Ambipar, Raízen e Master: As agências de rating erraram? O que os rebaixamentos bruscos revelam sobre o risco no mercado de crédito
O momento é delicado para os credores brasileiros, incluindo investidores em títulos de dívida como debêntures. Em 2025, o número de pedidos de recuperação judicial atingiu recorde, somando 2.466 CNPJs, alta de 13% em relação ao ano anterior, segundo dados da Serasa.
Além das recuperações judiciais, o mercado também registrou liquidações de bancos e recuperações extrajudiciais — acordos diretos com credores homologados posteriormente na Justiça.
Entre os casos de maior repercussão estão a recuperação judicial da Ambipar (AMBP3), a liquidação do Banco Master e a recuperação extrajudicial da Raízen (RAIZ4).
Um dos fatores que ampliou o impacto foi a percepção de que essas empresas eram boas pagadoras, muitas com rating elevado. A Ambipar, por exemplo, possuía rating BB- pela Fitch e pela S&P Global em escala internacional antes de solicitar recuperação judicial.
Já a Raízen tinha avaliação BBB e o Banco Master, com rating A- pela Fitch nacional, serviu de justificativa para a Rioprevidência investir quase R$ 1 bilhão em Letras Financeiras do banco.
Esses episódios reacendem o debate sobre a confiabilidade e o timing dos ratings. Em vários casos, as agências só revisaram as notas após sinais claros de fragilidade financeira, e algumas revisões foram abruptas, passando de grau de investimento a alto risco de calote quase que de imediato.
Na Raízen, por exemplo, em 9 de fevereiro, Fitch, S&P e Moody’s rebaixaram os ratings simultaneamente: a S&P caiu de AA+ para CCC+, a Fitch fez duas revisões no mesmo dia, de AAA para BBB- e depois para CCC.
O Banco Master teve seu rating nacional reduzido de A- para CC entre abril e outubro de 2025, antes de ser liquidado.
Outras empresas, como Braskem (BRKM5) e CSN (CSNA3), passaram por rebaixamentos graduais. No caso da Braskem, a nota caiu de BB para “C” ao longo de 2025, refletindo endividamento crescente, enquanto a CSN passou de A para BBB-, também em escala nacional, com novas revisões previstas.
Especialistas lembram que o rating é relativo e segue metodologia criteriosa, que considera não apenas a nota, mas também perspectiva (positiva, negativa ou estável) e observação do rating. Um rating alto, mas com perspectiva negativa, indica que algo pode estar errado, informação que nem sempre chega ao investidor pessoa física.
Gestores reforçam que fundos de crédito não dependem apenas do rating das agências para decidir investimentos.
Cada instituição realiza análise própria de risco, liquidez e concentração de carteira. Para investidores individuais, a recomendação é diversificar, investir via fundos para ter duas camadas de avaliação e acompanhar notícias e balanços das empresas.
Nos títulos bancários, como CDBs, LCIs e LCAs, é importante respeitar os limites de garantia do FGC.
O rating ajuda a reduzir o risco do emissor, mas não elimina outros riscos, como inadimplência, volatilidade de preço e concentração de carteira. Ainda assim, continua sendo uma ferramenta essencial para decisões de investimento em crédito privado.
*Com informações do Seu Dinheiro