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Alta do petróleo pode diminuir rombo fiscal no Brasil em 2026, aponta XP

04 mar 2026, 12:15 - atualizado em 04 mar 2026, 12:15
Mercados, Petróleo, WTI, Brent, Futuros, AIE opep
(Imagem: REUTERS/Vasily Fedosenko)

A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã adicionou um novo vetor de incerteza às contas públicas brasileiras: o preço do petróleo. Para a XP Investimentos, a alta recente das cotações, impulsionada pelo risco de interrupções na oferta global, pode alterar de forma relevante o cenário fiscal projetado para 2026.

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A casa trabalha com um preço médio de US$ 60 por barril nesse ano, mas reconhece que o ambiente geopolítico tornou esse parâmetro mais incerto. Segundo os economistas, as tensões no Oriente Médio mantêm o petróleo em patamar superior ao considerado nas estimativas de referência.

Em simulação, a XP calculou os efeitos de um choque de US$ 10 no preço do Brent sobre as contas públicas, a inflação e o setor externo. No campo fiscal, o impacto seria positivo: cerca de R$ 10,7 bilhões adicionais nas projeções de receita líquida e no resultado primário em 2026.

O principal canal é a arrecadação ligada à exploração de petróleo. Um aumento de US$ 10 no barril poderia gerar R$ 10,5 bilhões extras em royalties, participações especiais e lucro na venda da commodity. Como 55% a 60% desse montante é repartido com estados e municípios, o ganho líquido para o governo federal ficaria em torno de R$ 4,5 bilhões.

Há ainda o efeito via dividendos e participações societárias, estimado em R$ 3,7 bilhões no ano, caso o preço mais elevado seja repassado aos combustíveis. Esses recursos, diferentemente dos royalties, não são compartilhados com entes subnacionais e tendem a reforçar a amortização da dívida pública.

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No campo tributário, especialmente via Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das empresas do setor, o impacto bruto seria de aproximadamente R$ 5 bilhões, ou R$ 2,5 bilhões em termos líquidos.

“Em suma, um aumento de US$ 10 no preço do petróleo bruto poderia ter um impacto potencial de R$ 10,7 bilhões sobre nossas estimativas de receita líquida e resultado primário”, destaca o relatório.

Com isso, a projeção de déficit primário de R$ 48,9 bilhões para 2026 passaria a ter viés de melhora. O petróleo mais caro funcionaria como uma engrenagem extra na máquina arrecadatória.

O movimento, porém, não é linearmente benigno. O mesmo choque de US$ 10 no barril adicionaria cerca de 0,4 ponto percentual à inflação de 2026. Ou seja, o reforço de caixa pode vir acompanhado de maior pressão sobre preços e, potencialmente, sobre a trajetória dos juros.

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Em um cenário de conflito prolongado, o petróleo poderia ser um fator positivo na equação fiscal, mas caminha lado a lado com riscos macroeconômicos que podem limitar os ganhos no médio prazo.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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