Análise de preço do bitcoin (BTC) — parte 2: aspectos técnicos

17/07/2020 - 9:34
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
Aspectos técnicos para o par BTC/USD indicam uma mudança positiva de tendência, pois o preço à vista está acima da MME de 200 dias e da Nuvem. US$ 8,1 mil é um importante nível de suporte, junto com a Nuvem e cruz Kijun a US$ 7,2 mil. A resistência superior está próxima ao pivô anual de US$ 13 mil. Nas próximas semanas, pode acontecer uma tendência negativa de ponta a ponta na Nuvem diária, com um preço-alvo de US$ 7,2 mil (Imagem: Crypto Times)

Parte 1

Nas últimas 24 horas, o volume de bitcoins negociados em corretoras foi dominado pela negociação em tether (USDT), em que os mercados de dólar americano (USD) representam 15% do volume total.

Tether é uma moeda estável (stablecoin) com um lastro ao dólar americano. Atualmente, stablecoins representam mais de 75% do volume informado de negociações nas últimas 24 horas.

Em vez de apresentar um fundo negociado em bolsa (ETF) nos EUA, a Chicago Mercantile Exchange (CME) lançou futuros de bitcoin firmados em dinheiro no quarto trimestre de 2017. O produto institucional teve altos volumes e posições abertas no último ano, com uma alta recorde no dia 19 de maio.

Futuros de bitcoin da CME (Imagem: Skew)

Futuros de bitcoin firmados em dinheiro ou fisicamente da corretora Bakkt foram lançados em setembro de 2019 e teve volumes crescentes ao longo de 2019, cujo volume e posições abertas vêm crescendo desde abril. Bakkt e CME também lançaram um produto de opções de bitcoin.

Futuros de bitcoin da Bakkt (Imagem: Skew)

O volume global de negociações de mercado de balcão (OTC), na LocalBitcoins.com, caiu entre o fim de 2017 e meados de 2019 e, em seguida, caiu novamente até o início de 2020. O volume nocional global se manteve próximo ou acima de US$ 50 milhões desde o início de 2020.

Em maio de 2019, LocalBitcoins parou de atender o Irã, provavelmente em consequência a sanções americanas e, em junho de 2019, a opção para pagar em bitcoins pessoalmente com dinheiro foi desativada.

A América Latina (marrom) possui a maior porcentagem de volume total nocional, após a leste europeu (laranja).

O Oriente Médio (amarelo) e as regiões da Austrália/Nova Zelândia (cinza) possuem o menor volume nocional, pois ambos tiveram menos de US$ 1 milhão em volume de negociação na última semana.

Volumes nocionais para Venezuela e Colômbia estão em US$ 4,5 milhões e US$ 2,9 milhões, respectivamente. O banco central da Venezuela planeja ter bitcoin em seu sistema de reservas.

(Imagem: UsefulTulips)

Dados mundiais no Google Trends para a busca pelo termo “bitcoin” aumentaram significativamente entre março e junho de 2019, marcando uma nova alta anual.

Desde junho, o interesse pelas pesquisas caiu, mas começou a aumentar um pouco nas últimas semanas, provavelmente resultado do evento de halving na recompensa por bloco.

Provavelmente, o aumento anterior no tráfego de pesquisa é relacionado tanto ao aumento drástico no preço no segundo trimestre como às menções de inúmeros funcionários governamentais dos EUA, incluindo o presidente.

Durante 2018, pesquisas relacionadas a “bitcoin” diminuíram drasticamente. Apesar do interesse decrescente, a pesquisa por “o que é bitcoin” foi a pesquisa “o que é…” mais popular no Google em 2018.

Um breve aumento nas pesquisas por “bitcoin” aconteceu na “bull run” no quarto trimestre de 2017, provavelmente indicando uma grande onda de novos participantes de mercado na época.

Porém, um estudo realizado em 2015 descobriu uma forte correlação entre dados do Google Trend e o preço do bitcoin enquanto um estudo realizado em 2017 concluiu que, quando as pesquisas no Google “bitcoin” aumentaram drasticamente nos EUA, o preço do bitcoin caiu.

(Imagem: Google Trends)

Análise Técnica

Conforme uma recuperação otimista continua a se manifestar após a drástica queda no dia 12 de março, roteiros para futuras movimentações de mercado podem ser encontrados em maiores intervalos de tempo usando Médias Móveis Exponenciais (MMEs), perfil de volume do intervalo visível (VPVR), pivôs anuais, divergências e a Nuvem de Ichimoku.

Clique aqui para mais informações sobre as análises técnicas descritas abaixo.

No gráfico diário para o mercado BTC/USD, o preço à vista relacionado à MME de 50 dias e a de 200 dias pode ser usado como um teste decisivo para a tendência.

No fim de janeiro, a MME de 50 dias ultrapassou a de 200 dias, chamada de  “Cruz de Ouro”, e foi seguida rapidamente por uma “Cruz da Morte” de mercado de baixa no dia 14 de março.

As MMEs de 50 e de 200 dias agora estão abaixo do preço à vista de US$ 9,1 mil e US$ 8,7 mil, respectivamente, após terem completado uma Cruz de Ouro no dia 13 de março.

O perfil de volume do intervalo visível (VPVR) mostra um grande nó de suporte de volume de US$ 8,2 mil (barras horizontais no gráfico abaixo) com um volume relativamente baixo acima dessa área. Além disso, Pontos de Pivô nuais, em US$ 8,1 mil, US$ 13 mil e US$ 18,6 mil, devem atuar como resistência.

A proporção compra/venda da Bitfinex (painel superior do gráfico abaixo) está comprada em 79%, em que compras diminuíram 32% desde o dia 3 de junho. Existe uma grande possibilidade de uma queda de preço caso vendas ultrapassem compras nas próximas semanas.

Historicamente, grande parte dos períodos com significativas posições vendidas apenas impulsionaram maiores preços. Não existem divergências de volume ativo ou de índice de força relativa (RSI), mas RSI atingiu uma nova baixa no dia 12 de março, sugerindo condições de muita sobrevenda.

Considerando a Nuvem de Ichimoku, existem quatro métricas essenciais: o preço atual em relação à nuvem, a cor da nuvem (vermelho para baixa, verde para alta), as cruzes Tenkan (T) e Kijun (K) e o período de atraso (“lagging span”). A melhor entrada acontece quando a maioria dos sinais disparam de baixa para alta, ou vice-versa.

No gráfico diário, as métricas de nuvem indicam uma alta. O preço à vista está acima da Nuvem, então a Nuvem indica uma baixa, assim como as cruzes T/K. O período de atraso está acima da Nuvem e dentro do preço à vista.

A tendência continuará em baixa enquanto o preço à vista continuar abaixo da Nuvem.

Nas próximas semanas, uma negociação negativa de ponta a ponta pode acontecer caso o preço caia na Nuvem e abaixo dos US$ 8.950. A negociação de venda provavelmente atingirá a outra ponta da Nuvem, em US$ 7,2 mil.

Essa movimentação de preço possibilitaria uma inversão do padrão de cabeça e ombros (“head and shoulders pattern”) que está se desenvolvendo desde outubro de 2019.

Correlações com a volatilidade nos mercados financeiros tradicionais também tiveram um impacto significativo no preço do bitcoin. Desde outubro de 2014, altas no índice de volatilidade (VIX) da Bolsa de Opções de Chicago (CBOE) representaram baixas locais no preço do bitcoin.

No último mês, o VIX, ou “o índice de medo”, caiu abaixo de 30, após uma alta de 86, o maior nível desde a Crise Financeira de 2008, quando a métrica atingiu 90 (painel médio no gráfico abaixo).

Os índices S&P 500 e Nasdaq tiveram correlações de 20% e 0% de 30 dias com o bitcoin na última semana, respectivamente (painéis inferiores no gráfico abaixo).

Essas correlações diminuíram significativamente entre janeiro e março quando ambos se aproximaram de uma correlação de 100% com o preço do bitcoin.

Por fim, as datas de início e de expiração dos contratos futuros de bitcoin firmados em dinheiro da CME, lançados em dezembro de 2017, tiveram um impacto significativo no preço. A CME facilita negociações para a maior parte dos contratos derivativos no mundo.

Em julho de 2019, a CME teve seu maior volume nocional até hoje em um único dia para seu produto de futuros de bitcoin, ultrapassando US$ 1,5 bilhão. Historicamente, a volatilidade de preço tende a aumentar drasticamente perto de qualquer data de expiração de um contrato ativo.

O contrato entre os dias 1º de julho e 27 de dezembro renderam uma negociação a curto prazo excelente para todo o contrato, parecido com o contrato bianual do mesmo período em 2018.

O contrato bianual que expirou em 26 de junho teve um aumento de 23% desde sua abertura até seu encerramento apesar da queda do dia 12 de março. 31 de julho é a data para a próxima expiração do contrato, sugerindo que a volatilidade pode aumentar na semana anterior à expiração.

A taxa de hashes e a dificuldade da rede têm sido tão voláteis quanto o preço nos últimos meses, mas ambas estão se aproximando novamente de suas altas históricas.

O terceiro halving na recompensa por bloco aconteceu no mês passado e, provavelmente, vai continuar a atrapalhar os mineradores mais eficientes. Até agora, cinco novos ASICs foram lançados este ano, o que pode ajudar a manter a taxa de hashes elevadas nos próximos meses.

O número de transações por dia caiu drasticamente em meados de março mas, desde então, voltaram a seus níveis anteriores. Endereços mensais ativos atingiram um nível recorde em anos, em que os endereços diários ativos ultrapassaram um milhão diversas vezes este ano.

NVT e MVRV, que são inversamente relacionados à atividade no blockchain, sugerem uma utilidade decrescente ou estagnada em relação à capitalização de mercado nas últimas semanas.

Aspectos técnicos para BTC/USD mostram uma mudança otimista de tendência com o preço atual à vista acima da MME de 200 dias e da Nuvem. Com base em pivôs anuais e em volume, US$ 8,1 mil é um nível de suporte importante, junto com a Nuvem e Kijun em US$ 7,2 mil.

A resistência superior está em suas altas locais e em seu pivô anual de US$ 13 mil. Nas próximas semanas, pode acontecer uma negociação negativa de ponta a ponta na Nuvem diária, com um preço-alvo de US$ 7,2 mil.

Essa ação de preço também ajudaria a completar um padrão de cabeça e ombros que vem se desenvolvendo desde outubro de 2019.

Historicamente, mercados tradicionais também precisarão se estabelecer para que compradores voltem ao mercado cripto.

Nos próximos meses, o bitcoin pode se recuperar tranquilamente conforme o afrouxamento quantitativo e a impressão de dinheiro por bancos centrais aumentam para níveis inigualáveis.

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 17/07/2020 - 9:34

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