Alcolumbre diz que, se houver pedido para acelerar jornada 6×1, vai colocá-lo para votação
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que ainda não recebeu nenhum requerimento para acelerar o andamento da proposta de fim da escala 6×1 e que poderá colocar o pedido para votação somente se alguém o fizer. As declarações ocorreram durante a tarde desta quarta-feira, 7, no Congresso Nacional, em entrevista a jornalistas.
“Hoje, eu não tenho nenhum requerimento de calendário especial. Hoje, eu não tenho nenhum requerimento de quebra de interstício”, afirmou o parlamentar. “Não tenho na Mesa. Eu não posso deliberar. Se aparecer um requerimento na Mesa para quebrar o interstício após a votação em primeiro turno ou para um calendário especial para a gente deliberar sem a discussão das outras quatro sessões, eu como presidente do Senado vou submeter ao voto.”
Procurado pelo Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), a assessoria da liderança do governo no Senado informou que ainda estão sendo recolhidas as assinaturas para apresentar o requerimento a Alcolumbre. Na prática, a eventual aprovação desse requerimento pode ajudar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a se beneficiar politicamente do fim da escala 6×1 antes da eleição de 25 de outubro contra Flávio Bolsonaro (PL).
A votação antes da eleição preocupa a oposição, que admite que a aprovação da matéria neste momento ajuda Lula. Os apoiadores de Flávio, portanto, pressionam Alcolumbre para adiar a análise do projeto de fim da escala 6×1, que permite a redução da jornada e da escala sem a redução de salário. Flávio tem defendido outra proposta, que permite a redução de salário caso a jornada seja reduzida.
Aos jornalistas, Alcolumbre afirmou que segurou a votação até a eleição legislativa de 4 de outubro, para não prejudicar os senadores que concorriam à reeleição. Agora, segundo o presidente do Senado, “todos estão livres” para votar de acordo com a própria consciência. Ele afirmou ainda que “não pode ter uma versão” de que a PEC não pode ser apreciada antes da eleição de 25 de outubro.
“As eleições do dia 4, que era meu compromisso não votar, já se passaram”, disse Alcolumbre. “O que eu tiver em mãos, vou deliberar.”