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André Franco: o passado não serve como bola de cristal para o futuro

04/11/2019 - 12:37
Não há como prever o futuro das criptomoedas, afirma o especialista (Imagem: Pixabay)

Por André Franco, da Empiricus Research

Há 300 mil anos, o homem neandertal estava sobre a Terra. Ele tinha ombros mais largos, era mais baixo e mais forte que o ser humano atual. Essas características lhe proporcionaram sobreviver durante muito tempo sobre a Terra.

Naquele momento, se você olhasse para o nosso planeta, veria uma cadeia alimentar em que o homem, de qualquer espécie, ocupava uma posição mediana.

Indo além, se você olhasse a configuração dos animais da época, veria que a força era o elemento principal de dominância.

Digo isso porque um leão caçava os gnus já que estes eram mais fracos. Da mesma forma que as hienas se alimentavam dos restos do que o leão deixava, os humanos comiam apenas o que as hienas deixavam.

Era uma cadeia em que o mais forte sempre tinha o melhor alimento enquanto os mais fracos pereciam ou se alimentavam dos restos.

O ser humano foi evoluindo de acordo com suas técnicas de sobrevivência (Imagem: Pixabay)

Então, olhando para aquele período, você diria que o homo neanderthalensis teria mais chances de sobreviver que o homo sapiens, somente vendo que um era mais forte que o outro. Até aquele momento, a estratificação da cadeia alimentar era facilmente feita por uma única variável: a força.

Mas um detalhe que você não poderia prever aconteceu e favoreceu a nossa atual espécie, o homo sapiens.

O cérebro foi o principal determinante para fazer com que o homo sapiens prevalecesse como espécie sobre os demais homos que habitavam a Terra.

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A capacidade da nossa espécie em pensar no futuro, raciocinar primitivamente e aprender uns com os outros nos fez saltar patamares na cadeia alimentar e nos posicionar no topo dela.

Exatamente aquela característica, a inteligência, mesmo primitiva, que qualquer um poderia ignorar, olhando a configuração pré-histórica, foi a mais determinante para o futuro da humanidade.

Como você poderia prever que armas seriam criadas, o fogo seria usado e o homo sapiens acabaria por ganhar batalhas com leões e outros predadores? E é por isso que o passado não deve ser o nosso mapa para o futuro.

O futuro é incerto; não há como prever qual será a próxima grande criptomoeda (Imagem: Pixabay)

Claro que dados são importantes para compor uma análise do que está por vir, mas usá-los como bola de cristal não é aconselhável. Até porque, no mundo dos investimentos, os grandes lucros, ou perdas, são os que respondem por boa parte do seu patrimônio.

Uma tacada certa pode colocar você em um patamar financeiro totalmente diferente e, com certeza, esse acerto não virá de dados ou de análises exclusivas do passado.

Se fosse assim, o próximo bitcoin seria o litecoin e o próximo ethereum seria a EOS, mas as coisas não funcionam assim. Provavelmente, o criptoativo que vai ser muito relevante dentro de cinco ou dez anos ainda nem foi pensado, e só o tempo vai fazê-lo florescer. Nesse novo paradigma do universo digital, um ano equivale à separação entre a Pré-História e a História.

Em 2014, esta era a configuração do top 10 criptoativos em tamanho de mercado:

(Imagem: Coinmarketcap.com)

Em 2015, já era um pouco diferente:

(Imagem: Coinmarketcap.com)

Veja que o Ethereum não figura nem entre os dez primeiros e hoje tem tanta importância para o ecossistema do que a grande maioria das iniciativas de Finanças Descentralizadas (DeFi) são feitas usando essa plataforma.

Veja a configuração atual desse mesmo top 10 e tire suas próprias conclusões:

(Imagem: Coinmarketcap.com)

Apenas o Bitcoin permanece dentro do top 10 e sem alterar sua posição no ranking. E isso pode induzir você ao pensamento falacioso de que esse ativo não será destronado ou que vai demorar muito para isso acontecer, mas, infelizmente, não dá para afirmar isso.

Até o final de 2017, existia a ideia de que, em algum momento, o Ethereum iria ultrapassar o bitcoin em market cap e tomar o seu lugar. Os entusiastas de cripto chamavam isso de “flippening”.

Essa foi uma teoria construída apenas olhando para o passado e projetando o mesmo crescimento da rede do ether para o futuro. Foi um erro olhar para o passado e usá-lo como bola de cristal.

Só porque a maneira como o bitcoin deu certo no passado, não quer dizer que seus sucessores terão sucesso da mesma forma (Imagem: Pixabay)

Por isso, qualquer aposta baseada no que aconteceu no ano passado vai significar apenas o uso de um mapa errado que vai levar a pessoa ao local errado.

Mas em termos práticos, o que isso significa?

Bem… Até o ano de 2017, vimos criptomoedas, que continham fortes alicerces baseados nos mecanismos de mineração, como o bitcoin e ether, assumirem a ponta desse mercado.

A rede de incentivos criada para fazer com que os mineradores suportassem a rede do blockchain foi a característica que fez com que esses projetos ganhassem o mundo e fossem vistos como as principais redes.

No entanto, não é necessariamente ela a responsável pelos próximos passos que daremos nesse universo de criptoativos. Talvez a rede de mineradores possa ser comparada à força, que fez o homo chegar ao meio da cadeia alimentar.

Mineração fomentou a criação de novas plataformas de blockchain (Imagem: Pixabay)

E, como falei, não foi o porte físico que fez o homem chegar ao topo da cadeia alimentar. Então, pode ser que a responsável por fazer as criptomoedas chegarem ao topo do sistema financeiro também não seja a rede de mineradores.

Por isso, devemos abrir os olhos para as criptos com características que destoam das mais antigas, como, por exemplo, os tokens. Dois ativos que recentemente tenho olhado com mais carinho são LINK e Binance Coin (BNB), mas, a título de exemplo e de facilidade de entendimento, irei falar só de BNB.

Esse token foi criado pela Binance, maior corretora em volume do mundo, e dá direito aos que o usam de ter desconto nas taxas de corretagem dentro da plataforma. Atualmente, o desconto é de 25% sobre a taxa cobrada pela corretora e isso nos ajuda a entender o seu valor em um mercado em alta puxado pelo varejo.

Primeiro de tudo, tenha na cabeça que exchange de cripto é um negócio que, quanto mais liquidez tem, mais liquidez atrai. Ninguém quer negociar em uma corretora com volume baixo, e por isso a Binance ainda deve atrair muita liquidez quando o varejo voltar a negociar cripto, como em 2017.

Binance é uma das principais exchanges de negociação de criptoativos (Imagem: Facebook da Binance)

Por isso acredito que os novos entrantes do mercado, em grande parte, vão negociar dentro da Binance e, consequentemente, terão que adquirir BNB para conseguirem o desconto de 25%. Logo teremos uma demanda por esse ativo puxada pela compra desses novos entrantes no mercado.

Pode parecer um contrassenso, com o universo de cripto, apostar em um token de corretora, ainda mais para os mais antigos desse mercado, mas, como você pôde notar, na evolução da nossa espécie, uma característica nada trivial foi decisiva para nos estabelecermos como único homo no mundo e no topo da cadeia alimentar.

E é por esse motivo que devemos fugir das trivialidades e buscar por coisas únicas que diferenciem um criptoativo dos demais. Só assim estaremos sendo racionais o suficiente e procurando características que façam sentido para o futuro e não para o passado.

Um abraço!

Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 29/02/2020 - 11:02