IPO

Adiamento dos IPOs da Anthropic e OpenAI pode desacelerar o setor de tecnologia?

29 set 2026, 14:49
Ilustração com o logotipo da OpenAI 11 de junho de 2026 (Imagem: REUTERS / Dado Ruvic)
Ilustração com o logotipo da OpenAI (Imagem: REUTERS / Dado Ruvic)

A inteligência artificial tem dominado o debate público mundial, principalmente, com os pedidos recentes de desaceleração no desenvolvimento da ferramenta. Na esfera do mercado financeiro, a grande questão que preocupa investidores é o retorno frente aos gastos com IA das big techs — e a possível existência de uma bolha.

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Nesse contexto mais turbulento, a Anthropic e a OpenAI decidiram adiar suas ofertas públicas inicias de ações (IPO, em inglês).

O IPO da Anthropic estava previsto para acontecer ainda em outubro deste ano. No início de setembro, porém, a companhia remarcou a estreia na bolsa de valores para novembro. No caso da OpenAI, seu CEO, Sam Altam, confirmou que o IPO não acontecerá neste ano.

Como consequência, o mercado tem se questionado: esses adiamentos podem atrapalhar o desempenho do setor de tecnologia neste ano?

Para Maria Irene Jordão, estrategista global da XP, a resposta é não, tanto para os possíveis impactos nas companhias, quanto nos mercados.

Adiamento do IPO da OpenAI: cautela ou preparo de terreno?

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Em junho deste ano, a SpaceX, companhia aeroespacial de Elon Musk, lançou seu IPO. A chegada da empresa na Nasdaq angariou cerca de US$ 75 bilhões (R$ 390 bilhões), um recorde histórico.

A alta, porém, foi seguida de uma queda que levou as ações da SpaceX para o valor mais baixo desde o IPO.

Com uma turbulência ainda mais forte, resultado do debate sobre inteligência artificial, alguns investidores voltaram a questionar a possibilidade de uma bolha de IA.

Por isso, a cautela com o IPO da OpenAI passou a ser interpretada de duas maneiras:

  1. A companhia busca aprimorar suas tecnologias ou
  2. Ela quer preparar melhor o terreno para evitar um cenário parecido com o que aconteceu com a empresa de Elon Musk.
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Jordão argumenta que é um pouco dos dois. Além disso, ela diz que a OpenAI tem uma questão de “atingimento de um determinado valuation antes do IPO e uma competição com a Anthropic”.

Na avaliação da estrategista, o cenário da SpaceX não foi ruim, mas um comportamento natural após a euforia inicial.

Aumento de juros pelo Fed pode ser pedra no trajeto da corrida?

Os Estados Unidos passam por um momento que indica de um ciclo de aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed). Por isso, há a dúvida se essa alta pode ser uma pedra no trajeto da corrida por IPOs.

Para Jordão, os impactos para as empresas de tecnologia podem ser de “um efeito de segunda ordem”. Eles estão mais relacionados aos data centers, ao sentimento geral quanto as questões de segurança e aos financiamentos de longo prazo.

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“A dificuldade na questão do financiamento, diminuindo um pouco pelo apetite ao risco e ao investimento no geral dentro da cadeia que pode levar à frente a uma desaceleração do ciclo e, consequentemente, das perspectivas das empresas que vai fazer IPO, que podem esperar por um momento mais propício.”

Adiamentos vão atrapalhar desempenho do setor de tecnologia?

A estrategista acredita que o adiamento é uma postura mais prudente e que isso poderia, até mesmo, beneficiar as companhias.

Apesar de aumentar o fluxo de compra, a entrada das empresas na bolsa poderia deixar os índices “ainda mais vulneráveis a movimentações da cadeia de inteligência artificial no longo prazo”, segundo Jordão.

Por isso, ela não enxerga os adiamentos, necessariamente, como negativos.

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Diante do cenário, a especialista afirma que ainda enxerga que ainda “há capacidade de absorção”.

*Sob supervisão de Renan Dantas

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Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Atualmente, estagia como redatora de notícias no Money Times e no Seu Dinheiro. Antes, trabalhou no site da Empiricus, onde cobriu empresas e investimentos.
Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Atualmente, estagia como redatora de notícias no Money Times e no Seu Dinheiro. Antes, trabalhou no site da Empiricus, onde cobriu empresas e investimentos.

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