Economia

Copom mantém Selic a 10,50% e Samuel Pessôa, da Julius Baer, faz balanço da decisão; veja

31 jul 2024, 17:40 - atualizado em 06 nov 2024, 16:00

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), manteve a taxa Selic no patamar de 10,50% ao ano nesta quarta-feira (31).

Os diretores repetiram o movimento do encontro passado, quando interromperam o ciclo de flexibilização da política monetária, iniciado em agosto de 2023.

No Boletim Focus desta semana, os economistas consultados pelo BC indicaram que o Copom não deve voltar a cortar a taxa este ano, encerando 2024 no patamar de 10,50%. Para 2025, 2026 e 2027, os palpites são de 9,50%, 9% e 9%, respectivamente.

O mercado está preocupado com o agravamento da inflação — principalmente de serviço –, o que também tem forçado as expectativas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de julho veio acima das expectativas e subiu 0,30%. O acumulado de 12 meses da prévia da inflação — de 4,45% — encostou no teto da meta, mas ainda segue dentro do intervalo perseguido pelo BC — 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual.

Os analistas dizem, por outro lado, que as sinalizações mais otimistas do Federal Reserve (Fed), sobre uma possível redução da taxa de juros do país em setembro pode facilitar a decisão do Copom.

Ao vivo
Copom não vê novo ciclo de alta – nem de baixa – para a Selic, diz Samuel Pessôa, da Julius Baer

Para o chefe de pesquisa econômica da Julius Baer Brasil, Samuel Pessôa, o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) diz que, se as coisas evoluírem conforme o previsto, a Selic não deve ter um novo ciclo de alta, nem de baixa.

O Banco Central (BC) prevê que, em um cenário em que a taxa seja mantida constante no horizonte relevante, as projeções de inflação para o primeiro trimestre de 2026 situam-se em 3,4% (referência) e 3,2% (alternativo).

Leia mais.

4 pontos para entender por que o Copom amargou o tom ao manter Selic a 10,50%; veja
selic juros copom banco central bc (2)
Copom optou por manter a taxa Selic no patamar de 10,50% ao ano (Imagem: Divulgação/Banco Central)

O Comitê de Política Monetária (Copom) optou por manter a taxa Selic no patamar de 10,50% ao ano na reunião desta quarta-feira (31).

Os diretores ressaltaram a desinflação mais lenta, a desancoragem das expectativas de inflação e o cenário global desafiador.

Leia mais.

Economista do Inter diz que próximos passos da Selic vão depender da reancoragem das expectativas

Os próximos passos da política monetária vão depender da evolução do cenário, principalmente a reancoragem das expectativas, avalia a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória. A indicação do comunicado é de manutenção da taxa no atual patamar restritivo por mais tempo.

No balanço de risco, Vitória ressalta que o Copom manteve os fatores de risco da reunião anterior, mas incluiu entre os riscos de alta a “conjunção das políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário”, que resulta da desvalorização cambial.

A economista diz ainda que a avaliação do impacto da política fiscal permanece fora do balanço de riscos, mas o Copom ainda ressalta a necessidade do compromisso com a sustentabilidade da dívida pública para a reancoragem das expectativas.

A projeção do BC para a a inflação de 2024 subiu de 4,0% para 4,2%, e de 3,4% para 3,6% para 2025. O Copom manteve o cenário alternativo, que seria a manutenção da Selic em 10,50% até 2025, e que resultaria em IPCA em 3,4% em 2025 — ou seja, uma convergência mais rápida da inflação.

“Mantemos nossa expectativa de manutenção da Selic em 10,5% por um prazo prolongado. Uma eventual alta de juros poderia ser considerada caso ocorra uma reaceleração da inflação e piora nas expectativas, o que poderia ser resultado de nova deterioração fiscal, como revisão das metas e impacto no câmbio”.

Por outro lado, Vitória diz que uma retomada dos cortes em 2025 continua no radar, caso o governo volte a apresentar controle do crescimento de gastos públicos, em linha com o cumprimento da meta fiscal, o que iria beneficiar a trajetória de desinflação e aliviar o prêmio de risco nos ativos.

Economista diz que balanço de riscos e descrição do cenário doméstico foram as novidades na comunicação do Copom

Segundo a economista da SulAmérica Investimentos, Rafael Yamano, as principais novidades na comunicação do Copom nesta quarta-feira (31) apareceram no balanço de riscos e na descrição do cenário doméstico.

“O balanço de riscos ficou assimétrico, com mais riscos de a inflação ficar mais alta do que mais baixa. Dentre os riscos destaca-se a adição do risco de a taxa de câmbio ficar mais depreciada (que foi adicionado nessa reunião)”, explica.

O linguajar do Copom no restante do comunicado ficou mais hawkish, segundo a economista, com descrição de cenário indicando um arrefecimento no processo de desinflação.

“Apesar do balanço de riscos ter ficado assimétrico, acreditamos que o comitê deve seguir mantendo a taxa de juros estável em 10,50% na próxima reunião, com uma decisão pela alta ocorrendo apenas se as expectativas de inflação no Relatório Focus ultrapassarem 4,0% para 2025 e se a taxa de câmbio depreciar além de R$/US$ 5,80”, diz.

Cenário segue desafiador para o Banco Central, diz co-head de investimentos da Arton Advisors

O co-head de investimentos da Arton Advisors, Raphael Vieira, diz que o cenário segue desafiador para o Banco Central. “Além de contar com uma deterioração das expectativas de inflação, ainda vê uma maior depreciação do câmbio por conta da desconfiança dos agentes econômicos sobre a política fiscal”, afirma.

Segundo ele, a manutenção e o último parágrafo do comunicado sobre futuros ajustes da taxa de juros deram um tom mais duro no comunicado.

“O tom do comunicado veio novamente mais duro ditando a piora nas expectativas de inflação e sobre a importância de uma política fiscal crível para ancorar essas expectativas”, avalia.

Vieira ressalta ainda o parágrafo inteiro sobre a política fiscal. “O Comitê monitora com atenção como os desenvolvimentos recentes da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. A percepção dos agentes econômicos sobre o cenário fiscal, junto com outros fatores, tem impactado os preços de ativos e as expectativas dos agentes. O Comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária.”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Economista-chefe do Banco Master diz que Copom subiu um degrau no tom do comunicado

O economista-chefe do Banco Master, Paulo Gala, classificou o comunicado do Copom desta quarta (31) como “mais rock“.

“Alguns elementos chamam a atenção, especialmente a menção à questão de que o Copom pode ficar mais vigilante no futuro se as variáveis de mercado piorarem ou se as expectativas de inflação piorarem”, diz.

“Eu acho que ele subiu um degrau nesse tom em relação ao comunicado da última reunião, que também foi uma manutenção unânime”, completa.

Só falta a gente reduzir a taxa de juros, diz Lula minutos antes do Copom

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, enquanto discorria sobre conquistas de sua gestão, que o país ainda precisa baixar a taxa de juros.

A declaração de Lula, um recorrente crítico do presidente do Banco Central e de sua política monetária, ocorreu minutos antes de anúncio de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC sobre a taxa básica de juros, a Selic.

“… a inflação está controlada, só falta a gente reduzir a taxa de juros, que não depende só do governo, mas que a gente vai conseguir também”, disse Lula durante evento sobre obras de ampliação e aeroportos em Mato Grosso.

Os sinais de Campos Neto sobre o futuro da Selic: veja o que mudou no comunicado do Copom
roberto-campos-neto-independencia-bc juros selic fiscal banco central
(Imagem: REUTERS/Adriano Machado)

O Comitê de Política Monetária (Copom) cumpriu o roteiro e manteve a taxa básica de juros (Selic) em 10,50% ao ano, em decisão unânime. Assim, em meio à piora do cenário para a inflação, os investidores se prepararam para um comunicado mais duro do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e dos diretores que fazem parte do Copom.

Aliás, o mercado já coloca nos preços a possibilidade de alta da Selic, sendo que parte dos analistas espera por esse movimento já na reunião de setembro. Em uma primeira leitura, porém, o comunicado trouxe um tom mais leve do que o esperado.

Leia mais.

AO VIVO: Samuel Pessôa, da Julius Baer, comenta decisão do Copom desta Super Quarta

**Copom: Política monetária deve se manter contracionista por tempo suficiente em patamar que consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno da meta
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
**Copom destaca cenário global incerto e cenário doméstico marcado por resiliência na atividade, elevação das projeções de inflação e expectativas desancoradas ao manter juros
**Copom: A decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante
**Decisão de manter a Selic em 10,50% foi unânime
**Projeções de inflação do Copom para o 1º trimestre de 2026 situam-se em 3,4% no cenário de referência e 3,2% em cenário alternativo, no qual a taxa Selic é mantida constante ao longo do horizonte relevante
Selic a 10,50%: Quanto rendem R$ 5 mil por mês na poupança, Tesouro Direto, LCI e CDB
selic 10,50% renda fixa
A Selic foi mantida no patamar dos 10,50%. (Imagem: Getty Images)

Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou nesta quarta-feira (31) a quinta decisão do ano sobre a taxa Selic. O colegiado do Banco Central decidiu novamente pela manutenção dos juros no patamar em que está, de 10,50% ao ano. Esta é a segunda vez que não há cortes desde o início do afrouxamento monetário, em agosto do ano passado.

Diante da depreciação do câmbio, das expectativas de uma inflação desancorada, da deterioração do sentimento da política fiscal e a eleição americana no radar, os membros do Copom optaram pela cautela na condução da política monetária no país.

Leia mais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
**Copom: No cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho segue apresentando dinamismo maior do que o esperado. A desinflação medida pelo IPCA cheio tem arrefecido, enquanto medidas de inflação subjacente se situaram acima da meta para a inflação nas divulgações mais recentes
Rendimentos de até 21%: As ações que pagam dividendos maiores que Selic a 10,50%
banco central focus inflação agenda da semana
(Imagem: Reuters/Ueslei Marcelino)

O Banco Central bateu o martelo e manteve a Selic, a taxa básica de juros, a 10,50%. E se a bolsa pode não ser o melhor cenário em um ambiente de taxas altas, algumas ações continuam pagando rendimentos que superam os juros.

  • TRANSMISSÃO ESPECIAL: Acompanhe a decisão do Copom sobre o futuro da Selic ao vivo no Giro do Mercado e entenda qual deve ser o rumo da inflação e do risco fiscal no Brasil. Começa às 18:30, salve o link abaixo:

Leia mais.

**Copom: O ambiente externo mantém-se adverso, em função da incerteza sobre os impactos e a extensão da flexibilização da política monetária nos Estados Unidos e sobre as dinâmicas de atividade e de inflação em diversos países
Copom mantém Selic a 10,50% ao ano e defende cautela com desinflação mais lenta
selic juros banco central bc copom
Copom mantém Selic no patamar de 10,50% ao ano (Imagem: Agência Brasil)

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic no patamar de 10,50% ao ano na reunião desta quarta-feira (31). Os diretores ressaltaram a desinflação mais lenta, a desancoragem das expectativas de inflação e cenário global desafiador.

“O Comitê, unanimemente, optou por manter a taxa de juros inalterada, destacando que o cenário global incerto e o cenário doméstico marcado por resiliência na atividade, elevação das projeções de inflação e expectativas desancoradas demandam acompanhamento diligente e ainda maior cautela”, afirmaram.

Leia mais.

**Copom mantém Selic a 10,50% ao ano
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Editora-assistente
Editora-assistente no Money Times e graduada em Jornalismo pela Unesp - Universidade Estadual Paulista. Atua na área de macroeconomia, finanças e investimentos desde 2021.
Linkedin
Editora-assistente no Money Times e graduada em Jornalismo pela Unesp - Universidade Estadual Paulista. Atua na área de macroeconomia, finanças e investimentos desde 2021.
Linkedin

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar