Após fechar 2025 em queda, o que esperar do bitcoin (BTC) em 2026? Veja quais setores e criptomoedas devem despontar este ano
O começo do ano carrega consigo uma série de expectativas. Para o bitcoin (BTC) e as criptomoedas não poderia ser diferente.
Depois de animar os investidores atingindo as máximas históricas acima dos US$ 125 mil no ano passado, o bitcoin chegou a cair mais de 30% e soterrar as expectativas de novos recordes no fim de 2025. Para 2026, o começo do novo ciclo é “morno”, mesmo nas projeções mais otimistas.
De acordo com relatórios compilados pela equipe do Crypto Times, que trazem as opiniões de especialistas e analistas da Bitfinex, BTG Pactual, Mercado Bitcoin (MB) e Foxbit, o sentimento é quase unânime: o mercado global de criptomoedas ainda está em fase de consolidação.
O avanço de mercados regulatórios nos Estados Unidos, como a aprovação do Genius Act, e na Zona do Euro, com o MiCA (Markets in Crypto‑Assets Regulation), tende a se intensificar em outras regiões em 2026.
Veja a seguir quais são as perspectivas para este ano. No final desta reportagem, veja a lista completa de setores e ativos para ficar de olho:
O ambiente das criptomoedas para 2026
Além da perspectiva de avanço dos marcos regulatórios, os analistas enxergam três eixos principais que devem afetar os preços das criptomoedas.
A saber: avanço da adoção institucional e corporativa, fluxos de ETFs e novos produtos em cripto, e condições macroeconômicas favoráveis.
Começando pelo fim, a perspectiva de novos cortes de juros nos Estados Unidos tende a influenciar o mercado de ativos digitais, que é altamente sensível às variações da liquidez global. No entanto, a deterioração do ambiente macroeconômico pode frustrar as projeções de afrouxamento monetário.
Vale lembrar que a inflação dos EUA terminou 2025 acima da meta do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) e o avanço dos conflitos internacionais entre Rússia e Ucrânia, o acirramento das tensões no mar da China com Taiwan e a mais recente intervenção na Venezuela podem jogar por terra as projeções de cortes de juros.
O cenário de incertezas tende a valorizar as commodities metálicas, como o ouro — que vem renovando recordes de preço desde o fim do ano passado —, e enfraquecer o dólar, o que, historicamente, é um fator positivo para os preços das criptomoedas.
Novos produtos e penetração institucional
Já a adoção institucional e novos produtos merecem um capítulo à parte. Isso porque um tema está intimamente conectado ao outro.
Isso porque começaram a se popularizar as chamadas Crypto Treasuries Companies, isto é, empresas focadas na estratégia de alocar parte do caixa em teses de ativos digitais.
As mais populares são as Bitcoin Treasuries Companies, que alocam parte da tesouraria em bitcoin — como a Strategy, Metaplanet e OranjeBTC, por exemplo.
No entanto, outras empresas, como a Galaxy Digital Holdings, Forward Industries, Coinbase, entre outras, adotaram a mesma estratégia, mas com criptomoedas alternativas como ethereum (ETH), solana (SOL) e hyperliquid (HYPE).
O avanço da adoção de criptomoedas no balanço das empresas abre espaço para o oferecimento de novos produtos relacionados ao mundo digital para além dos já populares ETFs (fundos de índice) de cripto.
Esses novos produtos incluem a vasta gama de ativos tokenizados, ou RWAs (real world assets, ou ativos do mundo real). A grande aposta deste ano, na visão dos analistas, é a tokenização de títulos públicos, como os Treasuries norte-americanos.
Essa representação on-chain de títulos públicos tende a ampliar as possibilidades para os investidores. Isso porque passa a ser possível usá-los como colateral para contratos inteligentes (smart contracts) em ambientes de finanças descentralizadas (DeFi), por exemplo.
Em paralelo, as stablecoins também devem ser um dos setores de destaque neste ano. Isso porque a maioria dessas moedas está atrelada e pareada ao dólar norte-americano, o que traz uma referência do mercado tradicional para o universo das criptomoedas, em especial após a publicação do Genius Act, que regula especificamente esse setor nos Estados Unidos.
Em 2025, o mercado de stablecoins atingiu novos recordes de capitalização, impulsionado pelo uso em pagamentos internacionais, operações B2B (business to business) e soluções de tesouraria.
Onde investir e no que ficar de olho em 2026
Confira a seguir os principais setores e criptomoedas para ficar de olho em 2026. Vale lembrar sempre que o mercado de ativos digitais é extremamente volátil e o investidor deve manter uma parcela responsável dos seus investimentos nessa classe.
| Ativo / Setor | Tese Estratégica |
| Bitcoin (BTC) | Consolidou-se como reserva de valor digital global e ativo estratégico, impulsionado pela adoção estatal, por fundos soberanos e de pensão. Sua escassez programada e imutabilidade o posicionam como proteção contra déficits públicos e a corrosão do poder de compra das moedas fiduciárias. |
| Ethereum (ETH) | Atua como a principal infraestrutura de contratos inteligentes e tokenização de ativos reais, com crescente demanda institucional via ETFs regulados. O uso para liquidação de stablecoins, pagamentos e staking gera necessidade operacional recorrente de ETH. |
| Solana (SOL) | Destaca-se como blockchain de alta eficiência, baixa latência e custos reduzidos, sendo referência para DeFi, derivativos e aplicações de consumo em larga escala, sustentando a demanda do token como ativo de utilidade econômica. |
| Aave (AAVE) | Principal protocolo de empréstimos descentralizados, com geração recorrente de receitas e governança ativa voltada à recompra de tokens, posicionado para capturar a expansão global do crédito on-chain. |
| Stablecoins | Infraestrutura essencial para pagamentos internacionais e operações B2B, com projeção de mercado de US$ 500 bilhões até 2026, oferecendo liquidação quase imediata e eficiência superior aos sistemas tradicionais. |
| Tokenização de Ativos Reais (RWA) | Setor com potencial de crescimento de 200%, trazendo ativos tradicionais para a blockchain para maior liquidez, fracionamento e eficiência, aproximando investidores institucionais do ecossistema cripto. |
| ETFs de Altcoins | A introdução de ETFs além de BTC e ETH deve atrair mais de US$ 10 bilhões em capital institucional, reduzindo barreiras de entrada e ampliando liquidez e segurança regulatória do setor. |
| Mercados Preditivos e IA | Setores emergentes de rápido crescimento, em que agentes de IA devem quadruplicar o volume negociado, viabilizados por blockchains eficientes como Solana, integrando automação financeira e utilidade real. |
Fonte: Bitfinex, BTG Pactual, Mercado Bitcoin (MB) e Foxbit