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André Franco: 5 insights sobre o mercado cripto para ganhar dinheiro e evitar perdê-lo

27/01/2020 - 11:30
bitcoin mão
Muitos serviços cripto fazem promessas impossíveis; confira a coluna para não cair em golpes sobre oportunidades “boas demais” (Imagem: Unsplash/@silverhousehd)

Chego na Faria Lima, ligo o notebook, abro o primeiro e-mail, leio, clico em uns três links, leio, paro um pouco pra pensar, leio mais um pouco, faço anotações…

Essa é basicamente 80% da rotina que tenho trabalhando no universo de criptoativos. Na verdade, qualquer pessoa que queira aprender sobre algo ou se tornar um especialista em um assunto precisa enfrentar várias horas de leitura para atingir seus objetivos.

Além dessa dedicação, é necessário gastar um tempo colocando em prática e tirando suas próprias conclusões sobre teses lidas. Não tem atalho.

Com cripto não é diferente. Todo mês alguém de calibre defende uma tese para esse mercado que deve ser colocada à prova e assim refutada ou aprovada. Além das teses, existem alguns ensinamentos que são de extremo valor para navegar nesse mercado e que, quanto antes aprendidos, melhor para o seu bolso.

É sobre eles que quero falar nesse espaço hoje, sobre o que aprendi como investidor desde 2015 e como profissional do mercado desde 2017.

Abaixo, você encontrará cinco insights desse mercado que, além de me ajudarem a ganhar dinheiro, me ajudam a não o perder.

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Não é porque um serviço possui dominância que ele será dominante para sempre; em cripto, não é recomendável confiar em apenas um lado (Imagem: Unsplash/@agent_illustrateur)

1. Não acredite no Tratado de Tordesilhas cripto

O Tratado de Tordesilhas foi assinado em 7 de junho de 1494 e dividiu o mundo entre portugueses e espanhóis.

Em um delírio de soberba, as duas nações se achavam no direito de dividir o mundo e as novas descobertas entre ambas, dado que nenhuma outra tinha conhecimento de navegação tão grande quanto elas.

Em suma, não existia a possibilidade de uma nova terra pertencer a outro país se não Portugal ou Espanha. Se me permite o neologismo, ou você era Portugal ‘terramaximalista’ ou Espanha ‘terramaximalista’.

Coisa parecida acontece hoje no universo cripto.

Dois protocolos dominam as discussões dos investidores e é como se nenhum outro existisse. Os bitcoins maximalistas acreditam que todos os protocolos irão sumir e apenas o BTC irá triunfar.

Por enquanto, a dominância desse protocolo mostra essa direção e dá força a essa tese maximalista.

Em segundo lugar, os ethereum maximalistas, enfraquecidos pelo atual momento de preço so ether, defendem que esse ativo pode se comportar como dinheiro e ainda possibilitar a criação de sistemas descentralizados.

Dessa forma, são um protocolo superior ao bitcoin e, por isso, serão os únicos em um futuro próximo.

Eles podem até estar certos e, no futuro, algum deles ser realmente soberano, mas, como investidor, é crucial que você veja o seu portfólio com mais do que dois ativos.

Ainda estamos em um universo muito novo e em expansão. Assumir que só um desses ativos irá triunfar é um risco enorme para o seu dinheiro e sugiro, a qualquer um, ver essa briga de longe e não apostar em apenas um desses cavalos.

Tenha os dois e sempre busque se manter atualizado sobre o mercado para não perder alguma outra boa tacada.

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Fuja dos esquemas de pirâmide que muito prometem, mas que pouco fazem (Imagem: Pixabay/airechebelkacem)

2. Não é difícil reconhecer uma pirâmide

Logo abaixo, no quarto insight, falarei sobre o principal mecanismo de defesa que você deve ter ao encarar pessoas e empresas do mundo cripto.

“Todo mundo é picareta até que se prove o contrário.” E por viver intensamente essa frase, considero quase impossível as pessoas não perceberem um investimento fraudulento.

Pode até ser que, em algumas ocasiões, você tome o verdadeiro como falso, mas comprar cotas de um investimento do qual não entende muito é ter muita fé naquilo que é falado pelo golpista.

Para poder se defender de 99% dos picaretas, é preciso prestar atenção em algumas dicas anedóticas desse mundo de piramideiros:

Número 1 – Tem “Diamond”, “Rubi”, “Black”, “Double” etc. no nome? Pode colocar na caixinha dos golpistas.

Número 2 – Tem foto com carrão no perfil com discurso de independência financeira e usando várias hashtags desconexas e discurso motivacional? Luz vermelha acesa: grandes chances de ser picareta.

Número 3 – GARANTE rentabilidade muito alta em relação ao mercado através de uma tecnologia que só ele tem, mas não pode revelar como funciona por questão de segurança? GOLPE.

Digo que são sinais anedóticos porque você pode encontrar o número 1 e 3 em negócios idôneos e, de alguma forma, até o 3, por meio de promessas. Mas é como eu já disse anteriormente: é melhor tomar o verdadeiro como falso do que o contrário, ainda mais se tratando de investimentos.

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A frase do célebre escritor pode ser aplicada ao mundo cripto, pois primeiro se desconfia da tecnologia e só depois ela é adotada (Imagem: MultiPessoa)

3. “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”

Essa frase proferida por Fernando Pessoa não tem nenhuma ligação histórica com criptoativos. São de outras épocas e outros anseios.

Fernando Pessoa foi contratado pela Coca-Cola de Portugal para fazer um anúncio da bebida no país e teve a brilhante sacada da frase acima.

A Coca-Cola já tinha sido lançada nos Estados Unidos e tentava adentrar o mercado europeu. Infelizmente, foi proibida e só 50 anos depois da primeira tentativa a bebida entrou no país, em 1977.

Mas apesar de Pessoa não ter nenhuma ligação com Satoshi Nakamoto, nada explica de forma mais sucinta o universo cripto do que a frase: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

Realmente, é um universo difícil de ser digerido ao primeiro momento (ESTRANHA-SE) e, por muitas vezes, assusta, mas, aos poucos, vai se tomando ciência do que se trata e então se mergulha como se não tivesse mais volta (ENTRANHA-SE).

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Desconfie de tudo e de todos, pois é o seu dinheiro que está em jogo (Imagem: Pixabay/mohamed_hassan)

4. Todo mundo é picareta até que se prove o contrário

No Direito, existe a presunção da inocência que estamos acostumados a ver quando alguém é acusado de um delito. Ela garante que quem acusa tem que apresentar as provas para isso, e não o contrário. O acusado ter que provar inocência.

E em uma linguagem que até minha avó entenderia: só acuse alguém se tiver provas para isso. Do contrário, fique calado.

Por outro lado, se você for acreditar em tudo o que falam pra você relacionado ao ecossistema cripto, presumindo inocência de todos, seu bolso tá [email protected]#$%.

Nesse mercado, a nossa defesa é assumir que “todo mundo é picareta até que se prove o contrário”. Tá cheio de golpista por aí usando do nome “criptomoedas” e “bitcoin” que lotaria um Maracanã antes da reforma.

Por isso, a melhor postura que você deve tomar é a defensiva e desconfiar de todo mundo que lhe apresente um investimento maravilhoso e sem risco. Melhor tomar o verdadeiro como falso do que o falso como verdadeiro. Seu bolso vai agradecer.

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A tecnologia do Bitcoin permite que sua natureza seja sempre alterada, então há recursos que ainda não conhecemos (Imagem: Pixabay/geralt)

5. Bitcoin é um ativo transmorfo

Dificilmente você vai ver isso em alguma outra classe de ativos.

Apesar do bitcoin ter nascido primeiramente como uma tecnologia focada em transações P2P (peer-to-peer), como um dinheiro digital, essa tese vem se transformando ao longo do tempo por suas características intrínsecas e únicas.

Depois da concepção inicial de dinheiro digital mundial, a rede passou por um problema de processamento de transações que, em 2017, colocou o preço médio de uma transação em US$ 50, o que inviabilizou qualquer defesa de dinheiro digital.

Foi então que a visão de reserva de valor, que andava fora de moda, emergiu novamente.

Por consequência, o discurso de ouro digital ganhou força e, até o momento, segue firme, inclusive com a campanha “drop gold” (deixe o ouro), da Grayscale, que foi nessa linha de tentar convencer o investidor institucional dessa tese do ouro digital.

Por outro lado, nada garante que essa nova visão não possa mudar mais pra frente e trazer uma nova característica do bitcoin até então não discutida.

Olhando além do ponto da discussão, o que me faz crer ainda mais no potencial futuro dessa tecnologia inventada por Satoshi Nakamoto é que uma inovação, quando realmente grande, traz novas percepções e necessita que as definições do mundo sejam atualizadas.

Assim como a internet, que não foi apenas uma nova forma de telefone; o carro, que não era apenas um cavalo mais rápido; ou a eletricidade, que também não era só um combustível para luz.

Quando uma inovação bate à porta, sempre tentamos encaixá-la em nossas experiências prévias, mesmo que não seja possível.

Espero que esses insights ajudem você, de alguma forma, a conseguir navegar com mais cuidado pelo universo cripto que, com certeza, não é para amadores.

E você, o que acha? Tem algum insight diferente desse mercado? Então entra em contato comigo pelo Instagram e me diga.

Abraço e até a próxima.

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 29/02/2020 - 0:55