Eleições 2026

Análise: Lula é o “vencedor” do debate cancelado da Globo, mas STF pode ter criado um problema para o presidente

02 out 2026, 11:19 - atualizado em 02 out 2026, 11:20
Lula vs Bolsonaro
Uma imagem combinada mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 4 de setembro de 2026, e o candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, em 16 de agosto de 2026 (Imagem: REUTERS/Adriano Machado e Pilar Olivares)

Pode um debate cancelado ter ganhador? A suspensão, na última hora, do encontro final dos candidatos à Presidência pela Rede Globo favoreceu claramente a campanha de Lula. Mas o “craque da rodada” foi o Judiciário, o protagonista indesejado destas eleições.

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O debate da Globo seria a única oportunidade de os eleitores assistirem a um confronto do presidente com Flávio Bolsonaro no primeiro turno, depois de ambos desistirem dos embates anteriores.

Ao anunciar a presença, o senador colocou pressão sobre o petista, mas a campanha do presidente optou por não participar do embate.

A escolha tem fundamento do ponto de vista estratégico. Afinal, Lula seria o grande alvo dos demais candidatos, todos do campo da direita. Por outro lado, a ausência também teria um custo alto: o de ser chamado de “fujão” pelos concorrentes.

A maneira que a campanha de Lula encontrou para neutralizar os impactos negativos do debate foi participar de uma entrevista ao Flow Podcast, no mesmo horário. Até aí, jogo jogado.

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O cenário até o início da tarde de quinta-feira parecia mais favorável a Flávio Bolsonaro. O senador provavelmente sofreria ataques dos adversários que tentaram — pelo menos até agora, sem sucesso — ir para o segundo turno. Mas, a esta altura da corrida eleitoral, parecia um risco calculado para o principal oponente de Lula.

O efeito do Judiciário

O que deveria ser uma disputa meramente política deixou o estúdio e voltou a passar pela Praça dos Três Poderes — mais uma vez, com destino ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Foram três decisões que mudaram por completo o panorama do debate da Globo. Primeiro, com a inclusão de Romeu Zema (Novo) por ordem do ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Horas antes do debate, o TSE voltou a campo ao proibir a Globo de exibir a cadeira ou o púlpito vazio com o nome do presidente Lula na transmissão, como previam as regras.

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Por fim, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou de última hora que a emissora incluísse Renan Santos no debate.

Com a nova configuração e diante da possibilidade do candidato do Missão adotar uma postura de “tudo ou nada” contra ele, Flávio anunciou a desistência, alegando “insegurança jurídica”. Logo depois, a Globo cancelou a transmissão.

Lula venceu, mas vai levar?

Não há dúvida de que o saldo das decisões judiciais favoreceu Lula. Sem o confronto no debate, Lula evitou uma noite em que seria o principal alvo dos adversários e ainda ocupou sozinho o espaço reservado à entrevista no Flow Podcast. Tudo isso na reta final da campanha.

Resta saber qual será a reação do eleitor, principalmente os indecisos. Se as decisões que inviabilizaram o debate forem interpretadas como uma interferência indevida — ou como uma tentativa de proteger Lula —, o ganho de curtíssimo prazo do petista pode se transformar em custo político nas urnas.

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Também não está claro se a campanha de Flávio conseguirá capitalizar essa insatisfação com o STF. Existe ainda a chance de a desistência do debate na última hora ser interpretada como medo de enfrentar um ambiente mais hostil.

Se o vencedor das eleições ainda é uma incógnita, o cancelamento do debate da Globo teve uma perdedora incontestável: a democracia.

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Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista
Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

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