Petróleo

Alta do petróleo: de que forma o conflito entre EUA e Irã impacta a dinâmica dos preços?

02 mar 2026, 16:56 - atualizado em 02 mar 2026, 17:04
Petróleo EUA china
(Foto: Reuters/Eli Hartman)

O preço do petróleo disparou após os ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último final de semana. Como resposta, Teerã lançou ataque retaliatório a bases norte-americanas no Oriente Médio. Com a escalada da tensão, o Estreito de Ormuz, responsável por 20% da rota comercial marítima de petróleo e gás natural, foi fechado.

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Analistas apontam os riscos altistas para os preços do petróleo com o fechamento do Estreito de Ormuz por período prolongado e destacam que a resiliência do regime iraniano pode introduzir incerteza adicional ao cenário.

O petróleo negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril fechou nesta segunda-feira (2) em alta de 6,28%, a USS$ 71,23 o barril. Já o Brent para maio subiu 6,68%, a US$ 77,74 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).

Choques geopolíticos têm geralmente curta duração, mas há incerteza adicional

O Citi considera que o preço do petróleo pode subir para a faixa de US$ 80 a US$ 85 por barril, impulsionado pelo ataque norte-americano e israelense ao Irã e pelas hostilidades regionais subsequentes.

Embora choques geopolíticos históricos tenham sido de curta duração, o Citi aponta que a situação atual — incluindo possíveis fechamentos do Estreito de Ormuz e a resiliência do regime iraniano — introduz incerteza adicional.

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“Acreditamos que o próprio petróleo é o instrumento de hedge mais confiável para clientes preocupados com interrupções prolongadas no fornecimento”, destaca o Citi.

Adicionalmente, o banco destaca que os choques no petróleo podem desancorar agressivamente as expectativas de inflação doméstica nos mercados emergentes.

Isso, detalha, ao considerar o atual posicionamento do mercado com expectativas mais baixas de índices de preços ao produtor e projeções de cortes nas taxas de juros.

Preços de petróleo e gás pressionados

O Goldman Sachs estima, a partir do aumento de 15% nos preços de varejo do petróleo no fim de semana, um prêmio de risco de US$ 18 por barril nos preços de petróleo bruto, o equivalente à projeção do impacto no valor justo de uma paralisação total de seis semanas nos fluxos pelo Estreito de Ormuz.

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O cálculo do banco considera o uso de capacidade ociosa de oleodutos como compensação parcial. Esse impacto estimado é reduzido para uma alta de US$ 4, caso apenas 50% dos fluxos sejam interrompidos por um mês.

O banco pondera, no entanto, que os preços do petróleo podem subir substancialmente mais se o mercado exigir um prêmio pelo risco de interrupções mais persistentes na oferta.

“Estimamos os riscos altistas decorrentes dos desdobramentos no Oriente Médio. Por ora, nossas projeções base para os preços de energia, que assumem ausência de interrupções sustentadas na oferta, permanecem inalteradas”, afirmam os analistas do Goldman Sachs.

Além disso, o banco prevê risco significativo de alta nos preços do gás europeu (TTF) e do GNL à vista (JKM). Em um cenário de fluxos interrompidos no Estreito de Ormuz por um mês, o TTF e o JKM poderiam se aproximar dos 74 euros por megawatt/hora — 130% acima dos níveis atuais.

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O Goldman destaca que o patamar atual desencadeou fortes reações na demanda por gás natural durante a crise energética europeia de 2022. “Vemos risco limitado de alta para os preços do gás natural nos EUA”, acrescentam.

Impacto da alta do WTI nos EUA e no Canadá

O Scotiabank em relatório aponta que, em um cenário de alta persistente de US$ 10 o barril WTI (West Texas Intermediate), o Canadá poderia se beneficiar de um choque positivo nos termos de troca, com alta de 0,5% na atividade no segundo ano de alta da commodity e avanço de 0,2 ponto porcentual nos preços ao consumidor.

Já os Estados Unidos teriam um pequeno ganho líquido, segundo o banco, impulsionado pelo investimento no setor de xisto, o que resultaria em um avanço de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo ano de alta e avanço de 0,3 ponto porcentual nos preços ao consumidor.

“As principais incertezas incluem a duração do choque, a possibilidade de uma fraca correlação entre o déficit em conta corrente e o preço do petróleo, e o potencial aperto das condições financeiras — cada uma dessas variáveis poderia alterar substancialmente o impacto econômico”, avalia o Scotiabank.

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*Com informações de Estadão Conteúdo 

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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