Ano de juros mais baixos? Mercado ajusta apostas e ações reagem; veja destaques do Giro do Mercado desta segunda (12)
A semana começa com a expectativa pela divulgação de uma série de indicadores de atividade econômica, que podem reforçar as apostas no início do ciclo de flexibilização da Selic em março.
No Giro do Mercado desta segunda-feira (12), as jornalistas Paula Comassetto e Juliana Caveiro recebem Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research, para repercutirem os principais movimentos do mercado financeiro hoje.
Os investidores analisam as novas projeções do Boletim Focus, que revisou para baixo a inflação em 2026. A expectativa do mercado é que o IPCA feche esse ano na casa de 4,05%.
Para Quaresma, 2026 será um ano de corte de juros, também influenciado pelo resultado das eleições. “A gente deve ter, no cenário base, 3 pontos percentuais de corte na Selic, o que representa juros de 12% ao final deste ano. Se um governo mais fiscalista for eleito, devemos ter ainda mais do que 3 pontos percentuais de corte”, afirmou.
No Ibovespa (IBOV), os principais destaques positivos do dia ficaram com Braskem (BRKM5), Brava Energia (BRAV3), Assaí (ASAI3) e WEG (WEGE3).
Do lado negativo, Direcional (DIRR3), Sabesp (SBSP3), Equatorial (EQTL3), Localiza (RENT3) foram as principais quedas.
No mundo corporativo, a Tenda (TEND3) divulgou a sua prévia operacional do quarto trimestre de 2025. A companhia registrou vendas brutas de R$ 1,23 bilhão, um recorde para a companhia e aumento de 18,4% na comparação anual.
A Vamos (VAMO3) teve receita líquida de R$ 1,48 bilhão no quarto trimestre de 2025, expansão de 24,3% em relação ao mesmo período de 2024, conforme prévia de resultados divulgada pela companhia nesta segunda-feira.
A Brava Energia (BRAV3) também informou a renúncia de Décio Oddone ao cargo de diretor presidente (CEO), seguindo o processo de sucessão planejado pelo executivo. Richard Kovacs, ex-presidente do conselho de administração, assume o cargo.
De acordo com a analista da Empiricus, as expectativas sobre os balanços corporativos no quarto trimestre de 2025 são mistas. “A seleção de ações deve ganhar bastante importância para navegar os resultados desse período”, reforçou.
No cenário internacional, as atenções do mercado se concentram ao redor do banco central dos Estados Unidos. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que o Departamento de Justiça dos EUA emitiu uma intimação com ameaça de acusação criminal e acusa Trump de retaliação por juros.
“Esse movimento vem em continuidade a todas as pressões que o Trump vem fazendo sobra a autoridade monetária que, ao que tudo indica, fará uma pausa no processo de corte de juros. De toda forma, a presidência do Fed será trocada no começo deste ano. O mercado espera um Fed mais preocupado com o mercado de trabalho do que com a inflação”, explicou Quaresma.
No contexto geopolítico, manifestantes do Irã protestam contra o governo há pelo menos duas semanas. As autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas na quinta-feira (8). Com isso, Trump ameaçou atacar o Irã se as forças de segurança responderem com força.