Ações da Telefônica Brasil (VIVT3) caem 4% após balanço do 2T26; o que desagradou?
As ações da Telefônica Brasil (VIVT3) operam entre os destaques negativos do Ibovespa (IBOV) no pregão desta terça-feira (28), após a companhia reportar lucro líquido de R$1,57 bilhão referente ao segundo trimestre do ano, um avanço de 17%, dentro do esperado pelo mercado.
O desempenho operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 6,58 bilhões ante R$ 5,93 bilhões na mesma comparação com 2025.
A empresa, maior grupo de telecomunicações do país e controlada pela espanhola Telefónica, teve expansão de 7,6% na receita líquida, para R$ 15,76 bilhões, no segundo trimestre sobre um ano antes, puxada pelo faturamento com telefonia móvel, que avançou 6,6%.
Por volta de 11h (horário de Brasília), as ações VIVT3 recuavam 4,06%, cotadas a R$ 34,52, em um dia positivo para o principal índice da Bolsa brasileira . Acompanhe o tempo real.
Analistas do Citi já esperavam alguma pressão sob as ações no pregão desta terça, já que a dinâmica mais fraca de geração de caixa e mais uma frustração recorrente com o lucro devem superar as tendências operacionais saudáveis.
Para o banco, esse movimento pode ser intensificado pelo desempenho relativamente forte da ação nas últimas semanas, às vésperas da divulgação dos resultados.
O que desagradou
Para o Bradesco BBI, seria injusto classificar o resultado da dona da Vivo como negativo, uma vez que a companhia acelerou o crescimento da receita de serviços e manteve um desempenho resiliente em serviços móveis, inclusive, com a melhor dinâmica entre as três grandes operadoras, na leitura dos analistas.
Os analistas pontuam que, com exceção dos custos de arrendamento, a Vivo apresentou tendências positivas na maior parte das linhas de custos e despesas, incluindo controle de inadimplência, o que sustentou crescimento robusto de Ebitda e lucro no comparativo anual.
“Ainda assim, os desvios frente às nossas estimativas em Ebitda, lucro líquido e geração de caixa não podem ser ignorados, pois essas linhas são relevantes para os principais múltiplos do setor, como P/L, dividend yield e FCF yield. Com isso, vemos risco de revisões negativas nas estimativas do consenso”, dizem os analistas.
Neste cenário, o BBI avalia que a leitura para a ação no curto prazo tende a ser mais cautelosa, especialmente após a recuperação recente dos papéis e o desempenho superior frente à TIM.
“Apesar do crescimento resiliente da receita móvel e da melhora em FTTH, o ambiente competitivo segue intenso, limitando uma visão mais otimista para a trajetória de crescimento”, diz a casa, que permance com recomendação permanece, com preço-alvo de R$ 39.
Já na visão do BTG Pactual, a companhia de telecomunicações é o claro destaque do setor, com o posicionamento premium reforçando. Os analistas chaama atenção para o crescimento acelerado da receita de serviços e expansão da margem de Ebitda no trimestre.
A receita de serviços cresceu 6,4% na comparação anual, para R$ 14,7 bilhões, ficando ligeiramente acima da estimativa do banco.
“O crescimento foi impulsionado principalmente pela sólida receita de serviços móveis (MSR), com a Vivo se destacando como a única grande operadora de telecomunicações brasileira que não registrou desaceleração no crescimento da MSR (um resultado tranquilizador após os números abaixo do esperado da Claro na semana passada)”, dizem os analistas.
As receitas de telefonia fixa também permaneceram fortes, com o crescimento acelerando de 5% no primeiro trimestre para 6% no segundo.
Na visão do BTG, a Telefônica Brasil é uma excelente empresa para investidores que buscam opções mais seguras
“A companhia combina um modelo de negócios resiliente, forte posicionamento competitivo, robusta geração de caixa e expressivo retorno aos acionistas, o que a torna uma das empresas de maior qualidade do mercado brasileiro”, dizem os analistas, que têm recomendação de compra para as ações VIVT3, com preço-alvo de R$ 31.
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Resultados mistos?
Analistas do Itaú BBA avaliam os resultados do segundo trimestre de 2026 da Telefônica Brasil como mistos, tendo em vista um forte desempenho da receita de serviços móveis, mas lucro líquido decepcionante.
O Ebitda superou a projeção da casa em 1%, impulsionado principalmente por R$ 202 milhões em vendas de ativos, que contribuíram para uma expansão de 130 pontos-base na margem em relação ao ano anterior. Excluindo o efeito de “Outros”, o Ebitda ainda ficou 1% acima da estimativa, mas a margem veio 20 pontos-base abaixo do que o BBA projetava, em 41,8%.
Esse desempenho foi mais do que compensado por despesas com depreciação e amortização (D&A) maiores que o esperado, que ficaram 7% acima da estimativa do BBA e cresceram 8% na comparação anual, refletindo a consolidação da FiBrasil e a continuidade dos investimentos em 5G, FTTH e infraestrutura de backbone.
Como resultado, o lucro líquido ficou 11% abaixo da estimativa da casa, também pressionado por uma alíquota efetiva de impostos superior ao esperado.
“A Vivo continua apresentando um crescimento sólido da receita de serviços móveis e avançando em sua estratégia de convergência, reforçando a qualidade de sua execução em um ambiente competitivo e macroeconômico mais desafiador”, dizem os analistas. A recomendação do BBA é market perform, equivalente à neutra, com preço-alvo de R$ 38.
O que fazer com as ações da Telefônica Brasil
| Banco/Corretora | Recomendação | Preço-alvo |
| BTG Pactual | Compra | R$ 31 |
| Bradesco BBI | Neutra | R$ 39 |
| Safra | Outperform | R$ 42 |
| Itaú BBA | Neutra | R$ 38 |
| Citi | Neutra | R$ 37 |