Natura (NATU3): Reestruturação marca novo ciclo e fortalece preço de referência, diz BTG
A Natura (NATU3) anunciou uma reestruturação relevante do conselho e um compromisso de compra da Advent International, na noite de ontem (30).
Para o BTG Pactual, a nova organização da governança representa “um novo ciclo” para a companhia, com uma estrutura de liderança mais moderna. A expectativa é que isso melhore a agilidade na tomada de decisões e a execução estratégica.
“A medida foi bem recebida pelos investidores, pois reforça a transição para uma estrutura de governança mais moderna, o que pode aumentar a agilidade na tomada de decisões e na execução estratégica. Trata-se de uma mudança simbólica importante após um período de complexidade e transformação”, dizem os analistas do banco.
Em relação à participação da Advent, o BTG aponta que isso cria um referencial de preço no curto prazo, reduzindo a percepção de risco de baixa. “É importante notar que isso não deve ser interpretado como um piso ou teto absoluto, mas sim como um nível de referência”, afirma.
No entanto, banco ressalta que a reprecificação sustentável ainda depende da execução. Segundo os analistas, a recuperação do crescimento da marca Natura no Brasil, a execução da estratégia “Wave 2” da Avon, especialmente seu impacto em crescimento e margens e a geração de valor tangível com a entrada da Advent são os fatores principais para perpetuar um crescimento.
Na visão do BTG, os anúncios melhoram o sentimento do mercado e reduzem as incertezas, mas o potencial de valorização a longo prazo depende essencialmente dos fundamentos da companhia.
Em reação às mudanças, NATU3 liderava a ponta positiva do Ibovespa Ibovespa (IBOV) na manhã desta terça-feira (31), em alta de cerca de 9,85% com os papéis no valor de R$ 10,15.
Reestruturação da Natura
A Natura informou que os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos apresentarão renúncia ao conselho de administração para migrar a um novo conselho consultivo — órgão sem poderes executivos que ficará responsável por preservar valores e legado da empresa — sujeita à aprovação na assembleia geral ordinária e extraordinária (AGOE) de 2026.
Fábio Barbosa, que já foi CEO da Natura, também seguirá para esse conselho consultivo, se eleito.
Paralelamente, os principais acionistas assinaram um acordo com prazo de 10 anos, mantendo suas participações.
Já a Advent deve comprar entre 8% e 10% das ações no mercado por um preço‑alvo médio de R$ 9,75, em até seis meses.
Se a operação for concluída, o fundo poderá indicar dois conselheiros e integrar alguns comitês, mas não terá direito de veto nas decisões da companhia nem obrigações de voto conjunto com os blocos acionistas, exceto sobre composição da administração.
*Com supervisão de Juliana Américo