dispensa à regra.

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Parte dos credores concederam o waiver, no entanto, outros ainda estão em negociação, principalmente no que diz respeito à debêntures mais pulverizadas.

O índice de alavancagem da Oncoclínicas está em 4,3 vezes, acima dos limites de covenants.

Essa quebra levou à reclassificação da dívida de longo prazo para o curto prazo, uma vez que os credores passaram a ter o direito de exigir o pagamento antecipado dessas obrigações.

“Essas circunstâncias, combinadas com outros fatores, indicam uma incerteza relevante que pode ‘levantar dúvidas significativas sobre a capacidade da companhia de continuar operando’, segundo a própria empresa, especialmente diante da ausência de geração de fluxo de caixa livre”, destaca o JP Morgan.

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A continuidade do negócio depende fortemente de apoio externo, como a potencial transação com Porto Seguro (PSSA3) e Fleury (FLRY3), que são partes interessadas na continuidade das operações da Oncoclínicas.

O JP Morgan já esperava uma reação negativa das ações aos resultados, uma vez que nenhum novo plano foi anunciado junto com a divulgação. A recomendação do banco é Underweight (equivalente à venda).

Um quarto trimestre problemático

O BTG Pactual reforça que a Oncoclínicas reportou um conjunto fraco de resultados no quarto trimestre, ainda fortemente impactado pelos desafios operacionais enfrentados pela companhia.

A receita líquida recuou 13% em base anual, para R$ 1,37 bilhão, principalmente afetada pela descontinuidade de serviços para determinados planos de saúde.

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“De forma geral, os resultados reportados foram significativamente impactados por itens não recorrentes, incluindo reversão de provisão de R$ 86 milhões, impairment de R$ 711 milhões, baixa de R$ 214 milhões relacionada a depósitos em um determinado banco e baixa de R$ 375 milhões em ativos fiscais”, avalia a equipe de analistas liderada por Samuel Alves.

Excluindo esses efeitos, bem como operações classificadas como mantidas para venda, o Ebitda ajustado totalizou R$ 205 milhões, queda de 9% na comparação anual e 2% abaixo da estimativa do BTG.

“Por fim, os resultados foram fortemente impactados por esses efeitos não recorrentes, com prejuízo líquido após minoritários de R$ 1,45 bilhão, significativamente pior que o prejuízo de R$ 643 milhões reportado no 4T24. Apesar de uma leve melhora em base anual na margem Ebitda ajustada, a companhia ainda apresentou queima relevante de caixa no trimestre”, avalia o BTG.

Na visão do banco, a Oncoclínicas segue como uma tese de investimento desafiadora, considerando a elevada alavancagem e os riscos de execução relacionados à estabilização das operações e ao controle da queima de caixa.

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Ainda que existam discussões e iniciativas em andamento para endereçar a situação financeira da companhia, a visibilidade ainda é limitada tanto em relação à reestruturação quanto a potenciais soluções.

Neste cenário, o BTG mantém a recomendação Neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 3.

As propostas na mesa

Recentemente, houve o anúncio ao mercado de que o acionista MAK Capital Fund LP estaria interessado em realizar um aporte de aproximadamente R$ 500 milhões na companhia.

A proposta, no entanto, não é a única na mesa, uma vez que a Oncoclínicas e a Porto (PSSA3) já haviam firmado um term sheet (termo de natureza preliminar e não vinculante) para negociar uma potencial constituição de uma nova empresa (NewCo).

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O Fleury (FLRY3) também entrou na jogada, tendo aderido ao termo de compromisso não vinculante originalmente assinado pelas outras duas.

No caso da MAK Capital, o aporte estaria condicionado à convocação de uma assembleia geral extraordinária (AGE) para deliberar sobre cinco tópicos.

O primeiro é a informação e discussão sobre a situação econômico-financeira da Oncoclínicas, incluindo, sem limitação, as medidas adotadas ou em curso para repactuação de vencimentos e proteção da operação.

Somado a isso, o acionista pediu a destituição dos membros do conselho de administração, a fixação do número de membros para compor o conselho durante o mandato em curso e a eleição dos membros do conselho de administração e aprovação da qualificação dos membros independentes.

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Vale destacar que a destituição dos membros do conselho de administração já ocorreu, sendo um dos passos requeridos já cumpridos.

Por fim, o aporte da MAK Capital Fund LP estaria condicionado à indicação do presidente e vice-presidente do conselho de administração.

No caso do termo envolvendo o Fleury e a Porto, a Oncoclínicas aportaria para a nova empresa os ativos e operações que detém relacionadas às clínicas oncológicas, bem como endividamentos e passivos no valor total de, no máximo, R$ 2,5 bilhões.

Já Fleury e Porto investiriam, em conjunto, R$ 500 milhões na nova companhia por meio de uma holding, da qual seriam os únicos acionistas, e por meio da qual passariam a deter o controle da empresa.

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Essa nova empresa emitiria debêntures voluntariamente conversíveis em ações ordinárias de sua emissão (debêntures conversíveis), que seriam subscritas pela holding, pela Porto ou pelo Fleury, observado que a Oncoclínicas teria o direito de também subscrever debêntures conversíveis até o limite de 30% do volume total.

Por fim, as debêntures conversíveis teriam o valor total de R$ 500 milhões, com vencimento em 48 meses do seu desembolso e remuneração equivalente a 110% do CDI, sendo que a conversão poderia ser solicitada a partir do 36º mês da data de emissão, ou se verificado um evento de liquidez da NewCo.

Durante participação em evento do Bradesco BBI realizado na terça-feira (6), a CEO do Fleury, Jeane Tsutsui, recordou que a companhia nasceu como um laboratório de análises clínicas e vem ampliando o leque de possibilidades.

“Oncoclínicas tem esse posicionamento ambulatorial e muito voltado para diagnóstico precoce e tratamento [oncológico]. Portanto, olhando hoje para o nosso posicionamento como Grupo Fleury, tendo uma estrutura de capital sólida, olhamos [para a Oncoclínicas] como uma eventual oportunidade”, disse.

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No entanto, Tsutsui destaca que a companhia não abre mão da disciplina econômico-financeira e leva em consideração a potencial integração em M&As (fusões e aquisições) para capturar as sinergias de uma potencial operação.

Após questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Oncoclínicas também confirmou o recebimento, no dia 24 de março, de uma oferta não vinculante de financiamento da Mak Capital Fund LP, da Lumina Capital Management e da Lumina Fund III GP (as duas últimas, em conjunto “Lumina”) no valor de R$ 100 milhões a R$ 150 milhões.

A proposta se operacionalizaria por meio da constituição pela companhia de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) e da cessão de R$ 200 milhões de recebíveis ao FIDC.

“A oferta Mak/Lumina traz exigências de cessão de recebíveis e garantias inviáveis, tal qual a alienação fiduciária de ações de um hospital que não pertence mais à companhia. Neste momento, a administração está avaliando alternativas de estruturação de uma operação viável, que permita dar prosseguimento à negociação com a Mak e a Lumina”, disse a Oncoclínicas, justificando que não havia razão para divulgar fato relevante sobre o tópico.

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Sobre uma oferta de cerca de R$ 1 bilhão da Starboard, que envolveria aumento de capital e conversão de dívida, a Oncoclínicas afirmou que não há nenhuma oferta (vinculante ou não vinculante) recebida, bem como também não há qualquer documento celebrado sobre o tema ou qualquer aprovação societária.

“A administração da companhia avalia todas as propostas de potenciais operações financeiras que possam endereçar a sua situação econômico-financeira. Reitera, porém, que não há qualquer oferta vinculante ou qualquer documento celebrado com terceiros, senão o termo de compromisso não vinculante celebrado com a Porto Seguro e o Fleury”, diz o documento.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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