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André Franco: duas teses de investimento que vão além do halving deste ano

03/02/2020 - 12:34
investimento estatísticas gráfico análise
É importante ler as teses de investimento de grandes fundos do universo cripto para saber quais são as possíveis e futuras tendências dessa indústria (Imagem: Freepik/mindandi)

Este ano, a comunidade cripto inteira tem grandes expectativas quanto ao preço que o bitcoin pode atingir devido ao halving, que acontece em meados de maio. O halving é um evento programado que acontece a cada 4 anos no protocolo do bitcoin e reduz, pela metade, a criação de novos bitcoins.

Esse evento é aguardado porque existe uma linha de pensamento no mercado que reza que esse choque de oferta levaria a uma maior escassez do ativo que, por consequência, seria responsável por levar os preços do ativo às alturas.

Apesar de não acreditar muito na tese como catalisador de preço, acredito fortemente que o ano de 2020 vai ser muito bom em questão de preço para o mercado inteiro.

Por outro lado, não me considero um investidor de tiros curtos e pretendo ficar alocado nesse mercado por muito tempo. Por isso, a minha visão de futuro de mercado é bem mais ampla do que apenas o halving do bitcoin ou a oportunidade de um dinheiro digital peer-to-peer.

Acredito que o bitcoin seja aquilo que o e-mail foi para o início da internet. Por muito tempo, enviar mensagens por meio da rede foi o “killer app”, mas, com o passar dos anos, outras melhorias foram acontecendo até a internet estar em tudo o que tocamos.

Da mesma forma vejo os futuros desdobramentos da tecnologia blockchain e dos criptoativos.

E duas teses de dois fundos de investimento em cripto me fizeram abrir a cabeça nesse sentido: a da Multicoin Capital, de Kyle Samani, e a da Placeholder, de Chris Burniske e Joel Monegro.

Por isso, gostaria de apresentar, de forma resumida, suas teses, para que você também se abasteça desse conhecimento e veja o que esse mercado tem a fazer pelo nosso mundo e perceba as oportunidades além do bitcoin, ou do halving.

multicoin capital
“Os registros distribuídos abertos e a computação apermissionada, resistente à censura e com mínima dependência de confiança vão remodelar setores enormes da economia global”, afirma a tese da Multicoin Capital (Imagem: Crypto Times)

Multicoin Capital – a oportunidade de US$ 100 trilhões

Nunca tive a oportunidade de conversar mais do que cinco minutos com Kyle Samani, sócio-diretor da Multicoin Capital e, mesmo assim, esses poucos minutos foram divididos com outras seis pessoas na saída de um painel.

Por outro lado, sempre que a Multicoin Capital envia um e-mail, procuro abrir logo para saber do que se trata e começar a ler. Se além de o e-mail ser desse fundo, mas for assinado por Kyle Samani, prefiro parar o que estou fazendo para me concentrar no texto.

Foi dessa forma que me deparei com uma de suas teses mais ousadas e completas a respeito do mercado cripto.

“Os registros distribuídos abertos e a computação apermissionada, resistente à censura e com mínima dependência de confiança vão remodelar setores enormes da economia global.”

Assim começa o texto em que ele apresenta a sua visão de que esse mercado possui uma oportunidade de US$ 100 trilhões até o momento da sua consolidação. Para Samani, as finanças descentralizadas, Web3 e uma moeda global sem Estado compõe as suas megateses para o futuro.

Primeiro, as finanças descentralizadas serão realidade quando ações, títulos de dívidas, imóveis, moeda e etc. forem interoperáveis, programáveis e combináveis em registros abertos, então os mercados ficarão mais eficientes e acessíveis.

Da mesma forma que o mercado de capitais, desde as grandes navegações, permitiu uma criação de riqueza sem precedentes, as finanças descentralizadas deixarão os mercados de capitais mais eficientes e acessíveis a mais pessoas.

web 3.0
Web 3.0 se refere à nova onda de tecnologias de redes de comunicação, que promete devolver a internet para a mão de seus usuários, pois utiliza avanços em tecnologia peer-to-peer (de pessoa para pessoa), como blockchains, a fim de criar serviços de protegem os usuários (Imagem: Money Times)

Segundo, a Web3 vai dar aos consumidores a possibilidade de controlar os seus próprios dados, diferentemente do que ocorreu no status quo, em que as gigantes de tecnologia, agências de classificação de crédito, anunciantes, provedores de serviços de saúde e outros acumularam e se apoderaram dos dados dos seus usuários.

Consequentemente, com a mudança desse paradigma, as empresas perderão sua principal vantagem competitiva, o monopólio de dados e efeitos de rede relacionados, abrindo enormes oportunidades para a criação de valor.

Por último, uma moeda global sem nação representa, também, uma oportunidade única, a qual a humanidade nunca teve contato. Por isso, a ideia de ouro digital é menos abrangente e está contida na ideia de moeda sem fronteiras e sem Estado.

Os indivíduos podem escolher se preferem seguir as regras impostas pelo seu governo e usarem a moeda local ou migrarem para uma global. Assim, a oportunidade de fuga de capitais de todas as classes sociais é plausível e representa o potencial de trilhões de dólares.

Unindo os três pontos apresentados, a visão da Multicoin Capital é de uma oportunidade entre US$ 40 e US$ 100 trilhões.

E se Kyle Samani construiu sua tese a partir de observações atuais da dinâmica desse mercado, a Placeholder foi diferente e se pautou na história para embasar a sua visão da oportunidade que cripto abriu.

placeholder
A empresa não acredita que os criptoativos já passaram pela fase de bolha, pois ainda falta adesão de grandes players institucionais (Imagem: Placeholder)

Placeholder – a história definitivamente não se repete, mas rima

A tese de Joel Monegro e Chris Burniske é baseada no livro de Carlota Perez, em que ela conta como acontecem as dinâmicas de bolhas e eras de ouro.

O livro “Technological Revolutions and Financial Capital” foi escrito logo após a bolha pontocom e descreve como outras inovações passaram pelo mesmo ciclo de erupção, frenezi, bolha, sinergia e consolidação.

O mais impressionante da tese de Carlota, quando apresentada em livro, é que a internet tinha acabado de passar pela fase de bolha e a escritora estava argumentado que a tecnologia teria futuro.

Diferente do que aconteceu em 2000, Joel Monegro não acredita que os criptoativos já passaram pela fase de bolha e elucida isso apontando que, quando a bolha pontocom aconteceu, as empresas tinham mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado.

Dessa forma, ele acredita que a queda recente dos criptoativos não pode ser comparada à bolha da internet, e que ainda passaremos por essa fase, mas que ainda existirá um frenezi antes encabeçado pelo mercado institucional.

(Imagem do slide de apresentação)

Joel Monegro também acredita que a internet passou por fases de infraestruturas que nos fizeram chegar até o momento atual, e que uma nova era foi iniciada com a proposição do bitcoin por Satoshi Nakamoto.

Caso a Placeholder esteja certa, a oportunidade é igual ou até maior do que a era do hardware, a era do software e a era das redes.

Essas não são as únicas teses que envolvem o mercado de criptoativos. Vários outros fundos têm teses parecidas, complementares ou até que vão na contramão dessas apresentadas neste artigo.

Mesmo assim, como temos vários líderes de fundo vendo esse mundo novo apresentado pelo bitcoin de diferentes formas, percebo que estamos realmente diante de uma inovação disruptiva.

Da mesma forma que é difícil explicar a internet para quem já não a conhece, registros imutáveis por meio do blockchain e a commoditização da confiança por meio da exclusão dos intermediários são difíceis de serem assimilados por aqueles que não vivem a criptoeconomia.

A oportunidade está dada e, assim como aqueles que perderam o bonde da internet, em dez anos, teremos aqueles arrependidos por perder o bonde da criptoeconomia. Não seja um deles.

E você, o que acha? Tem alguma tese de grandes fundos que chamou mais a sua atenção? Então entra em contato comigo pelo Instagram e me diga.

Abraço e até a próxima.

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 29/02/2020 - 0:29