Economia

Mercado se antecipou demais com Flávio? Felipe Salto vê espaço para correção após rali

07 out 2026, 12:30
Felipe Salto
(Foto: Reprodução/Warren Rena)

A reação favorável dos mercados ao desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno reflete a expectativa de um ajuste fiscal, mas pode ter ido longe demais antes de os investidores conhecerem as propostas. Para Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, há espaço para uma correção dos movimentos do dólar e dos juros futuros enquanto essa aposta aguarda medidas concretas.

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“É possível que haja uma precificação exagerada”, afirma, em entrevista ao Money Times.

Segundo Salto, o mercado considera que Flávio tem maior chance de promover o ajuste necessário para estabilizar a dívida pública. Essa percepção explica o otimismo, embora ainda não permita concluir como seria a condução das contas públicas em um eventual governo do senador.

“Se isso vai ou não acontecer, é outra história, mas o fato é que essa percepção e essa avaliação conduzem ao otimismo. Por isso, os juros futuros reagiram de modo impressionante e o dólar também”, diz.

Na segunda-feira (5), primeiro pregão após a definição do segundo turno no domingo (4), com Flávio Bolsonaro à frente de Lula, o Ibovespa disparou 7,70%, aos 206.911,89 pontos, renovando o recorde de fechamento.

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O histórico eleitoral ajuda a contextualizar essa aposta: desde 1989, todos os candidatos que lideraram o primeiro turno das eleições presidenciais venceram também o segundo. Esse retrospecto oferece um argumento adicional ao otimismo dos investidores, embora o resultado da disputa ainda esteja em aberto.

Na avaliação do economista, a confirmação dessa expectativa dependerá dos detalhes do programa fiscal, que ele acredita que serão apresentados somente após o segundo turno.

“Não custa lembrar que política fiscal é detalhe. Cada medida tem de ser construída de modo quase cirúrgico e todas as providências com efeito relevante têm custos políticos”, afirma.

O recado do mercado vale para qualquer vencedor

Para Salto, a reação dos investidores mostra que a apresentação de um programa fiscal consistente pode gerar benefícios independentemente de quem vencer a eleição.

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O requisito, segundo ele, é um plano com medidas concretas e um cronograma de execução capaz de recuperar o superávit primário – quando as receitas superam as despesas antes dos juros – e estabilizar a dívida em relação ao PIB.

“Ocorre que, hoje, o mercado entende que a probabilidade de isso ocorrer com Flávio é maior; como ele é o favorito, pós primeiro turno, então isso é precificado em câmbio e juros”, afirma.

Isso significa que os preços já incorporam parte dos benefícios esperados de uma mudança na política fiscal, mesmo antes de sua implementação. Se as propostas não corresponderem às expectativas, essa antecipação poderá ser revista.

“O mercado sempre antecipa os eventos relevantes”, diz Salto. “Provavelmente, os movimentos serão corrigidos.”

Plano precisa chegar durante a transição

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O próximo presidente terá de aproveitar o período entre o segundo turno e a posse para apresentar o programa, defende o economista.

Na sua avaliação, a equipe de transição deve elaborar as propostas, preparar os instrumentos legais necessários e encaminhar as medidas ao Congresso.

“É preciso começar o próximo ano já com as questões encaminhadas, e não deixar para pensar depois que o governo se iniciar”, afirma.

Salto considera que o anúncio rápido de um programa seria a principal entrega possível ainda em 2026, entre o fim de outubro e dezembro. A credibilidade dependeria tanto do conteúdo das medidas quanto da capacidade de obter sua aprovação.

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“É fundamental que, assim que passar o segundo turno, ganhe quem ganhar, o programa de ajuste seja apresentado logo”, diz.

Ajuste fiscal pode abrir espaço para cortes maiores da Selic

A melhora das expectativas fiscais também poderia facilitar o trabalho do Banco Central, segundo Salto.

O economista avalia que a desaceleração da atividade, observada desde meados de 2025, e a perspectiva de crescimento baixo em 2027 dariam espaço para uma redução mais forte da Selic, caso fossem acompanhadas por um programa fiscal à altura do desafio.

“O Banco Central, na presença de um programa de ajuste fiscal à altura do desafio que se coloca, terá espaço para reduzir a Selic com mais força”, afirma.

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Juros menores também ajudariam a conter o custo da dívida pública. Na avaliação de Salto, essa combinação poderia abrir caminho para um crescimento econômico mais forte a partir de meados de 2028.

Até que as propostas sejam conhecidas, porém, o otimismo continuará apoiado em uma expectativa. Para o economista, a principal mensagem da reação dos mercados é a oportunidade de transformar um plano fiscal em condições econômicas mais favoráveis.

“Independentemente de preferências políticas, endereçar uma solução para o problema fiscal permitirá um equilíbrio com juros menores e câmbio mais apreciado.”

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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