Economia

Além do petróleo, outro fator pode fazer pressão na inflação brasileira e desafiar juros

05 mar 2026, 14:56 - atualizado em 05 mar 2026, 14:56
Vagas temporárias, emprego, economia, natal
(Imagem: Sukanant's/Canva)

Nem só o petróleo amedronta a inflação. Os dados do mercado de trabalho divulgados nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelaram que outro fator também precisa entrar no radar: a expansão da renda das famílias, que bateu recorde.

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O rendimento real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.652, o maior patamar da série histórica, com avanço de 2,8% no trimestre e 5,4% na comparação anual. Já a massa de rendimento real habitual, que soma os salários de todos os trabalhadores, alcançou R$ 370,3 bilhões, também um recorde.

Ao mesmo tempo, os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) indicaram que a taxa de desemprego ficou em 5,4% no trimestre móvel encerrado em janeiro, patamar ainda baixo para os padrões históricos do período.

Na avaliação de Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, os números reforçam a resiliência do emprego no país. Segundo ele, fatores estruturais, como mudanças demográficas e a expansão de novas formas de trabalho, tendem a manter a taxa de desemprego abaixo do nível neutro estimado para a economia.

Leitura semelhante tem Rodolfo Margato, economista da XP Inc. Para ele, os dados reforçam o diagnóstico de mercado de trabalho apertado, com desemprego em níveis historicamente baixos e renda em trajetória de crescimento, o que deve continuar sustentando o consumo das famílias nos próximos meses.

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Já Claudia Moreno, economista do C6 Bank, avalia que o dinamismo do mercado de trabalho também traz implicações para a política monetária. Segundo ela, embora esse cenário seja positivo para a atividade econômica, também dificulta o controle da inflação, principalmente de serviços.

E os juros com isso?

O quadro de desemprego baixo e renda em alta também tem implicações diretas para a trajetória dos juros no país.

Na avaliação de Moreno, a projeção do banco é que o Comitê de Política Monetária (Copom) inicie o ciclo de cortes de forma gradual na próxima reunião – marcada para os dias 17 e 18 de março – com redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião.

Já a Genial Investimentos avalia que os números confirmam a robustez do mercado de trabalho, mas não devem impedir o início do afrouxamento monetário. Segundo ele, a expectativa é de que o Copom comece a reduzir a Taxa Selic na reunião de março, com um corte inicial de 0,5 ponto percentual, refletindo os avanços recentes no processo de convergência da inflação à meta.

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O economista da XP Inc. disse que a taxa de desemprego segue significativamente abaixo do nível considerado neutro para a economia, o que mantém o mercado de trabalho apertado. Esse cenário, segundo ele, tende a sustentar o crescimento da renda disponível das famílias e pode limitar a velocidade de queda dos juros ao longo dos próximos trimestres.

O que esperar para os próximos trimestres

Apesar da força atual, economistas avaliam que o mercado de trabalho pode apresentar uma moderação gradual ao longo de 2026, refletindo os efeitos defasados da política monetária mais restritiva.

Na avaliação da Genial Investimentos, alguns indicadores antecedentes já sugerem uma estabilização da queda do desemprego. Ainda assim, a taxa deve continuar significativamente abaixo do nível neutro, o que tende a sustentar o crescimento real da renda.

Projeções da casa indicam que a taxa de desemprego pode subir para cerca de 5,7% nos próximos trimestres móveis, refletindo principalmente efeitos sazonais do início do ano.

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Já a XP Inc. projeta que o desemprego termine 2026 em torno de 5,6%, avançando para 6,2% em 2027, ainda em patamares relativamente baixos na comparação histórica.

Mesmo com esse ajuste, a avaliação predominante entre economistas é que o mercado de trabalho seguirá como um dos principais pilares da atividade econômica, sustentando o consumo das famílias e mantendo o cenário inflacionário no radar do Banco Central.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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